segunda-feira, 30 de junho de 2014

O financiamento das universidades brasileiras

Meu nível de mercúrio no sangue passa dos limites quando ouço algumas pessoas se referirem às universidades federais em geral, e à Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em particular, como se fosse o pior lugar do mundo para se trabalhar e não tivesse oferecesse nenhuma estrutura para que os trabalhos nela fossem desenvolvidos. É como se tudo o que há na instituição não servisse para nada e ela ainda atrapalhasse a captação de recursos externos. Entendo que se precisa, urgentemente, discutir com mais profundidade o modelo que se implanta, gradativamente, no Brasil. Promover uma corrida entre pares pela captação individual de recursos não é o melhor caminho para elevar a qualidade das universidades brasileiras. O processo de captação de recursos externos tem de ser institucional. Não pode ser centrado no pesquisador. Sob pena de se criarem negócios particulares com o uso de infraestrutura financiada com recursos públicos. O assunto tem de ser discutido às claras. E, urgentemente!


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A zona de conforto organizacional

Parece haver uma zona de conforto intransponível quando se pretende implementar mudanças. E, talvez, transpô-la, seja o maior desafio de qualquer administrador público. Não vencê-la também pode ser a maior causa do que denominei ontem de "A angústia de ser gestor". Embora individualmente as pessoas façam discursos pró-mudança, na prática, quando instadas a se manifestar, optam por manter a zona de conforto organizacional. Com isso, não avançam, não optam por mudanças radicais. Assim, a organização se comporta como nós, seus membros, que, no mais das vezes, preferimos sempre a zona de conforto. Há tendência a investirmos em informações que diminuam as incertezas. Há até um dito popular:"Não se deve trocar o certo pelo duvidoso". Quando, na prática, a organização tem o lema como mantra, mudar é quase impossível.

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OBS: Post do dia 29/06/2014

domingo, 29 de junho de 2014

A angústia de se torna gestor

Nas duas vezes que concorri à reitora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) a maior preocupação que tive sempre foi o fato de, como gestor, não conseguir promover as mudanças necessárias para modernizar a instituição. Hoje, como gestor, exatamente um ano depois, tenho convicção que não conseguiria. Não conseguiria, e, talvez, por isso tenha desistido de concorrer: a universidade, não apena a UFAM, é a mais tradicional das instituições, concorrendo com o exército e com a igreja. O discurso de modernidade é extremamente falso. É ilusório. Não existe, na prática. A maior angústia, quando nos tornamos gestor, é exatamente esta: é impossível se promover qualquer mudança se a coletividade não quiser. Se não abarcar a ideia. Faz parte do aprendizado, portanto, envolver o maior número possível de apoios para a novas ideias. Caso contrário, viveremos momentos de angústia. Que não serão vencidos individualmente.

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OBS: Post do dia 28/06/2014

sábado, 28 de junho de 2014

Não é tão fácil ser liberal

A decisão tomada pela Espanha de encerrar um exame nacional e deixar que as universidades decidam a forma como os estudantes estrangeiros devem ingressar nas universidades espanholas postada ontem, neste espaço, sob o título "Espanha muda forma de ingresso nas universidades", demonstram que não é tão fácil ser liberal. Assim como, não é nada fácil ser pós-moderno. Servem, também, para refletirmos melhor sobre o nosso Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como única forma de ingresso nas universidades brasileiras. Temos diversidades regionais que devem ser respeitadas. E, respeitá-las, significa ser liberal. E ser liberal não nos permite centralizar políticas nacionais uniformizadoras. Essa é a contração do ENEM que precisamos enfrentar. Sem paixões, mas, com a certeza de que é fundamental deixar que as Universidades decidam o perfil dos estudantes que querem atrair.

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OBS: Post do dia 27/06/2014

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Espanha muda forma de ingresso nas universidades

Enquanto, no Brasil, a política pública é tentar consolidar um exame nacional de seleção baseado no O Programme for International Student Assessment (Pisa) - Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, a Espanha anuncia o fim do vestibular para estrangeiros. Lá, existe o vestibular unificado para o ingresso de estrangeiros nas universidade do País. Agora, o Ministério da Educação espanhol aboliu o exame nacional e deixou que cada universidade faça o processo de seleção para a escolha dos estrangeiros que nela irão ingressar. A mim me parece um caminho completamente inverso do que ocorre no Brasil, quando a tendência é o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) se tornar um exame nacional para ingresso em todas as universidades públicas do País. Será que não devemos repensar esta tendência com base no que ocorreu na Espanha?


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quarta-feira, 25 de junho de 2014

O papel do professor em sala de aula

A postagem de ontem, denominada "Machismo e intolerância: o poder supremo do professor", neste mesmo espaço, que envolveu a estudante de direito de 20 anos, Maria Clara Bubna, e o seu professor da Universidade Federal do rio de Janeiro (UERJ), empurram-me a retomar o tema. Sem avaliar o mérito do que houve, é certo que vivemos em uma sociedade da informação que as duas versões podem ganhar matizes de verdade. E isso tem de ser pesado por nós, professores e professoras, todas as vezes que partimos para o enfrentamento. Sempre fui um professor que mantive proximidade com os estudantes, talvez tenha exagerado, até, em algumas brincadeiras. Hoje não o faço. A maturidade nos dá a certeza de que há possibilidades de os estudantes, de quaisquer dos sexos, se sentirem ofendidos. E nós, professores e professoras, não temos o direito de ofender ninguém. Precisamos, urgentemente, refletir sobre o nosso papel em sala de aula. Não somos mais os únicos donos do saber. É essencial refletirmos sobre o que falamos, o tipo de humor que praticamos e o que pode provocar nos estudantes. Por outro lado, fico a me perguntar:"o estudante pode optar por deixar de frequentar a sala de aula e compensar o processo de aprendizagem por algo que escolher ao bel prazer? Há graves equívocos no episódio que podem ser avaliados por nós, sem paixão, para tentar melhorar o processo de aprendizagem. Cabe a cada um de nós, professores e professoras, com parcimônia, avaliarmos. Temos boas lições a aprender com o ocorrido.


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terça-feira, 24 de junho de 2014

Machismo e intolerância: o poder supremo do professor

Não tenho como afirmar de qual lado está a razão no que li. Mas, o desabafo da estudante universitária da Faculdade de Direito da Universidade Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Maria Clara Bubna, publicado em um Blog de circulação nacional, demonstra que o machismo e a intolerância, de onde venham, não pode mais ser tolerado. Pelo menos dentro dos moldes do que foi por ela relatado. Se em pleno Século XXI ainda acontecem coisas tão aberrantes quanto as relatadas, só se pode concluir que estamos em um caminho sem volta para o fim do modelo atual de Educação Superior no País. Enquanto não rediscutirmos este formato no qual o poder supremo da sala de aula está centrado na figura do professor (ou da professora), não teremos mudanças estruturais na Educação do País.


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