terça-feira, 30 de junho de 2015

O Brasil pintado de vermelho e azul

Após a divulgação do resultado do Festival de Parintins tive a certeza de que o Brasil é um País dividido entre o vermelho e o azul. Membros da antiga esquerda (vermelha), torcedores do boi azul (a velha direita) simplificaram o problema da antecipação de qual seria o resultado por meio do áudio divulgado: “Há 12 anos o contrário ganha assim. Agora, temos é de comemorar”. É como se, candidamente, pudéssemos dizer: ora, se desde o descobrimento a direita roubava neste país, agora, chegou a nossa vez de nos vigarmos (roubarmos também?). Não! Não posso admitir que assim o seja. É verdade, porém, que, para alguns, o roubo de um lado significa uma espécie de hebeas corpus preventivo para o outro lado. É uma simplificação sim, mas, não ingênua. Os que comandaram, pelo menos o áudio revela, o azul de hoje eram o vermelho de ontem. Se relativizarmos e aceitarmos como normal o que ocorreu em Parintins só porque durante anos a prática corrente “do contrário” era a compra de jurados, consideraremos que a esquerda, ao chegar ao poder, se esbalde com o dinheiro público, só porque a direita o fez desde o descobrimento. Não é nada pedagógico e faz um mal danado à sociedade aceitarmos os argumentos simplistas que nos foram postos.


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segunda-feira, 29 de junho de 2015

LDBEN não garante estabilidade

A primeira turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) derrubou a decisão de primeira instância da Justiça do Trabalho do Paraná que determinou a nulidade da dispensa e a reintegração de uma professora universitária (universidade particular). O juiz da primeira instância acatou a alegação da professora de que não fora dispensada por ato colegiado. Em relato no TST, o ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, argumenta que a Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ou LDBEN) “não garante ao professor universitário estabilidade no emprego nem exige a dispensa por ato colegiado.” A alegação da professora se baseia, de acordo com o TST, em uma interpretação equivocada do Inciso VIII do Art. 3º da Lei, que preconiza: “O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: [...] VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino”. Entende o TST que, aceitas as alegações da postulante, se estaria implantando um regime de estabilidade no emprego para o professor universitário das entidades particulares, algo que não há, certamente, nem no espírito da LDBEN.


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domingo, 28 de junho de 2015

Vale tudo em nome da causa

Hoje cedo postei o seguinte questionamento no Facebook: "Em nome da causa", vale mentir, ser leviano e manipular fatos?! Quantas saudades das aulas de ética em jornalismo? Não é possível que se aceite a manipulação descarada dos fatos “em nome da causa”. Fica insustentável manter o discurso da transparência quando, nas notícias, não se tem transparência nenhuma. Fica mais impossível ainda quando se tenta manipular fatos em defesa de o que se chama assessoria. Pelo que aprendi com os meus saudosos professores de ética, não apenas em jornalismo, mas, em comunicação, qualquer tipo de manipulação deve ser condenado. Enfim, não vale tudo em nome da causa. Não se pode manipular os fatos. É impossível aceitar que “meias verdades” se transformem em notícia. Se não houver ética nas relações, falar em ética é mero exercício de retórica. Pelo visto, é só o que se faz hoje no Brasil: exercícios de retórica.


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sábado, 27 de junho de 2015

Nosso Paper, nossa métrica

Ainda sobre o que tema que ontem abordei aqui, não sei se pela métrica que adotamos, ou pela nossa tendência a querer comparar o incomparável, mas, somos levados a medir a competência dos nossos colegas pesquisadores e pesquisadores apenas pelo número de Papers ou artigos publicados. Acredito ser uma medida fragilíssima. Basta que analisemos as diferenças existentes entre as distintas áreas do saber. Em umas, vale mais a apresentação de trabalhos em congressos. Em outras, a publicação de artigos. Há ainda, as áreas que valorizam mais os livros. Sem contar as diferenças cada vez mais abissais nos critérios para a aceitação e publicação de trabalhos. Hoje em dia, algumas revistas internacionais só publicam trabalhos se forem pagas para tal. A ciência foi transformada em negócio. E um lucrativo negócio de aceitação e publicação de artigos. Quando apenas o critério econômico determina o número de artigos a serem publicados, esta última variável não me parece a mais justa para se avaliar o colega ao lado.


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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Viver não é só publicar

Nosso modelo de cobrança excessiva de publicações leva a um ritmo desumano imposto aos doutores das universidades brasileiras. Dia desses publiquei: ”Vitória e derrota não existem. Existe VIDA”. Nós, os doutores e doutoras, pesquisadores e pesquisadoras, talvez, tenhamos de repensar a forma como olhar a vida. A nossa e a das outras pessoas. É impossível olhar para alguém e só conseguir enxergar Qualis A e B em tudo o que fazemos. Bem, talvez não seja impossível, pois, é o que estamos a fazer há tempos. A vida de qualquer ser humano não pode se resumir apenas ao número de artigos que publica. A Ciência deve contribuir para mudar (para melhor) a vida das pessoas. Mas, não pode mudar (para pior) a vida dos pesquisadores. Há que se refletir sobre o modelo que queremos para nós e para a sociedade. Sob pena que sermos obrigados a esquecer a família e os amigos em prol de publicações em série. Particularmente, não meço minha reputação científica pelo número de artigos que publica, mas, pelo grau de inquietações que podem provocar.


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quinta-feira, 25 de junho de 2015

A guerra eletrônica da informação

As Mídias Digitais ganharam importância ímpar no processo de Comunicação. A Organização que não der importâncias às redes sociais, por exemplo, corre risco de, inclusive, o trabalho tradicional de mídia se tornar um fracasso. Principalmente em função do tema que abordamos ontem, aqui neste espaço: a guerra eletrônica da informação e da contrainformação. De todos os lugares pipocam denúncias de cortes, de fins de programas governamentais ou de números engordados pelo desejo de provocar um clima de instabilidade. Ao que tudo indica, com um único fim: desgastar, sem dó, o Governo Federal. Certamente porque, logo após assumir o segundo mandato, a presidente Dilma Roussef (PT) declarou que o Brasil, a partir de então, seria “a pátria educadora”. Com o corte na Educação provocado pelo ajuste fiscal, a pátria talvez não seja, assim, tão educadora. Os cortes se tornam o combustível para esta guerra eletrônica.


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PIBID não será descontinuado

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), divulgou Nota Oficial desmentindo os boatos que circulam pela Internet de que o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) seria descontinuado. A CAPES esclareceu que todas as bolsas que já estiverem implementadas não serão suspensas e que há negociações permanentes com o Ministério da Educação (MEC) a fim de que todos os Programas gerenciado pela Agência não sejam descontinuados. Não se sabe de onde sugerem boatos deste tipo, mas, é certo que, de repente, iniciou-se uma guerra de informações falsas ou meias verdades contra os programas do Governo Federal. Que o momento é de ajustes drásticos torna- se impossível negar. Há que se desconfiar, porém, das tintas que aparecem nos anúncios de medidas, principalmente quando elas veem de fontes nada confiáveis, que, historicamente, se utilizam da manipulação de informações como uma espécie de “tática de guerrilha”. Para muitos pode ser aceitável. Ao meu ver, porém, manipular informações é condenável sejam que for e qualquer que seja o fim. Nem jornalismo nem assessoria de comunicação devem ser feitas com base na manipulação de informações.

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OBS: Post do dia 24/06/2015