O professor de Filosofia do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Paulo Pinto Monte, suspeita ter sido vítima de um atentado no dia 29 de março de 2010. Ele registrou, no dia 31 de março do mesmo mês, no 11° Distrito Policial da Capital, localizado no Coroado, por meio do Boletim de Ocorrência número 10E1011002386, que as 16 porcas das quatro rodas do seu veículo, o Chevette placa JWH 5662, estavam frouxas, ou seja, quase soltas. Monte, no próprio BO, declara que “tem suspeita de que seja tentativa de sabotagem contra a sua vida”. Em sendo verdadeira a suspeita do professor Monte, não falta acontecer mais nada para que se tome providências a fim de garantir o princípio Constitucional da Liberdade de Cátedra. Não bastasse o fato de um professor ter sido agredido em pleno exercício da profissão, no Auditório Rio Negro, pelo irmão do atual governador do Estado, agora aparecer a suspeita de atentado contra outro professor, no ICHL. Algo precisa ser feito, urgentemente, pela própria entidade de classe e pela Reitoria da Ufam para que seus professores tenham garantias mínimas de condições de trabalho. Não se pode trabalhar bem dessa forma, sempre com a suspeita de que se pode ser agredido ou sofrer um atentado. Afinal de contas, vivemos em uma Democracia ou em um regime totalitário?
quarta-feira, 14 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Novo Código de Ética Médica
De hoje em diante a relação entre o médico e seus pacientes ganha novas cores. Pelo menos do ponto de vista ético. Após 22 anos sem nenhuma alteração, o Código de Ética Médica mudou da água para o vinho e entra em vigor a partir de hoje. Tradicionalmente, letras ilegíveis eram associadas às receitas médicas. Agora, até nos atestados os médicos precisas escrever com letras legíveis, bem como identificar atestados e receitas. O poder de decidir qual terapia usar não é mais do médico. Ele deve apresentar todas as possibilidades terapêuticas reconhecidas cientificamente, mas quem decide qual delas usar é o paciente. O médico não pode mais realizar procedimentos sem que o paciente tenha consentido, a não ser em casos de risco iminente de morte. Os prontuários médicos, antes escondidos a sete chaves, agora devem ser entregues (uma cópia) ao paciente. Médicos muito ocupados devem tomar cuidados. Agora estão proibidos de abandonar seus pacientes. Procedimentos desnecessários devem ser evitados em pacientes sem perspectivas de cura. Quanto às doenças incuráveis, todos os métodos paliativos devem ser usados, no entanto, levando-se sempre em conta a opção do paciente. Acabou-se aquela história de temer procurar outro profissional: o paciente tem o direito de buscar outro médico para uma segunda opinião e isso não se configura em nenhum tipo de quebra de conduta ética por parte do paciente. Médicos não podem participar de propaganda e quaisquer anúncios de serviços médicos devem constar o número do CRM do profissional. É terminantemente proibido ao médico prescrever receitas por telefone ou pela internet sem que o paciente seja visto. Médicos estão proibidos de ter relações incestuosas com farmácias, devem manter o sigilo médico mesmo após a morte do paciente mas estão obrigados a denunciar a tortura, inclusive ao atenderem vítimas de possível violência doméstica. Cirurgiões plásticos, especialmente, não podem ser vinculados a cartões de descontos e consórcios. Os profissionais da área convencionaram que não comparecer ao plantão é falta grave e que as pacientes (e os pacientes) são os que devem decidir sobre os métodos contraceptivos a serem utilizados. Cabe a nós, cidadãos, popularizarmos essas decisões e divulgarmos em conversas de bar, com os vizinhos, enfim, cobrar o exercício pleno da cidadania na relação com os médicos. Resta saber se os próprios médicos estão dispostos a cobrar dos colegas o comportamento ético que propagam no novo código.
