sábado, 31 de agosto de 2013

Entradas rígidas, saídas flácidas: a esquizofrenia da medição

A Educação superior brasileira convive com um problema que considero gravíssimo e que afeta todo o sistema: o controle das entradas, principalmente nas universidades federais, é extremamente rígido, e, as saídas, no mais das vezes, gelatinosamente flácidas. Por princípio, considero que nem deveria haver processo seletivo nenhum nas "entradas" se as saídas fossem rigidamente controladas, não apenas na Educação superior, mas, em todos os níveis. Acontece que até as políticas públicas são baseadas nos números de egressos, ou seja, baseadas nas "saídas". Como não se aplicam a avaliação em nenhum dos níveis, o que se tem é um mero processo de medição cujo discurso é o da meritocracia. Mede-se muito, raramente se avalia. Ao longo da vida, o estudante é obrigado a se submeter a um sem número de testes e provas que, no ano seguinte, não valem nada. O acumulo de medições feitos nos dois níveis, Básico e Médio, é totalmente jogado fora na hora do antigo vestibular, hoje Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Vive-se uma espécie de esquizofrenia da medição. Ou se muda essa estrutura carcomida e se avança para um efetivo processo de avaliação ou teremos o brejo como destino.


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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Santos descobertos na saída do Campus

Ontem precisei sair mais tarde do Campus Universitário Arthur Virgílio Filho, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Isso por volta das 22h. Tive a nítida sensação de que o santo da entrada foi perfeitamente coberto, mas, o santo da saída ficou inteiramente nu. A vazão de carros nos horários de pico, como os da saída de estudantes e professores, é muito superior à capacidade de fluidez da nova saída da Ufam, sem o retorno à direita, formam-se engarrafamentos-monstro, como o que enfrentei ontem. Talvez o temporizador do semáforo que fica em frente ao Campus tivesse de ser reprogramado para, a partir das 21h30, segurar mais o fluxo de veículos, que é mínimo, de quem vem do Japiim no sentido Coroado, à Avenida Rodrigo Octávio, solucionasse o problema. Cabe à Prefeitura Municipal de Manaus (PMM), conjuntamente como a Prefeitura do Campus da Ufam (PCU) estudarem uma forma de melhorar o processo de saída nos horários de pico para evitar tais engarrafamentos.


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O peso da etimologia do servir bem

Se você entrar em um desses mecanismos de busca da Internet com a palavra "servidor", o primeiro link que aparece é o do Portal Oficial Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (www.servidor.gov.br). Na informática, a palavra carrega o significado de ser o local no qual se armazenam todas as informações e dados necessários ao pleno funcionamento de um sistema. A internet, por exemplo, nada mais é do que uma rede de servidores que se interconectam e se alimentam mutuamente para "bem servir" a cada um de nós quando estamos on lines. Em todos os sentidos, principalmente no que diz respeito às relações trabalhistas e à prestação de serviços, ser servidor vai muito além visão preconceituosa do "ser servil". Talvez servir bem seja mesmo sempre "ser servil", mas, não no sentido vil do servilismo aos superiores, aos chefes, aos gerentes. É ser educado, gentil, servir com urbanidade aos que nos procuram; É, acima de tudo, prestar informações qualificadas que tirem todas as dúvidas de quem nos procura. O servilismo presente na etimologia do bem servir ao público não se confunde com o aulicismo característico dos lambe-botas, esses sim, que jamais podem ser considerados servidores. Muito menos públicos. São, em essência, puxa-sacos por opção.

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OBS: Post do dia 29/08/2013

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A estrutura da Educação Superior Brasileira

Parece haver uma eterna e sempre mal-resolvida confusão sobre a estrutura da Educação Superior brasileira. Genericamente só se fala em Graduação e Pós-graduação, inclusive, com um problema de gênero que, ao que se sabe, nem causa mais estranhamento. Rigorosamente, não se pode falar em "a" graduação e "a" pós-graduação. Como graduação é um curso e pós-graduação um programa e, em Língua Portuguesa, o gênero da sigla deve ser de acordo com a primeira palavra, graduação e pós deveriam ser sempre no masculino. Afora esse problema de gênero, há outras denominações que, no mais das vezes, as pessoas não conhecem. Na estrutura atual da Educação superior brasileira, os cursos são de Bacharelados, Licenciaturas, Habilitações, e Cursos profissionais de curta, média e longa durações. À revelia, faculdades, centros acadêmicos e universidades acresceram às denominações das habilitações existentes um penduricalho "com ênfase em". Isso virou um "deus-nos-acuda" a ponto de ser quase impossível a um ser humano lembrar quantas são as habilitações existentes no País. Pula-se para o guarda-chuvas "pós-graduação", ou sejam, todos os cursos feitos após se obter o diploma de graduação, e se chega aos Pós de "Lato Senso" e "Stricto Senso". No Lato temos aperfeiçoamentos, especializações, e residenciais médicas. No âmbito das especializações ainda se tem o Master Business Administration (MBA) que, rigorosamente, só deveria ser aplicado aos cursos de especialização em Administração. No Brasil, porém, se faz MBA de tudo. Avança-se para o nível Stricto Senso e temos os mestrados, que podem ser acadêmicos ou profissionalizantes e os doutorados. O que fugi disso é invenção da nossa prodigiosa mente humana.


