terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A entrega dos atores no processo educacional

Dia desses, no Facebook, o meu amigo, jornalista Paulo Castro, postou comentário a lembrar da nossa turma de Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, do ano de 1985. Lembrei-me, em comentário no Face, que:

"Juntos fizemos coisas impensáveis à época, como aquela passeata para receber o então Ministro da Educação, Marco Maciel, e protestar contra a falta de laboratórios. Tínhamos, mais que inteligência, um compromisso coletivo com o jornalismo que praticávamos dentro e fora da então UA, hoje UFAM. Como você enfatiza, não há processo de Educação sem empenho, sem troca, sem entrega de todos os atores envolvidos no processo. O que se tem de ter em mente é que há vida inteligente para além da universidade e que não se mede competência apenas pelos títulos. Ao invés de adestrarmos para o mundo do trabalho, nosso desafio é educar para a vida. E isso não se faz apenas na escola: é um complexo processo de interação que envolve Escola, Família e Sociedade. Talvez a nossa geração tenha descoberto isso na marra, pois, aprendemos a focar o trabalho com fim para se alcançar a felicidade e não um fim em si mesmo. O problema de apenas formar para o mundo do trabalho não é exclusivo da universidade brasileira. Quando se discute o assunto costumo lembrar que Bill Gattes, Steve Jobbs e Mark Zuckerberg largaram nada menos que Harvard para serem felizes e se tornarem bem-sucedidos. Que cada um de nós, no lugar que ocupamos na vida, aprendamos a ser, de alguma forma, sementes para a felicidade de alguém. Talvez consigamos um mundo melhor, se não para nós, mas, para os nossos herdeiros."

É preciso refletir sempre sobre o nosso papel de educador, parte deste processo educacional complexo. Principalmente até sexta-feira, quando se conclui a primeira fase desta espécie de "videogame da classe média". Só assim poderemos decidir para a vida e não apenas para o mundo do trabalho.


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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Começa o videogame da classe média

Começou hoje e vai até o dia 10 de janeiro de 2014 o que se pode chamar de videogame da classe média brasileira: o Sistema de Seleção Unificada (SiSu), do Ministério da Educação (MEC). Pais, mães, familiares e amigos acompanham por uma semana o "desempenho" dos seus no sistema informatizado por meio do qual estudantes ingressam ou não em instituições públicas de ensino superior em vagas oferecidas para quem participou do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Só pode participar do SiSU o estudante que participou do ENEM 2013 e não tirou a nota zero na prova de redação. Para participar, o candidato deve informar o número de inscrição e a senha usados no Enem de 2013. O estudante pode escolher até duas opções de curso e esperar o resultado da note de corte de cada curso, que muda diariamente. Até sexta-feira, dia 10, é possível mudar de curso a qualquer tempo, de acordo com as notas de corte e o número de pontos obtidos no ENEM. A primeira fase do "jogo" termina dia 13 quando o MEC divulga o resultado da primeira chamada.


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domingo, 5 de janeiro de 2014

A corrida perversa "pelo que der"

Ontem, ao vivo, em rede nacional, após a divulgação do resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), feita pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), uma estudante, ingenuamente, revelou o lado cruel e perverso do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), que, oficialmente, é apresentado como o fator mais positivo do processo. Se do lado oficial se diz que a possibilidade de o estudante escolher qual curso fazer é o que de mais interessante existe no SiSU, do lado do estudante, pode se transformar no fator mais perverso: a escolha pelo que der e não pelo que se quer. Na sua ingenuidade, a estudante revelou que iria se inscrever para Arquitetura, o seu sonho. Mas, acompanharia o processo de disputa pelas vagas e, se não desse, faria algo relacionado à História da Arte, como preparação para o curso de Arquitetura, seu sonho, e que ela não abandonaria de forma nenhuma. Em suma, o que a estudante disse, em rede nacional, é que usaria um curso que ela não queria como forma de se preparar para o curso do seu sonho, se não desse para passar agora. Uma moeda não é cara ou coroa: é cara e coroa. Uma política pública, da mesma forma, pode ser vista pela metáfora da moeda: tem pontos positivos e negativos. Saber avaliá-los e preveni-los é fundamental para que o objetivo maior seja alcançado: neste caso, ao que parece, o da inclusão. O problema é que, ao invés de incluir, o SiSU pode excluir e, ainda pior, provocar evasão nos anos seguintes uma vez que o estudante pode optar, inicialmente, "pelo que der" e, no ano seguinte, se obtiver êxito no curso desejado, abandonar o primeiro curso que optou. Ainda é cedo para se afirmar categoricamente que o SiSU é bom ou ruim. Mas, que provoca evasão e empurra estudantes e escolherem o que der e não o que quer, é mais do que evidente.


