sábado, 7 de setembro de 2013

Teorias avançadas não vencem visões atrasadas

Em se tratando de Educação, é pouco provável que teorias avançadas sejam capazes de vencer as visões atrasadas. Quem de nós, professores e professoras, tem coragem de, na prática, testar o pleno exercício da cidadania acadêmica? Teorizamos tanto a respeito de autonomia e cidadania e pouco fazemos para desenvolver uma espécie de ética das relações na sala de aula que efetivamente sejam postas em prática. Quem, por exemplo, é capaz de transformar um instrumento frio, meramente de controle, como os Boletins de Notas em Frequências, em uma prática estimulante de exercício da cidadania e da ética acadêmica? Como? Muito simples, basta que se desenvolva nos estudantes valores de respeito ao outro e ao grupo a ponto de eles mesmos serem os responsáveis pelo controle das frequências. Penso, até, que os próprios estudantes poderiam coordenador o processo de avaliação conjuntamente com os professores. Só assim, efetivamente, se pode mudar a sociedade que aí está. Com estudantes, éticos, responsáveis e honestos. Enquanto perdurar a ideia de que os estudantes são desonestos até que se prove o contrário, que não conseguem praticar a autoavaliação e que jamais realizaram um controle de frequência com honestidade, formaremos cidadãos incapazes de erguer a formação moral fincada em bases sólidas. Penso que ousar em experiências inovadoras seria possível. Nas próximas disciplinas que ministrar testarei o que aqui propus entre os estudantes de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).


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Escrita: um grave problema na Educação Superior

O professor Othon Moacir Garcia, no clássico livro "Comunicação em Prosa Moderna", cunhou uma frase que se nos apresenta lapidar:"escrever bem é, antes de tudo, aprender a pensar". Antes disso, porém, é preciso esclarecer o que é um "bom texto". Sem muito rigor acadêmico, talvez se possa dizer que um bom texto é um encadeamento de frases e parágrafos que tenha começo, meio e fim com o objetivo de recriar uma ideia de forma clara, concisa e coerente. Bem, não é tão simples assim, pode ser, também, defender uma tese, argumentar, recriar um ambiente. Não se pode esquecer, porém, que o ato de escrever não é uma espécie de "tempestade de ideias" cujo centro do problema está em quem escreve. Escrever bem é um ato que se completa no outro, no leitor. É um exercício permanente de convencimento e, mais que tudo, conquista do outro para que entenda o que se escreve. Na Educação Superior brasileira, porém, o texto é visto como um complexo exercício de hermetismo com o fim de que o outro não entenda nada do que se escreveu. A simplicidade dá lugar ao rebuscamento e se tem como produto uma escrita pesada, às vezes obscura, e sem nexo. A escrita, portanto, é um entrave que, no fim de tudo, interfere diretamente na produção dos estudantes, principalmente, da pós-graduação. Em nome da justa luta contra o preconceito linguístico, se entrou numa fase do "tudo pode". A Língua-padrão, gramaticalmente correta, deu lugar à justaposição de frases desconexas. Incluir uma prova escrita em qualquer tipo de seleção, inclusive dos mestrados e doutorados, é diminuir quase ao zero as chances de aprovação dos candidatos. Eliminá-las, porém, é entregar à sociedade mestres e doutores com capacidade reduzidíssima de manifestar coerentemente o pensamento no formado escrito. Há que se fazer algo para se evitar um caos generalizado!

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OBS: Post do dia 06/09/2013

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ufam recebe o Prêmio Luiz Beltrão 2013

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) recebe hoje, partir das 18h, no Hall do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), o Prêmio Luiz Beltrão 2013, como parte do XXXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado nas dependências da Ufam desde o dia 4 de setembro de 2013. O evento vai até o dia 8 de setembro de 2013 e é uma promoção da Sociedade Brasileira para Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). A Ufam foi vencedora da categoria Instituição Paradigmática num disputa contra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o Obitel – ECA-USP, a Rádio UFSCar, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie. O prêmio Luiz Beltrão de Ciências de Comunicação foi criado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) "como forma de reconhecimento para pesquisadores e grupos de pesquisa que estejam se destacando no meio acadêmico. O troféu é concedido a quem produz trabalhos relevantes na área das ciências da comunicação e contribui para consolidar o prestígio das comunidades acadêmica e profissional brasileiras. A cerimônia de entrega das estatuetas ocorre anualmente durante o Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação."