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As atividades diferenciadas não podem ser negadas

Não se pode negar que os pilares da Administração, desde o tempo que esta, digamos, área das Ciências Sociais Aplicadas surgiu, são planejamento, organização (estrutura), direção e controle. Às dimensões se deve acrescentar uma frase essencial para o entendimento de o quê trata a Administração:"das atividades diferenciadas pela divisão do trabalho". O princípio constitucional de que todos somos iguais perante a lei, nem de longe, deve ser trazido para a discussão em se tratando de administrar uma organização, pois o processo é baseado exatamente nas "atividades diferenciadas pela divisão do trabalho." É preciso, portanto, não confundir democracia com demagogia: na hora de votar, por exemplo, todos somos iguais e assim devemos sê-los sempre. Na hora de exercer nossas atividades, temos diferenças abissais. Não fosse assim, em uma universidade, por exemplo, à falta de professores, Técnicos Administrativos em Educação (TAEs) e até estudantes estariam habilitados, normalmente, a ministrar aulas. Há professores e professoras que trabalham mais que os outros? Não duvidemos! Entre os TAEs existe o mesmo problema? Também! Assim como entre os estudantes, uns se dedicam mais que os outros. Educar é um processo que pela sua própria complexidade, até os mais iguais são diferentes. O maior desafio, portanto, em uma Organização de Educação, é respeitar as diferenças. E não eliminá-las. Pensemos nisso juntos!

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OBS: Post do dia 27/08/2013

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Administração é mais cultura que controle

A propor a analogia com os Deuses gregos para indicar caminhos para a Administração, no livro "Deuses da Administração", Charles Handy, deixa de lado os quatro elementos considerados básicos: planejamento, organização, direção e controle para apontar um elemento fundamental na definição de Administração:"administração não é uma ciência exata, mas antes um processo criativo e político que deve muito à cultura e à tradição prevalecentes naquele lugar e naquele momento". Trazer para a Administração este olhar de "processo" é essencial quebrar essa visão quase fundamentalista de que administração é pura e simplesmente controle. Administrar é, antes de tudo, construir coletivamente projetos e metas baseados na cultura da organização. Mais do que inovações que, às vezes, se tornam moda, como a "Administração por projetos", defendo que se deve ter a perspectiva do olhar da "Administração por contratos". E esses contratos devem ser renovados permanentemente porque se tratam de contratos sociais. Porque defendo que devem ser permanentemente renegociados? Porque, como defende Handy, todos esses contratos sociais devem ser sempre baseados na "cultura e na tradição prevalecentes naquele lugar e naquele momento". Ao reconhecer a complexidade existente no ato de administrar, quem o faz tem mais chances de acertar do que de errar. Ou, pelo menos, de reconhecer os demais seres envolvidos no processo.


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domingo, 25 de agosto de 2013

A vaidade pode destruir uma organização

Um dos maiores incêndios que se deve apagar ao se assumir a gestão de qualquer organização é a "fogueira das vaidades". Em quaisquer dos segmentos, a vaidade pode destruir completamente o tecido que sustenta qualquer empresa, de qualquer setor: as relações. E quanto mais tensa são as relações, mais a organização tende a fenecer. E, se, aparentemente, os prédios e muros não parecer vergar, por dentro, a organização fica esfacelada. É mister que sejam encontrados caminhos para que as divergências transformem-se em combustível para o crescimento da organização. Em assim não sendo, mais que a produtividade, a motivação termina por ser afetada. Aceitar as diferenças como fator intrínseco ao ser humano talvez seja o caminho mais seguro para se amainar o oxigênio da discórdia quando esse se torna mais importante que as metas da própria organização. Enquanto se apaga o fogo das vaidades é essencial que a chama da humildade seja acesa. A sociedade ganha com o crescimento sadio das organizações, quer públicas, quer privadas.


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