sábado, 31 de julho de 2010

Fobia acadêmica

Essa proposta do vereador Gilmar Nascimento (PSB) de lutar para que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não seja usado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) é ridícula e não tem a menor chance de ser operacionalizada. Ridícula porque decisões desse tipo cabem ao Conselho Universitário (Consuni) e, se tiverem de ser tomadas, devem ser discutidas no âmbito da Ufam. Fazer proselitismo eleitoral à custa da Ufam é inaceitável. Desde o início posicionei-me contra o Enem como forma de entrada. Cantei a pedra e aconteceu exatamente o que previa ainda na campanha para a reitoria. No entanto, reconheço que houve um lado extremamente positivo do uso do Enem: desnudar o discurso público dos políticos locais de que ofereciam ao povo uma Educação de qualidade. O rei está nu, a Educação no Estado é péssima e ponto. Hoje integro o time dos que não se negam a discutir melhorias no Ensino Médio, mas abomino essa ideia xenófoba de que Ufam é apenas para os Amazonenses. Isso é uma bobagem sem tamanho. Fiz meu mestrado e meu doutorado na Universidade de São Paulo (Usp), financiado com recursos do contribuinte paulista e paulistano e não fui expulso de lá por ser acreano e residente no Amazonas. Por favor, não embarquem nesse discurso de “a Ufam é nossa”. É preconceituoso, perigoso e esconde o problema maior: a deficiência do Ensino Médio no Estado.

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ufam em alerta

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) entrou em estado de alerta com a visita dos avaliadores do Ministério da Educação (MEC). A comunidade de professores, técnicos e estudantes será ouvida pelos avaliadores entre os dias 4 e 5 do mês de agosto. Sou avaliador do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), gosto de avaliar e jamais me recusei a ser avaliado mas tenho sérios problemas com esse número infindável de itens de avaliação. Grande parte deles realça a burocracia e não contribui para a melhoria do processo educacional. Avaliação de verdade só funciona quando serve para diagnosticar problemas e solucioná-lo. Seria perfeito se o MEC injetasse recursos para resolver os problemas detectados. Sem isso, a comunidade sofre pressão quando os avaliadores comparecessem, porém, após a ida deles tudo fica como antes. Em sendo assim, avaliar não serve para nada.

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Segurança ágil

A questão da falta de segurança na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) é muito mais grave do que aparenta e merecia atitudes bem mais drásticas do que a tomada pela administração em relação aos “consumidores” de drogas ilícitas. E para piorar, é tratada com descaso pelos responsáveis diretos: os próprios seguranças. Sábado, uma professora da instituição teve o seu carro arrobando e o toca-CDs foi afanado. Ao voltar para o veículo, que estava no estacionamento da reitoria, a professora percebeu o roubo e procurou um dos seguranças para relatar o caso. Ele perguntou:”onde foi professora”. “No estacionamento da reitoria”, respondeu ela. Ele: “muito obrigado. Vou já tirar o meu carro de lá”. Seria trágico se não fosse tão cômico.

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Operação Tapete Persa

Deve ter político no Amazonas tilintando as pernas de tanto medo. Isso porque a Polícia Federal deflagrou ontem, dia (27/7) a Operação Tapete Persa. É uma investigação destinada ao combate à exploração, ao abuso sexual e à pedofilia na internet. O que talvez amenize o tremor (e temor) mesmo com o calor amazônico, é que serão cumpridos 81 mandados de busca e apreensão em nove estados (Alagoas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo) e no Distrito Federal. Logo, o Amazonas fica de fora. A operação da Polícia Federal é coordenada pela Divisão de Direitos Humanos da PF, por meio do Grupo Especial de Combate aos Crimes de Ódio e à Pornografia Infantil na Internet (Gecop) em cooperação com a Interpol, a polícia internacional, e a Polícia Criminal de Baden-Württenberg, da Alemanha. Se o tal tapete persa for aberto um pouquinho mais e incluir o Amazonas vai ter nego correndo da sala para a cozinha, principalmente quem ainda figura na lista da CPI da Pedofilia. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Constituição Federal, criminosos condenados por pedofilia podem ser condenados a permanecer por mais de 15 anos em reclusão. Tem gente em Manaus que não pode nem ouvir falar o nome Maria do Rosário. E é bem possível que noites de insônia perturbem a vida de alguns a imaginar: vai que a Polícia Federal amplia essas investigações?

