terça-feira, 30 de abril de 2013

CNPq regulamenta acúmulo de bolsas


O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) regulamentou as possibilidades de acúmulo de bolsas no País. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União de terça-feira, dia 23 de abril de 2013. Poderá acumular bolsas quem atuar como coordenador de programa de pós-graduação, como professor do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) ou no Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor). O órgão de fomento tentou explicar as exceções, em nota oficial, sem convencer muito. Diz a nota que "o regulamento não permite o acúmulo de bolsas de agências públicas quando relacionadas à mesma atividade." Porém, os três programas citados "têm como finalidade específica envolver docentes e pesquisadores em atividades distintas daquelas desenvolvidas no seu cotidiano habitual de pesquisa." "As atividades exercidas por estes profissionais nos programas já mencionados, serão basicamente, administrativas ou de extensão de ensino e todas elas contribuindo para o avanço da educação, ciência e tecnologia do país", termina a nota que, na humilde interpretação deste que vos escreve, leitores e leitoras, é uma tentativa de "tapar o sol com uma peneira". O que o CNPq, no fundo, faz, é oficializar a política governamental de complementar o salário dos professores com "bolsas de estudo, pesquisa e extensão" em atividades específicas, com avaliação constante e cumprimento de metas. A nota que tenta explicar, ao que parece, abre possibilidades para todos os professores das federais acumularem bolsas, muito embora, na regulamentação, fique claro que só poderá acumular as bolas quem for "desenvolver pesquisa científica e tecnológica".

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OBS: Post do dia 29/04/2013

domingo, 28 de abril de 2013

Hoje é o Dia da Educação: há o que comemorar?


Hoje é uma daquelas datas que se convencionou dar um nome pomposo. E virou o "Dia Internacional da Educação". Na Educação superior, o País convive com uma nova carreira que nem mesmo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) concorda. Afora a falta de condições de trabalho em muitos dos campi para os quais o Governo Federal empurrou as universidades a se expandirem. No campo, a situação é mais catastrófica: de cada 10 escolas, uma não tem banheiro, água encanada ou rede de energia elétrica. Já sabe, em todos os níveis da Educação, que a falta de infraestrutura interfere diretamente no desempenho dos professores e no processo de aprendizagem dos estudantes. Não sou daqueles que considera um desastre o Governo do Partido dos Trabalhadores (PT) na área da Educação. Há avanços sim! Só não sei se ainda temos motivos para comemorar. O passivo deixado por governos anteriores é tamanho que se precisa investir muito mais. Só não pode ser apenas na expansão de vagas. É preciso cuidar, urgentemente, da qualidade sob pena de aumentarmos em números a base dos que estudam mas, com isso, criar uma base ainda maior de analfabetos funcionais.


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Sexualidade: tabu na Educação brasileira


É com espanto que ainda ouço, vejo e percebo as discussões sobre sexualidade na Educação brasileira. O espanto aumenta quando se nota que são raras discussões feitas de forma madura e livres em quaisquer dos níveis: Fundamental, Médio e Superior. Felicianamente, o ranço do preconceito ainda é a tona. Se o tema sexo ainda é encarado como tabu em todos os níveis, quando se trata da sexualidade, mais ainda. Posso estar equivocado nas minhas avaliações, mas, ao conversar com professores, de todos os níveis, sinto "gotas" de preconceito inaceitáveis. e fico a me perguntar: "Como uma pessoa que trata a sexualidade de alguém fora das salas de aulas dessa forma trataria de modo diferente no trabalho?" Ou uma questão complementar:"É possível ser extremamente preconceituoso e tratar profissionalmente o tema?" Defendo, junto aos estudantes de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que a nós, os jornalistas, não cabe exercer a profissão com nenhum tipo de preconceito. Podemos até tê-los (e aceitá-los é um dever de quem defende o direito à liberdade do outro), mas, não nos é dado o direito de demonstrá-los nas notícias e reportagens que fazemos. Penso que, na escola, em todos os níveis, tem de funcionar da mesma forma. Temas como a sexualidade devem ser tratados com extremo cuidado. Para, ao invés de combatermos o preconceito, não o incentivar. A prática vale para qualquer tipo de tema que seja visto como tabu pela sociedade. Ou se faz assim ou a escola, principalmente a universidade, será sempre um espelho da sociedade e não a precursora da mudança.

