quinta-feira, 14 de março de 2013

Espaços de convivência necessários à Educação


Tenho ouvido absurdos durante a campanha para a Reitoria da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Um dos que mais me incomodaram foi a defesa de que a área de convivência seja transformada em "sala de aula". Resumir o processo de Educação à sala de aula é uma visão tão estreita a respeito do papel da universidade na vida das pessoas que só pode ser visto como brincadeira. Uma universidade não se faz apenas com salas de aulas, professores, técnicos e estudantes. O processo de Educação vai além das paredes e dos prédios. No caso da Ufam, é bem verdade que o espaço proposto mais parece o Shopping Center e, talvez, por isso, recebe a ira de quem se posiciona contra. Eu, inclusive, não aprovo, até hoje, a construção nos moldes que foi projetada. No entanto, abomino o pensamento reducionista de que se tem que transformar o espaço em novas salas de aulas. O espaço físico, por si, não modifica a qualidade da Educação. Pensar uma universidade centrada na questão meramente do espaço para as aulas é reduzir ao extremo o papel de educador dos professores e professoras. Posicionar-se politicamente contra o processo de derrubada das árvores e o descuido que houve em relação aos animais é louvável. Não se pode, porém, desconhecer a necessidade que professores, técnicos e estudantes têm de uma área de lazer e convivência. A sala de aula não se completa por si. A vida da universidade é muito mais complexa do que as paredes da sala de aula.

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quarta-feira, 13 de março de 2013

A democracia universitária existe?


Ontem, aqui mesmo neste espaço, usei o termo "democracia universitária" na postagem "O direito à escolha na Democracia" como se houvesse uma Democracia para a vida e outra para a universidade. De ontem para hoje passei a refletir sobre o assunto e a me perguntar: mas, será que existe uma Democracia para consumo interno e outra para consumo externo dentro da universidade? Talvez não exista! Nos corredores, ao se falar desta tal "democracia universitária", o que se quer mesmo é reforçar a velha e atrasada visão do que denominei, há tempos de "assepsia política". É como se na universidade não se devesse praticar a política em toda a sua essência. O que não se deve, e esse foi o sentido que dei ao termo "democracia universitária", é trazer para a universidade as práticas condenáveis e nocivas da política praticada fora dela. Hoje, por exemplo, presenciei uma cena hilária se não fosse trágica. Um técnico, cujo nome reservo-me o direito de não revelar, conversava com o vice-reitor licenciado, professor Hedinaldo Narciso Lima, sobre o fato de estar com o material de outro candidato. O dito senhor se explicava tanto que dava dó. Era como se pedisse licença ao vice-reitor para fazer campanha para outro, algo completamente desnecessário. Polidamente, Hedinaldo Narciso explicou que não havia nenhuma obrigação de ele (o servidor) votar na chapa no qual ele é candidato a vice. O servidor ressaltou que aquela era uma disputa de respeito, apenas em torno de ideias. Não demorou, no hall do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), encontro o mesmo servidor, a praticar toda a disputa "de respeito e em torno de ideias" que ele tanto aclamara em frente ao vice-reitor licenciado. Dizia ele:"A Márcia é perseguidora e não ajuda a ninguém". O que mais fez com que pessoas como eu e o diretor do ICHL, professor Nelson Mattos de Noronha, tenham se posicionado em favor da candidatura de Márcia Perales e Hedinaldo Narciso foi o fato de terem feito uma administração republicana, sem nenhum tipo de perseguição aos adversários ou até aos desafetos. Não encontrei nenhum tipo de sustentação para o argumento "...e não ajuda ninguém". Será que o assistencialismo personalizado é algum tipo de marca desta "democracia universitária". Ou essa dita democracia é aquela que você jura "jogar limpo" em um lugar e, ao virar as costas, passa a jogar sujo imediatamente? Talvez precisemos repensar esse conceitos e unificá-los em torno de práticas efetivas de respeito ao outro e às suas decisões. Parece mais razoável que proclamar uma "limpeza" pouco usada na prática diária.