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terça-feira, 27 de julho de 2010

Autonomia para as universidades

Decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última semana pelo menos em tese aumentam a autonomia das universidades federais brasileiras. O que mais tem potencial de melhorar o desempenho administrativo das instituições permitirá que a sobra de caixa do Orçamento anual permaneça no caixa das universidades. Pela regra vigente, as instituições devem devolver o dinheiro que não tenha sido gasto até o fim do ano. Com isso, para burlar a lei, as universidades repassavam as sobras para as instituições de apoio. A nova lei faz parte da política pública de minar as fundações de apoio. Outro avanço é desobrigar as universidades de aguardarem autorização do Ministério do Planejamento para convocar aprovados em concurso no caso de reposição de servidores aposentados ou que morreram. Deve, no entanto, servir para a reposição de todos os quadros e não apenas dos professores. São avanços necessários e fundamentais para azeitar a máquina administrativa das universidades brasileiras.

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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Truculência premiada

Durante o final de semana fiquei a refletir sobre como a truculência interfere positivamente nas eleições. Lembrei-me que a deputada Vera Lúcia Castelo Branco envolveu-se em um episódio nebuloso com o então marido, Sabino Castelo Branco. O hoje deputado federal foi acusado de tê-la agredido. Resultado: Sabino eleito, Vera eleita e até Reizo Castelo Branco eleito. Agora, os primeiros resultados das pesquisas eleitorais parecem indicar o mesmo caminho. Omar Aziz (PMN), conhecido historicamente por não vencer nenhuma eleição majoritária, nem mesmo quando contava com o apoio direito do maior cabo eleitoral do Estado, o governador Eduardo Braga, nem chegou ao segundo turno nas eleições ganhas por Amazonino Mendes. Desde que o seu irmão, Amin Aziz, invadiu o auditório Rio Negro, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e me agrediu com uma truculência sem igual, Aziz, o governador, não pára de subir nas pesquisas e corre o risco de ser eleito para um cargo majoritário pela primeira vez. A condição de nunca ter vencido nenhuma eleição é explorada até no marketing da campanha dele: “desta vez eu voto”. Só faltava eu ter aceito o PPS, ter me filiado e sair candidato. Afinal, se a Vera Lúcia, vítima de agressão, foi eleita, pela lógica da truculência premiada eu também teria grandes chances. Avaliei, pelo menos naquele momento, que o exercício do intelectual é melhor executado com plena independência. Posso mudar de ideia um dia, mas, por enquanto, o limite do meu vôo político é dentro da Ufam e olhe lá! Ainda mais depois de ter sentido na pele que ser professor universitário em Manaus transformou-se em profissão de alta periculosidade.

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domingo, 25 de julho de 2010

O processo da Educação

Há episódios da vida real que nos fazem refletir sobre temas às vezes até filosóficos. O Grande Prêmio de Fórmula 1 da Alemanha, de hoje, é um deles. Lembrei-me de o quanto é importante, no processo da Educação, não apenas falar, mas agir, demonstrar, ser o exemplo. É salutar ver a reação de alguns brasileiros ao absurdo que foi, mais uma vez, a Ferrari tirar o direito de um piloto brasileiro vencer a corrida em nome do “jogo de equipe”. O País só vai se tornar um lugar melhor de se viver quando abandonarmos definitivamente essa filosofia de que “os fins justificam os meios”. Não é aceitável, por exemplo, que um time seja campeão com jogos arranjados assim como não deveria ser admitido o político que se elege com base na troca de favores. Tenho a convicção, por exemplo, que o processo de escolha dos dirigentes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) precisa retomar o caráter educativo que teve para a sociedade manauense. Só assim, forjaremos novas lideranças que possam conduzir os destinos do Estado. Enquanto a prática interna da Ufam refletir as mazelas aéticas do processo externo, teremos eleições cada dia piores.

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