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OBS: Post do dia 27/04/2013

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A universidade ideal e a universidade possível


Tenho a nítida impressão que todos nós temos uma universidade imaginada, criada na mente, a conviver, conflituosamente, com a universidade real, a qual chamo de universidade possível. A universidade ideal é feita de pessoas perfeitas, todas éticas, que não comentem nenhum tipo de erro ou deslize. Já a universidade possível, ou seja, a universidade real, é aquela feita por pessoas que padecem de um problema que é a essência dos humanos: a falibilidade. Essa universidade não pode ser perfeita em seus procedimentos porque os seres humanos não são perfeitos em essência. A universidade que temos, portanto, é resultado desse constante conflito, individual e coletivo, entre a universidade ideal e a universidade possível. Não entender isso é criar problemas constantes para si e para o grupo do qual você faz parte. Recentemente conclui a disciplina Fundamentos de Administração em Jornalismo. Um dos pontos mais lembrados pelos estudantes, ao final do curso, no processo de avaliação, foram as "lições" sobre a falibilidade das pessoas. O exercício de quem administra, alertei a eles, é conseguir que as habilidades sejam incentivadas e as falibilidades sejam recolhidas, ao máximo. Sem isso, administrar será sempre um exercício de estresse pessoal e coletivo. Jamais teremos condições de ter nas mãos uma organização perfeita, ideal. Ela é feita por pessoas, que falham. O desafio é sempre diminuir as falhas e otimizar os acertos. Na universidade, na vida e em qualquer organização.

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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Professores de Mato Grosso ganham 28,86%


Os professores e professoras da Universidade Federal de Mato Grosso(UFMT) conseguiram, na Justiça Federal garantir, em 90 dias, o acréscimo de 28,86% de aumento dado aos militares. A ação, que tramita há quase 20 anos, foi julgada, no dia 17 de abril, pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal, que a julgou procedente e deu ganho de causa à apelação do ANDES-SN/Adufmat-S.Sind. A turma exigiu a imediata incorporação aos salários dos professores e professoras em até 90 dias. Para quem não se lembra, em 1994 o Governo Federal concedeu aumento de 28,86% ao salário dos militares. Os professores da Federal de Mato Grosso, em Assembleia Geral, entenderam que o percentual também deveria ser destinado aos servidores civis e decidiram brigar na Justiça. Os advogados autores da ação, Eleny Alves Pereira e Alexandre Luiz Lozano Pereira, esclareceram que a ação só será executada após a publicação do Acórdão. Da ação ainda cabe recurso. No entanto, nesse tipo de caso, o Governo Federal o faz apenas para protelar o pagamento ou negociar como fazê-lo. A vitória obtida pelos professores e professoras de Mato Grosso pode gerar uma enxurrada de ações nas demais universidades federais e "engordar" os salários com um aumento além do proposto pelo Governo Federal até 2015.

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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Críticas técnicas não são pessoais


É impressionante na universidade brasileira, e na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) não é nada diferente, como professores, técnicos e estudantes possuem extrema dificuldade em separar os problemas pessoais dos técnicos. Nas avaliações, por exemplo. os estudantes reagem com "pedras à mão" se são criticados. Consideram-se, tão cedo, "donos-da-verdade", o que dificuldade ainda mais o processo de aprendizagem. Só se consegue crescer quando se admite as fraquezas e, a partir disso, se parte para transformá-las em fortaleza. Estar aberto às críticas é essencial para o crescimento pessoal e profissional. O mesmo acontece com os professores e professores. Qualquer crítica aos procedimentos é tomada como uma crítica pessoal. O professor moderno jamais pode se considerar proprietário do saber. Na era da Internet, dos computadores pessoais, dos smartphones e tabletes, a informação circula em uma velocidade inimaginável. Se humildade para reconhecer a nossa incapacidade de "saber tudo", teremos dificuldades em avançar. Do ponto de vista da administração ocorre o mesmo problema. Sabe-se que todas as pessoas são passíveis de erros. No entanto, no serviço público, o erro parece ter virado regra. Quem tenta fazer as coisas da forma mais correta é chato ou considerado um "estranho no ninho". Críticas, então, são tomadas como se fossem pessoais, da mesma forma que estudantes e professores as recebem. É uma contradição quando se fala em maturidade e crescimento, tanto do ponto de vista pessoal quanto técnico, tomar para si críticas que se referem aos procedimentos tecnicamente equivocados. Saber conviver com as críticas e não tratá-las como ofensas pessoais é fundamental para a própria maturidade pessoal e institucional.

