terça-feira, 7 de agosto de 2012

O jogo do Governo para atingir o Andes-SN


Mais que assinar um acordo forjado conjuntamente com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação) o Governo Federal tenta, de todas as formas, atingir e desmoralizar o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN). Esse parece ser o pano de fundo que se esconde por trás do jogo político do Governo desde o início da greve dos professores deflagrada no dia 17 de maio de 2012. Cada passo é orquestrado entre Proifes e Governo, inclusive as entrevistas às emissoras de televisão, não com o fim de negociar ou encontrar uma solução para a greve. Tudo é feito com um único foco: desacreditar o Andes-SN junto aos próprios professores das universidades e institutos federais e à sociedade. Isso tem de ficar muito claro entre todos nós, professores e professoras, na hora de discutir o reestabelecimento das negociações ou o fim da greve. Acima da negociação da carreira de professor federal proposta pelo Andes-SN está o jogo político entre quem irá ou não representar as bases dos professores e professoras daqui para a frente. Proifes e Governo apostaram que, com o alongamento da greve, o Andes-SN sairia tão chamuscado que seria obrigado a sair da greve e a engolir o arremedo de acordo empurrado por eles. O tiro saiu pela culatra. A greve ficou mais forte e os professores arrancaram a máscara da Proifes. O retorno do Governo à mesa de negociações é inevitável. Caso não ocorra, cairá sobre ele (e sua sócia Proifes) a pecha da intransigência. Manter a mobilização é fundamental para vencer esse jogo de nervos imposto a nós pelo Governo.

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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O exemplo dos estudantes chilenos para os brasileiros


Os estudantes o Chile estão nas ruas, praticamente em uma guerra aberta contra o estado chileno, em defesa de a educação ser gratuita em todos os níveis. O fato deve servir de alerta aos estudantes brasileiros. A defesa da universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada não passa por aceitar o arremedo de acordo forjado entre o Governo Federal e a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação). Ao contrário, o que foi proposto é mais uma forma de privatizar por dentro a universidade brasileira. Antes de ferir a autonomia universitária, o acordo forjado fere a autonomia sindical e o conceito de representatividade. Ao por os professores em greve na parede e tentar impor um acordo na marra, o governo dá mostras de que não se curva às bases e aos processos democráticos de escolha das lideranças sindicais. Da mesma forma, quer, na marra, por as universidades públicas e os instituto federais nas cordas e obrigá-los a aceitar uma carreira que fere todos os preceitos democráticos construídos ao longo do tempo pela luta dos professores. O exemplo dos estudantes do Chile, numa hora dessas, é fundamental para fortalecer a luta dos professores, dos técnicos e dos estudantes. Fortalecer a greve é essencial para conseguirmos a vitória contra a tirania desse sindicalismo de Estado.

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domingo, 5 de agosto de 2012