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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Biblioteca como castigo na Escola

Em uma das suas postagens no Facebook, meu irmão, Gilberto Vieira Monteiro, comenta o fato de uma escola de Ensino Fundamental, da nossa, Sena Madureira, distante 144 de Rio Branco, a capital do Acre, mandar todos os estudantes para a biblioteca e o impedirem de assistir aula se chegam atrasados na escola. Passei o dia pensando sobre este suposto "castigo" e resolvi escrever sobre o assunto pela simbologia que a biblioteca parece carregar entre professores e administradores escolares: um local de castigo, de tortura. Oras, como se pode reclamar que os estudantes não leem se o templo da leitura é visto como locus de castigo e punição? Aproveite, também, para fazer um exercício de raciocínio de possibilidades a partir do fato. Se a aula fosse uma daquelas "peças" sacais, elaboradas por professores (ou professoras) extremamente tradicionais e o estudante (ou a estudante) gostasse de ler, passar todo o tempo da aula na Biblioteca jamais seria um castigo. Ao contrário, se a aula fosse maravilhosa e a Biblioteca tivesse um acervo ruim e fosse mal equipada, certamente, o castigo seria duro. Grave de tudo isso, é o direito Constitucional de ir e vir ser afrontado de forma tão dura. Quem investe na punição pela punição, pouco educa.


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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pela moralização do Parfor Brasil afora

Para preservar a autonomia das universidades públicas brasileiras, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), nos critérios para se fazer parte do quadro do corpo docente do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor) deixou espaço para que regras internas fossem criadas quando diz que preferencialmente os professores devem pertencer ao corpo docente da IES. O objetivo do Parfor é "induzir e fomentar a oferta de educação superior, gratuita e de qualidade, para professores em exercício na rede pública de educação básica, para que estes profissionais possam obter a formação exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB e contribuam para a melhoria da qualidade da educação básica no País." Acontece que os objetivos nobres do Programa foram deixados de lado em algumas IES e o que se recebe, à boca pequena, são denúncias de nepotismo e atitudes que ferem frontalmente o princípio da transparência na Administração Pública. E mais: indicam que ao discurso da Autonomia Universitária, muita das vezes, serve para encobrir interesses pessoais. Há universidades, por exemplo, nas quais a escolha de professores para o Parfor é feita de acordo com as conveniências de quem coordena o programa, nem nenhum critério de seleção. Se as universidades não o fazem, é urgente que a Capes tome uma atitude política para moralizar o Parfor antes que o Programa entre para aqueles que ficam na vala comum do descrédito total.


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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Mais médicos e menos papo

A discussão em torno do programa "Mais médicos", do Ministério da Saúde, ate agora, principalmente por parte da maioria dos médicos brasileiros, tem sido mais baseada em paixões que em fatos ou dados científicos. Ainda não me convenceram, por exemplo, os argumentos dos médicos para rechaçar pura e simplesmente os médicos cubanos. Qual a razão razoável para tanto? A formação de médicos em Cuba é pior que a formação no Brasil? O objetivo do Programa do Ministério da Saúde de melhorar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) é dos mais louváveis e irrepreensível. Fazê-los pagando salários milionários aos médicos brasileiros seria impossível. Há duas perguntas que precisam geram reflexões profundas para serem respondidas quando o tema for posto em discussão. Uma é: o médico brasileiro recém-formado topa ir trabalhar nos municípios com "maior vulnerabilidade social"? A outra:"a quem interessa o enfraquecimento do SUS? Paixões à parte, o que a população mais vulnerável socialmente quer é ser atendida dignamente e não ficar a ouvir esse "papo-cabeça" em torno da questão.


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domingo, 1 de setembro de 2013

A máfia das orientações monográficas personalizadas

Há, na Educação Superior do Brasil, uma espécie de máfia dos trabalhos acadêmicos que, ao meu ver, tem poder tão criminoso quanto a falsificação de diplomas. Ao que me parece, trata-se de uma falsificação antecipada. A situação é preocupante quando professores universitários passam a atuar no "mercado negro" das monografias, pela Internet, com o que chamam de "orientações monográficas personalizadas". E-mails circulam oferecendo esse tipo de orientação para "Monografias, Artigos, Planos de Negócios, Relatórios Técnicos". Só me faltava o e-mail terminar a apresentação com uma das frases mais batidas do repertório, principalmente, das peças da propaganda de rádio: "...tudo isso e muito mais". E promete mesmo "muito mais":"definição do tema; envio de materiais; leituras; formatação; regras da ABNT; adequação ao Manual da Instituição; resenhas; revisão de literatura; referencial teórico direcionado ao tema; orientação para publicações; etc". Não me causará nenhum espanto se os anúncios evoluírem para algo assim:"Temos monografias a pronta entrega. Basta nos enviar o tema, o endereço e o cheque que você receberá o trabalho prontinho em sua residência. Não esqueça de mandar o nome da Instituição na qual defenderemos (ops, você defenderá) a monografia para que não haja nenhum tipo de erro pois não aceitamos reclamações posteriores nem devolvemos o dinheiro".


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