sábado, 12 de março de 2011

O texto científico

A questão da criatividade e o método, abordada ontem neste espaço, mantém relação com o texto científico. Classicamente, exige-se dos cientistas textos herméticos, com linguagem rebuscada. É como se o cientista escrevesse para si e, no máximo, para os seus colegas de grupo de pesquisa. Não é à toa que dissertações e teses mofam nas estantes. As consultas são mínimas, quando existem. O texto científico não pode mais se dar ao luxo de falar para si. É necessário simplificá-lo. Fazê-lo ser entendido pela maioria das pessoas. Ser científico não significa ser impenetrável. Em tempos de popularização da Ciência, o texto científico deve seguir o mesmo caminho, claro, sem abrir mão da precisão a respeito dos dados apurados. Não defendo que o texto científico seja tão genérico quando o texto jornalístico, por exemplo. No entanto, não deve ser tão fechado quando uma bula de medicamento, sob pena de não ser lido. Comunicar, não-apenas por meio das dissertações, é o desafio do cientista moderno.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A criatividade e o método

Um dos maiores desafios da universidade brasileira é promover a convivência, nem sei se deve ser acífica, entre a criatividade e o método. Enquanto a criatividade é uma ação predominante libertadora, sem conceitos e pré-conceitos, o método científico amarra-se aos padrões, às previsibilidades. Pesquisar o previsível se transformou em um exercício do óbvio. Nem mesmo os modelos pedagógicos e administrativos mais modernos são admitidos nas Instituições de Educação Superior (Ifes) do País. É como se o atraso e o velho fossem regra e o novo extremamente assustador. Mas, como pensar em uma universidade que não inova, portanto, não se renova? Como atrair novos criativos sem ousadia? Como enfrentar a caretice generalizada da sociedade dita pós-moderna como práticas e visões de mundo tão anacrônicas? Penso que uma das formais mais saudáveis é virar o método científico pelo avesso. É não hostilizar a Nova Ciência. É encarar Edgard Morin, Fritjof Capra, Maturna e Varela e, até mesmo Bruce Lippton, com a sua “Biologia da crença”, como possibilidades de avanços. Fechar a perspectiva do olhar nos clássicos da ciência é parar no tempo e morrer por inanição. Quem quer isso?

quinta-feira, 10 de março de 2011

Problemas nas Ifes

O Ministério da Educação (MEC) não se manifesta. A proibição de contratação, até para os concursos realizados, circulou por meio do Ministério do Planejamento. De lá para cá, silêncio total. Nas Instituições Federais de Educação Superior (Ifes) nenhuma informação é dada de forma clara. Professores que passaram nos concursos e departamentos e unidades que os promoveram ficam órfãos. Muitos dos futuros contratados constam na programação das disciplinas, porém, efetivamente, não podem entrar em sala-de-aula. Ou o Governo libera, com urgência, a contratação desses professores aprovados em concurso nas Ifes, ou, em breve, todas passarão por um período de caos. Sem as disciplinas previstas para esses professores, os estudantes terão problemas em quase todos os cursos de graduação. Urge que providências sejam tomadas o mais rápido possível para depois a batata não queimar nas frigideiras dos reitores e reitoras.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Educação Superior à distância

Uma das tendências irreversíveis do mercado da educação superior no Brasil é a Educação à Distância, também chamada de EAD. Há dois pontos essenciais nesse crescimento vertiginoso da EAD no Brasil. O primeiro deles foi (e ainda o é) o incentivo que o Ministério da Educação (MEC) deu (e dá) à modalidade. E com razão. Em um País com as dimensões do Brasil é impossível reduzir o déficit educacional sem recorrer à EAD. O segundo ponto é a questão econômica: a modalidade é mais barata e as instituições particulares logo perceberam o filão. A EAD permite, a custos baixíssimos, os treinamentos corporativos e os cursos de especialização. Sem nenhum tipo de preconceito, também pode ser aplicada aos mestrados e doutorados, com ligeiras adaptações. Em havendo dedicação do estudante, não dá para fazer distinção entre um presencial e um cursado à dist6ancia. O que se precisa é de um marco regulatório e de um processo de fiscalização rígidos.

terça-feira, 8 de março de 2011

Vivas

De repente

Apagaram a luz
Vida reduzida
A quase nada.
Você numa cama.
Todos ao redor.
Poucos sinais.
Vitais.
Olhos procuram.
A nós.
A vida.
De um lado
Para o outro.
Quase nada.
Pouco pra nós.
Tudo pra ti.
Luta diária.
Vida mantida.
Quase escondida.
Guerra vencida.
A cada segundo.
Por ti
Por nós
Pelo mundo.

Gritos

Falo

Não falo
Falas.
Gritas.
Liberas.
O temor
Da garganta.
Do corpo.
Horror.
Horrores.
Queimadas.
Em vida.
Vivas.
Em brasas.
Ardiam.
Teu corpo.
Queriam.
Tua alma.
Queimada.
Ideias
Mortas
Ideais
Vivos.
Ecoam.
Em nós.
Filamentos
De voz.
Ferida atroz.
Marcas
Mulher
Mulheres
Teu tempo
Em nós.
Nós.
Sós.
Sol.
Sós.
Sois.
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Mulher

Não és mulher por um dia.

És mulher o dia todo.
Não vences uma guerra.
Vences batalhas.
Derrotas os cânceres.
Os cancros.
Os imbecis.
Os viris.
Vírus.
Virais companheiros.
Que te sugam o sangue.
As mamas.
As lembranças.
Os direitos.
Esses machos.
Machistas.
Marxistas.
Machões.
Anões.
Mínimos seres.
A ti oprimirem.
Faquires.
Safados devires.
A domarem almas.
Chorarem dramas.
Apenas pra te levar pra cama.
Amas.
Não amas.
Finges que ama.
Drama.
Choras.
Rires.
Gozas.
Eles doidos.
Malucos.
Famélicos.
Fálicos.
Sonham.
Imaginam.
Que é pelos vossos falos.
Fálicos.
Famélicos.
Famigerados fodélicos.
Idiotas.
Imbecis.
Eternos viris.
Verão.
A força delas.
Em cada varão.
Varados.
Vazados.
Idiotizados.
Homens do mercado.