quarta-feira, 6 de agosto de 2014

É preciso trazer a vida para a Escola

Não temos futuro como humanidade se não vencermos o desafio de a vida ser parte da escola e não a escola um ente isolado e distante da vida. Face a esse isolamento, as crianças e jovens detestam a escola. Sentem-na como se fosse uma tortura frequentá-la. Clamam por algo novo, algo que vos atraia. Algo que torne a sala de aula não apenas uma tortura em três turnos, ou turno a turno. Não basta trazer o mundo da vida para a escola. É preciso que a escola se torne uma extensão da vida. Transformá-la em um espaço de criação, de prazer, de trocas saudáveis é um desafio constante para nós, professores e professoras. Não faremos a mudança necessária se não mudarmos a nossa perspectiva do olhar em relação à própria escola. Pensar que "antigamente era melhor" é um retrocesso. O que temos é de tornar a escola atual muito melhor. Ao mesmo tempo que trabalharmos para a escola do futuro ser ainda melhor que a escola atual. Isso, porém, só será possível se, ao invés de prisão, a escola se tornar espaço de libertação.


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terça-feira, 5 de agosto de 2014

O receio da avaliação entre professores

Professores e professoras, no fundo, talvez tenham receio de ser avaliados, inclusive pelos estudantes, por meio dos mesmos critérios com que professores (e professoras) vos avaliam. É a única explicação que se pode ter para tanta rejeição ao processo de avaliação por parte dos nossos colegas professores e professoras. E isso se cristaliza a cada vez que se "toca" na questão da avaliação. Muito provavelmente, este é mais um fator de "atraso" na educação brasileira. Enquanto o processo de avaliação não se tornar algo culturalmente aceitável, em todos os níveis, não conseguiremos avançar no processo de aquisição de conhecimentos. Está mais do que na hora de entendermos que o conhecimento não pertence a ninguém e só teremos condições crescer juntos se conseguirmos encarar a avaliação como algo natural e normal na vida de quem educa e é educado. É um desafio a ser enfrentado por todos nós.


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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A retenção que destrói a universidade pública

De um lado os mais radicais dos sindicatos dos docentes tratam o problema como se fosse uma conspiração do Governo Federal com o fim de privatizar de vez a universidade pública brasileira. Do outro, reitores e reitores ficam sem saber como enfrentar o problema que, se visto ao pé da letra morta dos números é uma prova cabal de ineficácia. Não acredito em "teoria da conspiração" por parte do Governo Federal. Tão pouco diria que reitores e reitores, bem como suas equipes, são ineficazes. Tenho uma convicção: a retenção (e seus variantes o abandono e o jubilamento) destrói a universidade pública brasileira. E nós, professores e professoras, como a nossa visão estreita sobre o processo de Educação, somos os maiores predadores da instituição na qual trabalhamos. Não é mais possível a visão preconceituosa, tacanha e tão antiga que cheira a mofo, de que o estudante tem de vencer série por séria, período por período, semestre por semestre, para poder "se formar". Acreditar na homogeneidade das turmas, da formação, é um erro crasso. E um dos fatores que mais interfere na retenção. Não permitir que os estudantes "adiantem" seus cursos é outro erro ainda maior. Investir em cursos longuíssimos, em pré-requisitos absurdos, e uma carga horária em sala de aula aviltante são demonstrações de que o problema não é do Governo Federal nem dos reitores e reitoras. É nosso. É da nossa atuação como professores e professoras. É da nossa visão extremamente estreita do processo de aprendizagem. Permitir que se acelerem os cursos não tem nenhuma relação com "deixar passar à vontade". Temos de ser criativos, encontrar novas formas de avaliar o conhecimento que não sejam meras "provas". Ou mudamos a forma de olhar o processo de aquisição de saberes ou não teremos mais condições de jogar para o Governo Federal ou para as administrações superiores um problema que é nosso: de cada 10 estudantes que ingressam em uma universidades brasileira, três, no máximo quatro, se formam. Os sete ou seis restantes ficam retidos, abandonam ou são jubilados. O máximo que podemos dizer é que a ineficácia pode ser dividida. Podemos, no entanto, fazer muito para mudar esse quadro vergonhoso da universidade pública brasileira.


