quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O pedagógico e o administrativo nas universidades

Incomoda-me, por demais, que as mudanças na estrutura das universidades brasileiras tomem por base questões administrativas, raramente questões financeiras e, mais raras ainda sejam a predominância das questões pedagógicas nas discussões. Só se fará a mudança necessária e a revolução na Educação do País, incluso a Educação Superior, se as discussões priorizarem o caráter pedagógico. Decidido o desenho pedagógico, se deve partir para o modelo administrativo que melhor se adapta às metas pedagógicas que queremos para as instituições. Em não sendo assim, serão criadas unidades de acordo com a força política interna de cada grupo sem se levar em conta o impacto financeiro das criações de novas unidades e, menos ainda, as aproximações pedagógicas por áreas do conhecimento. E quando o conhecimento deixa de ser a mola-mestre das universidades, o que se tem é um emaranhado de cursos que não se aproximam pedagogicamente. Passa-se a ter unidades administrativas, porém, sem nenhuma conexão entre os saberes, o que praticamente impossibilita as trocas. Ruim para as universidades, pior ainda para a sociedade.


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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A aversão ao controle na Administração Pública

Tenho observado que as reações duras e cobranças genéricas em relação às “ações contra a corrupção” não condizem com a prática na Administração Pública. Ao invés de se defender (e praticar) o controle absoluto na aplicação dos recursos públicos, o que existe, na prática, é uma aversão ao controle. Embora haja uma espécie de discurso pronto contra a corrupção, na Pesquisa, e na Ciência, em geral, a prática diz que há um contingente incomensurável de pessoas que não querem controle de nenhuma espécie. Em verdade, desejam receber recursos públicos sem que sejam obrigados nem a prestar contas. Pelo gosto destas pessoas, o dinheiro público seria um poço com fundo infinito ou, talvez, quem sabe, sem fundo de nenhuma espécie. O que a prática indica, no entanto, é que, em se tratando de Administração Pública, para se fazer justiça na aplicação dos recursos, o controle deveria ser ainda maior. Resta se descobrir o porquê de tanta aversão ao controle nas Organizações públicas.


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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

As Universidades e os Institutos Federais

Não é de hoje que noto uma espécie de pasteurização entre os Institutos Federais e as Universidades, desde a criação daqueles. Fica-se com a nítida impressão que os Institutos querem se transformar em universidades, se já não o fizeram, ao mesmo tempo que as Universidades querem cumprir o papel dos Institutos. Pesquisa coordenada por Adriano Baptista Dias, da Fundação Joaquim Nabuco, conclui exatamente o que há muito eu supunha: “Os institutos tendem a imitar as universidades, que estão ali perto e são uma referência natural. Depois, os novos que vão entrando, vêm da universidade e tentam reproduzir aquilo. Mas tem um outro motivo mais sério: a lei que criou os institutos coloca a avaliação deles no mesmo sistema que avalia as universidades. Então você cria um instituto para ter desenvolvimento tecnológico e depois você amarra ele a uma instituição que não faz desenvolvimento tecnológico. Isso tende a desvirtuar os objetivos e finalidades para que o instituto foi criado”, afirma o coordenador. O que a pesquisa não diz é que as Universidades também entraram na seara dos Institutos Federais e passaram a tentar fazer “desenvolvimento tecnológico”. A continuar da forma como está, os dois entes federais entram em um processo de canibalização mútua na busca por recursos. Sem contar que teremos pesquisadores frustrados em ambos os times.


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