Governo incentiva graduação na iniciativa privada


O governo brasileiro e parte dos intelectuais do País (se é que essa figura existe pelas bandas de cá) defendem, ainda que não abertamente, um modelo de educação no qual o Estado abre mão de “cuidar”, no nível superior, dos cursos de graduação e passa a ter um olhar dirigido aos cursos de Pós-graduação. A tendência atual parece ser de transferir à iniciativa privada a tarefa de formar os estudantes de graduação e, às universidades públicas, a formação em pós-graduação. Ao sancionar a lei que troca dívidas das instituições particulares por bolsas do Programa Universidade para todos (ProUni), o Governo Federal, além de transferir recursos públicos para a iniciativa privada, manda o recado: cuidem da graduação no País! Paralelo a esse movimento, o Governo, ao invés de investir efetivamente na carreira de docente federal, investe abertamente em criar uma disputa insana dentro da própria categoria: forja um acordo com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação) que só acentua a vala abissal que existe entre os professores dentro da própria carreira. E se isso já existe na carreira atual, com os 17 níveis, essa distância entre os que iniciam (com títulos menores como de especialização e mestrado) e os mais próximos do topo da carreira (com títulos de doutores), a carreira proposta acentua ainda mais esse desnível e, por incrível que pareça, prejudica sensivelmente os professores Associados, faixa na qual, ou estão, ou vão entrar os professores que atuam nos programas de Pós-graduação no País. Ora, ao retirar o incentivo financeiro, quando não, dificultar a progressão dos professores que trabalham nos cursos de Pós-graduação, o Governo manda outro recado: virem-se! A criação dos mestrados profissionalizantes, com a possibilidade de esses cursos serem pagos, é mais um movimento para, também, o governo sair, de mansinho da pós-graduação financiada pelo Estado. Esse modelo produtivista, portanto, tem uma lógica perversa: retira do Estado a obrigação constitucional de financiar a educação superior no País e transfere aos professores “produtivos” o mérito pelo financiamento das instituições. Na concepção de carreira defendida pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), os professores recebem uma remuneração justa e digna para ser professor e desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão de forma equilibrada. E foi por acreditar nessa concepção de carreira que entramos em greve. Não cabe ao professor captar recursos para as instituições. Isso é tarefa do Estado e da administração superior. Ao cair na armadilha de que “é o melhor, o mais produtivo”, o professor termina por funcionar como fonte de exploração do capitalismo de Estado. Com isso, nas greves, passa a atuar ao lado do patrão, o Estado, e não ao lado dos demais colegas professores. Refletir sobre isso é fundamental para entender a lógica da carreira que defendemos conjuntamente por meio do Andes-SN.

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sábado, 4 de agosto de 2012

Presunção e prepotência do Governo Federal


Há, no meu entendimento, duas possibilidades de se analisar o movimento unilateral do Governo Federal em querer encerrar a greve dos professores e professoras “na marra”: ou os “negociadores” do Governo são inexperientes e estão completamente perdidos no processo ou acomodaram-se com a popularidade do Governo Dilma e resolveram demonstrar extremas presunção e prepotência. Porque não é possível que eles (os negociadores) acreditassem que as 54 seções sindicais filiadas ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) aceitariam um “acordo” forjado entre o próprio Governo e a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação). O resultado foi acirrar os ânimos dos professores e professores, já revoltados com o descaso do Governo, que votaram pela continuidade da greve. Tentar por fim a uma greve tão densa como a que está em curso pelo uso da força não parece ser a melhor estratégia do “governo dos trabalhadores”. Até militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) não entendem a forma como se tem tratado o assunto. A continuar essa postura de prepotência, é bem possível que a greve seja muito mais longa do que o próprio movimento poderia imaginar. Negociação só existe se não houver imposição. Se não for falta de inteligência querer impor a vontade de apenas 5% da categoria aos demais 95% só pode ser a mais pura presunção.

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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Professores da Ufam votam pela dignidade: greve mantida


Encerrei a postagem de ontem denominada “Tenho dignidade e vergonha na cara: a greve começa agora!” com a seguinte frase: ”... Quero, porém, acreditar na dignidade coletiva dos meus colegas professores e professoras do Brasil inteiro. Não podemos nos curvar e engolir esse embuste. A greve começa agora!”. A resposta dos colegas professores e professoras presentes na Assembleia Geral de hoje da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua-Seção sindical) dá a certeza de que nem tudo está perdido. Prevaleceu a revolta em relação à atitude do Governo Federal de, unilateralmente, encerrar as negociações e divulgar que assina um “acordo fantasma” com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação). Os presentes ao auditório da Adua reafirmaram que o Andes-SN é a única entidade que representa a categoria e votaram, por unanimidade, pela manutenção da greve. Seria uma indignidade dos professores e professoras sair com as mãos abanando de uma greve. Aceitar a imposição do Governo Federal de assinar um acordo apenas com a Proifes seria legitimá-la. E isso não se pode aceitar. É nosso dever, como filiados do Andes-SN, preservar a dignidade e o respeito ao sindicato do sindicato que nos representa. A votação de hoje indica que não nos curvaremos às armadilhas impostas pelo Governo. Perder ou ganhar não importa. O mais importante é lutar. E o resultado da votação de hoje na Adua-SS indica uma tendência de que não fugiremos à luta!

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Tenho dignidade e vergonha na cara: a greve começa agora!