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terça-feira, 12 de março de 2013

O direito à escolha na Democracia


Creio que, na Democracia, inclusive não tão propagada e libertária "democracia universitária", o direto à escolha é pétreo. E, ainda que a escolha do outro não seja igual a nossa, tem de ser respeitada. Não deve haver nenhum tipo de policiamento quanto às escolhas de A, B ou C. Há anos, havia um patrulhamento ideológico dos mais ferozes. Hoje em dia, porém, em um momento de escolha dos dirigentes da instituição, como o vivido pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), aceitar patrulhamento em função das escolhas é de uma covardia sem tamanho. Ignoro qualquer tipo de manifestação que tente avaliar minha escolha nestas eleições. Fiz uma escolha e respeito a escolha dos outros. Defenderei as propostas construídas pelo grupo do qual participo hoje. Não creio que seja nosso papel desmerecer as propostas das outras chapas. Somos uma universidade, em essência, plural. A melhor hora de demonstrar, na prática, o exercício desta pluralidade é agora. Que tenhamos o equilíbrio e a sensatez de não nos tornarmos inimigos em função do voto para a Reitoria da Instituição. Abomino veementemente as manobras escusas para aplicar a este ou aquele candidato (ou candidata) determinado tipo de "carimbo". Ainda mais quando a prática parte de quem não tem coragem de enfrentar o debate de cara limpa. Não dou o direito a nenhum covarde de julgar quaisquer das decisões tomadas por mim. E tem de ser assim para todas as pessoas que fazem parte da comunidade da Ufam. Corro o risco até de ser agredido novamente, como o fui em 2009, em pleno Auditório Rio Negro, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), mas, não abro mão do meu direito à autonomia e a escolher o caminho que quero ou não seguir. E que cada um faça o mesmo e respeite o que o outro fizer. De cara limpa, porém. Pois, o anonimato é um câncer que corrói a Democracia.

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segunda-feira, 11 de março de 2013

O esvaziamento dos debates para a Reitoria da Ufam


Preocupa-me muito a pouca participação dos estudantes nos debates para a sucessão à Reitoria da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Tanto o ocorrido no Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) quanto nos polos de Itacoatiara, Parintins e Coari. Somente o último, ocorrido em Coari, começou com um número muito maior de estudantes, inclusive, com gente ao lado de fora de Auditório. No entanto, ao final do debate, parte do auditório já se encontrava esvaziado. Não sei se o formato dos debates afasta as pessoas ou se os estudantes não se empolgam com as propostas, mas, o certo é que a desmobilização assusta-me. Penso que o fato de o bloco de perguntas da plateia não poder ser diretamente aos candidatos termina por afastar que comparece no início. Ao descobrir que não podem perguntar diretamente aos candidatos, os estudantes terminam por perderem o interesse e vão embora. É preciso, porém, resgatar o motivos pelos quais as comissões eleitorais anteriores mudaram as regras do debate e esta regra já permanece por duas consultas. Antes, as torcidas organizadas compareciam no início do debate, pegavam todos os blocos de perguntas e só um candidato respondia às 12 perguntas, uma vez que são quatro blocos de três perguntas cada. No final das contas, havia, ainda que indiretamente, manipulação das perguntas, o que tornava o debate injusto. De todas as fórmulas, a atual, com perguntas gerais, respondidas por todos os candidatos, é a que se nos apresenta mais democrática e com menos possibilidade de manipulação.

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domingo, 10 de março de 2013

O bem e o mal na universidade brasileira


Não sei se a universidade brasileira deveria ser divididas entre pessoas do bem e pessoas do mal. Talvez, o mais sensato seja dividirmos as pessoas que nos cercam, inclusive, os nossos colegas de trabalho técnicos e professores, entre pessoas que concordam com o que pensamos e pessoas que discordam  da forma como pensamos. Mais sensato, ainda, seria não transformarmos essas escolhas em um cabo de guerra que nos transforme em inimigos mortais. Todo ser humano move-se por ideias ou por dinheiro. O problema é que ninguém consegue detectar que age de uma ou de outra forma. O velho e odiado senador pela Bahia, Antônio Carlos Magalhães, quando era um dos homens mais poderosos do Brasil, dizia: "não dê informação a um jornalista que quer dinheiro nem dinheiro a um jornalista que quer informação". A máxima talvez possa ser adaptada para quaisquer tipos de eleições, inclusive, para a escolha dos reitores das universidades brasileiras, momento vivido agora pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Enquanto uns votam conscientemente e decidem seus apoios baseados em análises de propostas e formas de trabalhar, outros o fazem em função dos cargos prometidos para logo após as eleições. Uns são mais admiráveis pelo caráter por alguns, outros, se não fizerem o jogo pragmática da troca de apoio por cargos, são considerados pouco inteligentes. Ao fim de tudo, a vida segue e teremos de conviver com todo o tipo de pessoas. Prefiro, portanto, acreditar, como propaga Edgar Morin, que somos razão e emoção ao mesmo tempo. Por analogia, o bem e o mal está em nós na mesma proporção. Que tenhamos responsabilidade com a Ufam na hora da escolha e que respeitemos as escolhas dos outros!