Visite também o novo Blog do professor Gilson Monteiro.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Domínio público
O Ministério da Educação ventila até em desativar a biblioteca digital, desenvolvida em software livre, chamada domínio público, que está disponível no endereço www.dominiopublico.gov.br. Pasmem, leitores e leitoras, a biblioteca digital poderá ser desativada por falta de uso. Lá, gratuitamente, podem ser acessadas as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci; músicas eruditas de alta qualidade em MP3; obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia; historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA. Não é possível que a comunidade universitária brasileira, em especial da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), não seja capaz de criar um movimento virtual de uso para tentar revertermos essa tendência de desativação. Espaços virtuais como esses devem ser incentivados e ampliados. Que tal começarmos um movimento de incentivo ao acesso? Todos rumo ao www.dominiopublico.gov.br.
domingo, 11 de abril de 2010
Mortalidade de empresas
Os dados divulgados pela Junta Comercial do Amazonas (Jucea) sobre a mortalidade das empresas deve servir de alerta para as universidades locais, especialmente, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam). De acordo com a Jucea, uma, de cada cinco novas empresas, são fechadas. Trata-se na verdade, de um número normal de mortalidade de novas empresas. No entanto, seria interessante que os cursos de administração das universidades locais focassem seus estudos nesse processo de morte das empresas a fim de chegar aos fatores determinantes. Certamente, isso ajudaria a aumentar a eficiência das novas empresas e geraria conhecimentos para um processo de formação mais eficaz na área. O problema está posto e merece estudos.
sábado, 10 de abril de 2010
Sexo responsável
A decisão do juiz da Infância e da Juventude, Marcos Santos Maciel, de proibir a comercialização das pulseiras de silicone denominadas “pulseiras do sexo” é de uma sensatez que merece elogios. Não se pode deixar que uma brincadeira adolescente e sem nenhuma conotação de violência, como o foi o uso das pulseiras, passe a provocar reações tão violentas como as que estão ocorrendo. E nessa hora o poder público tem mesmo de agir para coibir os excessos. Merece elogios, também, a delegada titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Dpca), Linda Gláucia, autora da representação contra o uso das pulseiras. Pode dormir tranqüila, delega, sua representação, antes de torná-la uma repressora, a transforma e uma das poucas autoridades públicas a cumprir digna e verdadeiramente a função que exerce. Sexo sempre tem de ser uma decisão responsável e pensada. Jamais um impulso animal motivado por cores de pulseiras.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Visita técnica
A visita técnica que os estudantes do terceiro módulo do curso de Jornalismo fizeram ao Museu da Rede Amazônica ontem como parte das atividades dos Tópicos Especiais em Jornalismo III foi uma troca de experiência e saberes das mais valiosas. O curador do Museu, o historiador Abrahim Base, defendeu ardorosamente que o processo de formação dos jornalistas seja em um curso superior e fez questão de registrar que é a primeira vez que uma turma de estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), acompanhados por um professor, visita o Museu. Ressaltei, e faço questão de reiterar, que é importante para a cidade ter uma empresa particular cujo olhar, na maioria da vezes, é extremamente capitalista, que se preocupa e dar um tratamento público à sua história. Que muitos outros museus com essa característica surjam em Manaus.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Escola do silêncio
A professora Ivani Fazenda, uma das mais conceituadas na área de Educação, dizia, em 1997, que, àquela época, se vivia o modelo da “escola do silêncio”. Essa seria a escola na qual o estudante não pode se manifestar pois é ridicularizado pelos colegas e até pelo próprio professor. Fico a imaginar se mudou muita coisa hoje em dia. Ao que parece, vivemos o mesmo modelo. E, o que é mais grave, com indícios de que o problema se aplica à universidade brasileira. Ora, quando na própria universidade existe, ainda que veladamente, o modelo da “escola do silêncio”, o problema, ao invés de ser solucionado, ao longo do tempo tende a agravar-se. Seria interessante cada um de nós, professores, refletirmos sobre o assunto, afinal, a universidade é, pelo menos em tese, o berço da liberdade.
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