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terça-feira, 23 de abril de 2013

O processo de escolha do orientador


Um dos momentos mais importantes para a realização de um trabalho acadêmico-científico, a escolha do orientador, em verdade, guarda poucos vestígios de Ciência. Desde 1998, quando lancei meu livro "Guia para elaboração de projetos, trabalhos de conclusão de curso (TCCs), dissertações e teses", pela Edicon, de São Paulo, dediquei-me a pensar sobre o assunto. Uma das coisas que mais me incomodaram quando fui decidir quem me orientar, tanto no mestrado quando no doutorado, feitos na Universidade de São Paulo (Usp) foi, exatamente, a falta de critérios objetivos para a escolha do orientador ou orientadora. À época, no livro, aconselhava as pessoas:"Diante da falta de critérios comprovadamente científicos para a escolha do orientador, só resta ao ingressante de um curso de Pós-Graduação buscar o maior número possível de informações para reduzir as incertezas. Não é tão fácil, principalmente se o curso de Pós-Graduação for em uma cidade diferente da cidade de origem do candidato selecionado. Certamente, haverá um choque de culturas, ou seja, um choque entre a prática da universidade na qual o curso de graduação foi concluído e a prática da universidade onde se vai cursar o Pós-Graduação. A Secretaria de Pós-Graduação é o melhor caminho para diminuir esse choque. É na Secretaria de Pós-Graduação que o aluno sabe como o curso irá se desenrolar, quais os prazos regimentais, as modificações que por ventura ocorrem nos regulamentos no decorrer do programa de Pós-Graduação, etc. Por isso, antes mesmo da escolha do orientador, é fundamental que o aluno de Pós-Graduação tenha bom relacionamento com alguém da Secretaria, que pode ser a primeira pessoa a ajudá-lo no processo de escolha do orientador. Às vezes, as pessoas que trabalham nas secretarias de Pós-Graduação das instituições de ensino superior são de uma educação exemplar e fornecem todas as informações necessárias. Nem sempre, porém, quem trabalha na Secretaria de Pós-Graduação é um primor em educação e sociabilidade. Só resta, então, ao ingressante, buscar informações junto aos alunos mais antigos, de preferência o representante dos alunos junto à Comissão de Pós-Graduação. Esse aluno pode ter informações valiosas para quem está ingressando em um curso de Pós-Graduação. Ele certamente saberá dos prazos regimentais, informes sobre bolsas de estudo, quais são os professores mais indicados para determinadas linhas de pesquisa, enfim, saberá decifrar boa parte das informações que não são claramente especificadas nos manuais e nos regimentos dos programas de Pós-Graduação. Colher o máximo possível de informações sobre os professores que trabalham na área na qual se pretende desenvolver um trabalho, ou em áreas afins, é essencial para a escolha de qual professor será seu orientador. Não se deve, porém, buscar essas informações de forma acintosa. Professores, mestres e doutores podem não gostar desse tipo de averiguação. Assim, o ingressante precisa agir com parcimônia, para obter as informações sem ferir susceptibilidades. De posse das informações, deve-se analisá-las, detalhadamente, e escolher um, dois ou três professores (embora as informações possam diminuir os riscos de erro, essa é uma decisão mais intuitiva que científica), que serão, pode-se assim dizer, candidatos a orientador." As orientações que dou no meu livro reduzem as incerteza, mas, no entanto, ninguém terá garantia de que seguir tais passos culminará com a escolha bem-sucedida de um orientador ou orientadora.

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