Além da crise política ontem abordada neste espaço, a universidade pública brasileira enfrenta outra de proporções similares: a crise ética. A discussão em torno da Carreira dos Docentes, por exemplo, não passa pelos estudantes e técnicos, interessados indiretos, mas que sofrem impactos diretos dessa negociação com o poder público. Diante de uma realidade quase inevitável, a prestação de serviços ditos de consultoria por grande parte dos professores das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes), o Governo atira na regulamentação deste tipo de prática, no entanto, com o achatamento dos salários. Como a prática existe mas poucos a admitem, mora aí o problema ético: é possível servir a dois senhores? A prática demonstra que não: o correto seria a dedicação exclusiva, porém, com salários dignos. Um professor, no topo da carreira, por exemplo, deveria receber o equivalente ao salário de um magistrado. Todos nos contentamos com migalhas, aceitamos os bicos e ainda somos acusados, justamente, de não sermos éticos. Lutar agora pela equivalência salarial e esquecer os bicos seria um belo grito de liberdade.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Crise política
A crise enfrentada pela universidade pública brasileira não é apenas de modelo gerencial: é uma crise política. Após se transformar em ‘prestadora de serviços’, a universidade parece ter perdido completamente a capacidade de fazer leitura política dos fatos. A presença de um estudante portando arma de foro e um facão dentro da sala de aula da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) foi tida como fato normal por alguns professores, inclusive do Departamento de Geografia, onde o fato ocorreu. Alguns geógrafos entenderam que um policial pode, normalmente, estar armado, ainda que seja em sala de aula. Esquecem que em sala, um policial é um estudante com outro qualquer, portanto, o máximo permitido a ele seria estar fardado. As armas, porém, só deveria portar quando estivesse em serviço. A não ser que o serviço dele, naquele momento, dentro da Ufam, fosse intimidar o professor. Mas sabem por que os geógrafos foram benevolentes? Porque já ofereceram curso de pós-graduação e os estudantes, todos, podiam permanecer fardados. A universidade sempre deve ser uma organização política. Quando se deixa cegar pela “prestadora de serviços” que funciona dentro dela, perde a razão de existir.
domingo, 5 de setembro de 2010
Suspensão necessária
Acertou o diretor do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Nélson Noronha, ao suspender as atividades na última sexta-feira com o objetivo de se fazer uma revisão em todas as instalações das salas-de-aulas em uso pelo instituto. Havia sete aparelhos de ar-condicionado com defeito e os estudantes ameaçavam parar as atividades. Não que o diretor tenha acertado em suspender as aulas para impedir a manifestação dos estudantes. Mas, como foi decretado ponto facultativo amanhã, dia 6, véspera do feriado do dia 7 de setembro, e a Prefeitura do Campus garantiu que trabalhará naquele dia, fica pelo menos a impressão de que todos os problemas serão solucionados até o dia 8, quando as atividades serão retomadas. É o que todos nós esperamos.
sábado, 4 de setembro de 2010
Querem nos intimidar!
Espantoso que pessoas comecem a ser abordadas dentro da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) por utilizarem a camiseta da campanha nacional “Todos contra a pedofilia”. Não sou pedófilo, tenho raiva de quem o é e jamais me sinto afetado quando vejo alguém com a camiseta. Ao contrário, quem a usa, para mim, é um aliado contra esse mal que assola, o estado, o País e o mundo. O mercado da pedofilia é estimado por alguns economistas em 8 bilhões de dólares. Ora, se movimenta tanto dinheiro é porque existem muitos clientes. Portanto, só uma reação muito forte da sociedade para combater esse tipo de exploração que rouba a dignidade e a infância de crianças e adolescentes. Acertaria em cheio o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufam se abraçasse a causa e se unisse aos demais diretórios estudantis do Estado.É arrogante, ditatorial e demonstra incômodo além da conta quem aborda pessoas com a camiseta e tenta intimidá-las. Não tentem fazer isso dentro da Ufam que reagiremos. Usarei a camiseta todos os dias sem um pingo de medo. Serei preso ou agredido por isso? Vamos esperar.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Não venda seu voto!
Hoje é o “dia D de combate à Corrupção Eleitoral”, promovido pela Associação Brasileira dos Magistrados (AMB). Como parte das comemorações deste dia no Amazonas, o juiz eleitoral Paulo Feitoza, participará, às 15h no Auditório do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), da audiência pública “Não vendo meu voto”. É o tipo de evento e de campanha que deveria ter a adesão em massa do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e de todas as demais universidades estabelecidas na cidade. Além de uma campanha que torna as eleições mais justas, esse é o tipo de bandeira que pode unir estudantes bem como os demais segmentos das universidades em prol de uma sociedade mais justa. Quando partidos que ora hoje se encontram na situação estavam do outro lado, participar de eventos como esses era regra. Carente de causas que a mobilize, a comunidade universitária do Amazonas agora tem uma bandeira que pode ajudar a sociedade e tornar mais claro e límpido o jogo da democracia.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Digno de nota
É digno de nota que justamente Vanessa Grazziotin (PC do B) e Eduardo Braga (PMDB) não tenha comparecido ao debate entre os candidatos ao Senado promovido pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ocorrido hoje, no auditório Paulo Burhein. Braga é egresso da Ufam, bem como Grazziottin. O DCE foi o berço político de Vanessa. Não entendo como ela não se predispôs a prestigiar um debate dentro da Ufam. Há que se levar em conta os compromissos agendados por uma candidata ao Senado ou até mesmo o fato de, talvez, não ter sido convidada. Não se pode deixar de registrar, porém, que é curiosa a ausência dela.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Movimento "Não somos idiotas"
Estudantes, técnicos e professores presentes à reunião de ontem, realizada na sala 95 do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) decidiram criar um movimento suprapartidário cujo nome provisório é “Não somos idiotas”. Como a palavra idiota vem do grego “idiótes” que servia para designar quem não participava da vida política, os estudantes entenderam que a expressão “Não somos idiotas” encarna muito bem o nome do movimento que se pretende debater principalmente as questões de liberdade e segurança no Campus da Ufam. Nós do movimento “A Ufam para o futuro”, conjuntamente com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), bem como lideranças independentes estudantis e dos servidores oficialmente criaremos o movimento na próxima reunião, marcada para o dia 8 de setembro, às 9h, em local ainda a ser definido. A boa notícia é que a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua) Seção Sindical do Sindicato dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) já possui chapa provisória. O Movimento decidiu ontem, também, que mobilizará seus membros para que se tenha uma chapa nascida de uma composição forte e coesa. Com isso, sinto-me com o sentimento do dever cumprido: a Adua não poderia morrer.
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