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domingo, 3 de agosto de 2014

Formar para a empregabilidade

Dos desafios que as universidades públicas brasileiras enfrentam, há um que gera conflitos internos inimagináveis: a meta de formar para a empregabilidade. Isso porque não é tão fácil equilibrar a empregabilidade com o formar para a vida, para a felicidade. Afinal, empregabilidade é uma variável diretamente ligada ao mercado, cujo preconceito ainda não foi vencido na universidades brasileira. A empregabilidade é a capacidade que a universidade tem, em função da excelências dos seus cursos, de os estudantes saírem e ingressarem imediatamente no mercado de trabalho. De forma mais simples é o fato de o estudante já sair empregado. Não é, porém, tarefa das mais fáceis uma vez que, na universidade brasileira, há uma aversão ao cumprimento de metas. Mais ainda, ao acompanhamento da vida dos estudantes após se tornarem egressos. E só se é capaz e medir, com exatidão, a empregabilidade de uma instituição, se houver preocupação em se manter próximo do antigo estudante. Se, após a formatura, a universidade esquecê-lo, será impossível detectar a efetiva contribuição dela para a vida profissional do seu egresso.


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O público e o privado na Educação Superior

Ao que tudo indica, ainda não se compreendeu que, do ponto de vista do cumprimento da função social, pouco há de diferença entre as instituições públicas e particulares na Educação Superior brasileira. Em alguns casos, as instituições privadas cumprem função similar as públicas. Quando se trata, por exemplo, da inclusão de pessoas, as particulares o fazem, inclusive, por necessidade. Como seus clientes são estudantes das classes C, D e E, são obrigadas a promover nivelamento para manter os clientes. Talvez o façam, inicialmente, com a única intenção de "manter os clientes". Com isso, porém, promovem a inclusão social que, em alguns casos, as instituições públicas não fazem. Enxergar este benefício é fundamental para não olharmos sempre as particulares com a lente do preconceito. Talvez o melhor seja entendermos que hoje possuímos um sistema misto e tentar com ele conviver para promover maiores benefícios para a sociedade.

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OBS: Post do dia 02/08/2014

sábado, 2 de agosto de 2014

A falta de estrutura que espanta

Um dos mais graves problemas enfrentados pelas cidades do interior do Amazonas e que impactam diretamente na debandada de doutores das instituições públicas como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) é falta de estrutura médico-hospitalar. E isso espanta completamente que se arrisca a mudar de cidade. Morar em uma cidade do interior do Amazonas nem sempre é uma "aventura" agradável. Quem tem problemas de saúde mais graves enfrenta uma maratona de viagens a Manaus. Sem contar com a falta de medicação adequada para alguns casos. Esses são fatores que pouco dependem da instituição empregadora. Mas, demonstram, no entanto, a necessidade de um tratamento salarial diferençado. Se o Governo Federal não voltar os olhos para o problema da atração e fixação de mestres e doutores na Amazônia, o esforço hercúleo de interior a graduação e a pós-graduação pode se revelar em vão ao longo do tempo.

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OBS: Post do dia 01/08/2014

A fixação de doutores na Amazônia

De quando em vez retomo o tema da fixação de mestres e doutores na Amazônia. Muito mais complexo do que parece, nenhum doutor, ou doutora, vem e fica nas cidades do interior da Amazônia se não houver um reconhecimento básico de que é preciso compensar, de alguma forma, as diferenças regionais, principalmente infraestruturais, a serem enfrentadas. E um dos pontos cruciais do problema é a variável Educação. Um mestre ou doutor que venha para uma cidade do interior do Amazonas, pode se manter somente com o salário que ganha? Não seria justo que recebessem um adicional de localidade que, ao menos, compensasse a diferença brutal de preços que existe entre quem mora em Parintins, por exemplo, e Manaus? Ou se leva em contra fatores como esses ou as universidades terão sempre dificuldades em atrair e fixar doutores nos Campi fora da sede. Principalmente se forem localizadas na Amazônia.

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OBS: Post do dia 31/07/2014