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sábado, 9 de março de 2013

Decisões colegiadas e os fluxos administrativos


As universidades brasileiras em geral, e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em particular, padecem de um problema grave: os fluxos administrativos terminam por serem "cadenciados" (ou quase lerdos) em função da necessidade de as decisões serem colegiadas. Parece haver uma espécie de descompasso entre o que se poderia chamar de "tempo administrativo" e "tempo democrático". Mais grave que esse descompasso, porém, é a universidade brasileira insistir na estrutura colegiada sem, porém, dar a contrapartida da participação nos três segmentos. Acontece que raros sãos os colegiados nos quais as representações comparecem efetivamente. Nos atuais conselhos terminam por predominar as ideias de quem os dirige ou, quando é de interesse de algum grupo organizado, tende-se para uma oposição descabida. E quando esse tipo de oposição é bem organizada, os fluxos administrativos tornam-se ainda mais lentos. Há que se pensar em um modelo administrativo que não destrua as conquistas democráticas, porém, que tenha agilidade administrativa necessária para vencer os desafios de uma organização moderna. Em assim não sendo, quando chega a época das consultas para a Reitoria, como agora ocorre na Ufam, grande parte das reclamações gira em torno da lentidão da máquina administrativa. Não é para menos. Instituições que possuem todas as decisões colegiadas, do menor ao maior escalão da administração, jamais serão ágeis o suficiente para acompanha a velocidade do mundo moderno. Essa dissonância talvez seja corrigida com a adoção de um modelo misto de tomada de decisões. Como está, porém, as reclamações sobre lentidão serão sempre maiores que as soluções.

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sexta-feira, 8 de março de 2013

Livro marca estudos sobre Ecossistemas Comunicacionais


O lançamento do livro 'Estudos e perspectivas dos ecossistemas na comunicação', organizado pelos professores Gilson Vieira Monteiro, Mirna Feitoza Pereira e Maria Emília Pereira de O. Abudd, lançado ontem e editado pela Editora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) tem uma importância pessoal incomensurável e marca uma conquista coletiva do Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação (PPGCCOM) da Ufam. Do ponto de vista pessoal por materializar um sonho individual desde que voltei do doutorado em Ciências da Comunicação, concluído em 2003 na Universidade de São Paulo (Usp): o de conseguir implantar um Programa de Pós-graduação em Comunicação no Amazonas, especificamente na Ufam. De visionário a louco, tudo a mim atribuíram um pouco. Não desisti. E eis o primeiro livro com a produção das pesquisas do PPGCCOM da Ufam. Uma conquista individual sim, mas, graças ao trabalho coletivo de todos os professores que fazem e fizeram parte do corpo docente do PPGCCOM, especialmente as colegas Mirna Feitoza Pereira e Maria Emília Pereira de O. Abudd, organizadores do livro. Sem trabalho em grupo nenhum Programa de Pós-graduação consolida-se. E essa é a maior vitória simbólica de se lançar o primeiro livro do PPGCCOM da Ufam: representar o esforço coletivo de se vencer os obstáculos. Compromissos me impediram de participar do lançamento. Não me impedem, porém, de reconhecer o trabalho árdua de estudantes e professores que fizeram o PPGCCOM nos últimos anos. Que o livro passe a marcar uma página de vitórias coletivas acumuladas até chegarmos à meta do Doutorado em Comunicação na Ufam. Pode ser sonho? Coisa de visionário? Com o apoio de cada um de nós o Doutorado também deixa de ser mero sonho, em breve.

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