Dia 26 de julho de 2012, neste mesmo espaço, na postagem “Quem disse que sou Proifes?” contestei a entidade que se autointitula Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação). A presepada resultante da reunião de ontem, às 19h, entre o Governo e os servidores federais em greve, que culminou com um “acordo” forjado entre o criador (Governo) e a criatura (Proifes) é uma das maiores excrescências da história recente deste País. A Proifes representa a minoria governista dos professores universitários brasileiros e se arvora em aceitar (e assinar) um acordo que além de ignorar completamente a proposta de carreira nascida das discussões democráticas do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) piora ainda mais a carreira do magistério superior vigente. Só para ficar em um exemplo, o professor Associado, agora, terá de comprovar 17 anos de obtenção do título de doutor para galgar do Nível 1 para o 2; 19 anos do 2 para 3 e 21 do 3 para o 4. Caso esse acordo forjado chegue ao Congresso e seja aceito como legítimo, será uma das maiores vergonhas da história sindical do País. Como pode uma federaçãozinha composta por menos de 10 por cento da categoria dos professores e professoras universitárias brasileiras se arvorar a representar o todo? Como um Governo dito popular (e dos trabalhadores) legitima uma fraude? Para se ter uma ideia da falta de moral e legitimidade dessa “Federação (???)”, as seções sindicais da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e da Universidade Federal de Goiás (UFG) já indicaram que vão romper com a Proifes. A tal Federação de oito sindicatos ficará reduzida a seis. O Governo ignorou a base do Andes-SN, formada por 54 seções, e propaga aos quatro cantos que assinará um acordo com a categoria dos professores em greve. É um descalabro, uma vergonha, aceitarmos esse estado de coisas. Não se trata mais apenas de discutir reajuste salarial e condições de trabalho. Manter a greve é uma questão de honra! Ou demonstramos dignidade agora ou dobraremos os joelhos e sairemos melancolicamente da maior, mais bonita e mais forte greve dos professores e professoras dos últimos anos. Gastei suor e sangue para construir uma carreira e uma reputação acadêmica. Não jogarei minha história na lata do lixo para sair melancolicamente desta greve. Entrei nela por convicção de que deveria lutar por melhores condições de trabalho e salário. Avalio que uma nova greve começa dentro da greve. E essa, agora, é contra o conluio entre o Governo e a Proifes que tentam empurrar goela abaixo uma carreira sem-vergonha, nociva e que nos tira direitos adquiridos. Lutarei contra essa violência individualmente como já lutei contra tantas outras que me foram impostas (inclusive uma agressão em pleno auditório da Universidade Federal do Amazonas). Quero, porém, acreditar na dignidade coletiva dos meus colegas professores e professoras do Brasil inteiro. Não podemos nos curvar e engolir esse embuste. A greve começa agora!

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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Intransigência do Governo pode gerar impasse


Qualquer que seja o resultado da reunião de hoje entre o Governo Federal e os professores das universidades e das escolas técnicas federais uma coisa precisa ser levada em conta nas discussões por melhores condições de trabalho: o Governo não arredará o pé uma vírgula de implantar esse modelo de expansão irresponsável baseada no número de vagas para novas entradas. Para mexer nele, o Governo teria de mudar toda a política pública e o modelo de universidade até então implantado. E isso, por mais que a greve seja forte, movimento nenhum ter força para resistir ad eternum. E é nisto que o Governo Federal aposta: matar os grevistas no cansaço. Caso consiga alongar a greve à exaustão, estará cumprido o acordo firmado com a bancada internacional de não repor a inflação de nenhuma categoria de servidores. Essa intransigência do Governo pode gerar um impasse de proporções sem tamanho. Negociar é avançar em alguns pontos e recuar em outros. Acontece que, até agora, o Governo mexe, de forma enganosa, em alguns pontos da primeira tabela salarial que apresentou e só. É enganosa a ideia de que não há uma proposta de carreira nas tabelas até então apresentadas. Há sim. Uma carreira baseada no produtivismo e que acentua as distâncias entre as classes e os níveis num claro incentivo à criação de castas e subdivisões dentro da própria carreira. E isso os professores e professoras não podem aceitar. Enquanto esse impasse não for resolvido as negociações patinharão.

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