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sábado, 4 de janeiro de 2014

Por um planejamento global para a Educação

Entra ano e sai ano e não consigo entender como o Brasil se propõe a promover uma revolução no processo educacional do País sem que seja feito um planejamento global e integrado das atividades nos níveis municipal, estadual e federal. Não é possível, por exemplo, discutir um projeto estratégico de País sem que os ministérios do Orçamento e Gestão, da Fazenda, da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Educação tenham sempre representantes do primeiro escalão, quiçá os ministros. Um projeto de País não se cria a partir da retirada de algum Programa aqui, outro acolá, da cartola de mágicos estabelecidos em cada ministério ou em órgãos Financiadores, Fiscalizadores, de Supervisão e de Gestão. Mudanças no processo educacional precisam ter um horizonte. E devem ser planejadas e discutidas com municípios e estados, uma vez que um ente trata do Ensino Básico, o outro do Ensino Médio e o Governo Federal, do Ensino Superior. Sem que tais entes tenham o mesmo objetivo, as possibilidades de sucesso são mínimas. E não se pode pensar que todos os tenham a priori. Qual o projeto de Nação que queremos? Qual estudante o Brasil pretende formar de Norte a Sul, Leste a Oeste? Quais habilidades básicas se deve desenvolver para enfrentar o mundo da vida? São perguntas a serem respondidas para se iniciar um planejamento global para a Educação. Depois, os ministérios da Fazenda e do Planejamento e Gestão devem responder quanto podemos gastar para chegar lá. Sem isso, todas as nossas tentativas de mudar a Educação tendem a ter excelentes Programas e Projetos que esbarram na falta de direção e recursos.


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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Internacionalização desde a Educação Infantil

Tramita na Câmara Municipal de Manaus (CMM) o Projeto de Lei 082/2013, de autoria da vereadora Terezinha Ruiz (DEM), que institui a Língua Inglesa para estudantes da Educação Infantil a partir dos quatro anos. O projeto leva em conta pesquisas que apontam o intervalo de idade entre 4 e 10 anos como o melhor para se aprender uma segunda língua. Iniciativas como essas devem ser levadas em conta se o Brasil quiser, efetivamente levar à cabo um projeto estratégico de internacionalização. Programas como o Ciência Sem Fronteiras só funcionarão plenamente quando, nos municípios brasileiros, houver uma segunda língua desde a Educação Infantil. Caso os municípios brasileiros, conjuntamente, e incentivados pelo Ministério da Educação (MEC) tomem medidas como a que, certamente, será tomada em Manaus, com a aprovação do Projeto 082/2013, teremos uma internacionalização inclusiva.


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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Revistas de alto impacto criticadas

O velho dilema da Educação e, principalmente da Ciência, é estabelecer a diferença clara que existe entre medir e avaliar. Mais ainda: não esquecer que medir pode estar contido em avaliar mas, avaliar não é pura e simplesmente medir. Para além deste dilema conceitual, o que deve ficar claro é que não se pode gerenciar nenhum tipo de política pública sem avaliar ou, às vezes, simplesmente medir. Talvez, por isso, quando um ganhador de Prêmio Nobel, por exemplo, publica um artigo, como o fez Randy Schekman, ganhador do prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 2013, as baterias de críticas, nacionalmente, se voltem contra a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). No artigo, ele critica os critérios de seleção de artigos usados por revistas de alto impacto mundialmente conhecidas e lança novas proposições para se avaliar artigos a serem publicados. Usar o artigo para ligar diretamente o assunto as critérios estabelecidos pela Capes não é de todo correto, muito menos justo. Os critérios são estabelecidos por Comitês de áreas, formados por pares de cada área. A publicação em revistas de alto impacto não é o único indicador. E, convenhamos, não é um critério dos melhores. A crítica Randy Schekman faz sentido e deve ser levada em conta, digamos, ao se avaliar a avaliação. Devem servir, portanto, para aprimorarmos o processo no Brasil e não para detoná-lo!


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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Por um jornalismo melhor em 2014

A primeira coisa que me deparei hoje, ao entrar na Internet, foi com a seguinte manchete: "O estado de saúde de Michael Schumacher ainda é crítico, porém estável". Será este o jornalismo que cobro dos estudantes que foram estudantes do curso comigo?  Não posso admitir que se pratique este tipo de jornalismo nem que fosse o meu pior inimigo. A manchete em questão não diz nada e se nos apresenta como se o estado de saúde do pilo alemão Michael Schumacher não devesse melhorar. Dizer que "O estado de saúde de Michael Schumacher ainda é crítico, porém estável" é o mesmo que dizer que ele está em estabilizadamente em coma. Em jornalismo, principalmente neste caso, trata-se de uma vida. Independentemente de ser um famoso, é preciso tratar o assunto com seriedade e, acima de tudo, respeito. Quem não tem o que dizer, que não diga nada. Soltar uma manchete dessas, por mais que não seja a intenção, passa a ideia de nenhuma preocupação com a vida humana. E o jornalismo precisa se preocupar com essas situação em 2014 para que tenhamos uma prática melhor.

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