segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A mentira de quem diz que publica verdades


Entendo que os cursos de jornalismo das universidades brasileiras, públicas ou particulares, precisavam, definitivamente, desfazer o mito de que jornais "publicam verdades". Em quaisquer dos meios (Jornal, Rádio ou Tv), jornalistas não trabalham com fatos, como muitos pensam e se orgulham em dizer. Jornalistas tornam públicas versões, mas acreditam piamente, e sentem orgulho em proclamar, que publicam fatos. Esquecem que ao ouvirem "os dois lados", publicam duas versões diferentes sobre o mesmo fato. Sem contar a própria versão que o jornalista dá ao fato a partir das versões ouvidas. No mais das vezes, sem que esteja presente ao local do fato descrito em boa parte das notícias publicadas. Essa espécie de "nota introdutória" é fundamental para se afirmar que, não apenas em grandes tragédias, mas, em qualquer das notícias publicadas, o jornalista corre sempre o risco de publicar versões altamente distantes dos fatos. Ensino aos meus estudantes de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) que não existe verdade. O nosso desafio de jornalista é buscar versões maximamente próximas do fato. Não significa, porém, que tenhamos certeza absoluta de que as versões se aproximam do que é o fato de fato. O jornalista reconhece as limitações da profissão. O bom professor de jornalismo não ilude futuros jornalistas. Todos temos, porém, de reconhecer que, apesar das imperfeições intrínsecas à profissão, o mundo seria muito pior se notícias fossem proibidas de circular, de serem publicadas. Mentem, descaradamente, porém, os meios de comunicação que afirmam publicar verdades. Corra às léguas desses pois, certamente, estão a te enganar.

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domingo, 27 de janeiro de 2013

A prestação de serviços que interfere na Ciência


Quando da época da campanha para a escolha dos novos dirigentes (ou a manutenção dos atuais) das universidades federais, como é o caso, agora, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) sempre ouço a mesma ladainha: "Vou examinar bem a proposta dos candidatos e o projeto de universidade. Porém, só voto em quem me deixar trabalhar". É preciso, no entanto, estar bem-preparado para decifrar a mensagem não dita. "Quem me deixa trabalhar" é o candidato que fizer vistas grossas, ou defender abertamente, a "prestação de serviços" por parte da universidade pública brasileira. Incentivados pelo próprio Governo Federal, que há 20 anos não libera verbas de manutenção e custeio, professores, técnicos e até estudantes se viram obrigados a entrar na roda-vida do "capitalismo de estado". Os Grupos de Pesquisas, que, inicialmente, deveriam ser o local do desenvolvimento da pesquisa com o fim de melhorar a vida das pessoas, ou seja da sociedade, transformaram-se em meros escritórios de negócios, dentro das próprias universidades. Ou para concorrer aos editais do Governo e das agências de fomento ou para a prestação de serviços, às vezes aos governos Estadual e Municipal, às vezes às empresas particulares. Ensino, Pesquisa e Extensão, tidos como o tripé da universidade brasileira, passam a existir para servir aos interesses não da coletividade, mas, dos feudos internos (dos dois ou três professores [e professoras] que o comandam). Ao fim desse ciclo de "negociações", o que se tem, efetivamente, é a Ciência completamente contaminada pelas relações incestuosas com o capital. Não sou daqueles chatoxiitas das universidades brasileiras que não aceitam nenhum tipo de financiamento que não seja público. Creio que há alguns tipos de serviços de consultorias e cursos que podem sim, ser prestados pelas universidades. Não creio, porém, que um Relatório de Impacto Ambiental, resultado de um acordo firmado entre uma universidade pública e uma Petrobrás, por exemplo, seja isento. Sem duvidar, em nenhum momento, da honestidade das pessoas que participam desse tipo de serviço, vejo que a Ciência sofre interferência sim. Que os relatos resultados desse tipo de contrato, quer para gasodutos, pontes e estradas, jamais levarão em conta os interesses das comunidades, da sociedade. Serão sempre produzidos com o fim de "ajudar" a empresa (ou o Governo) a obter a licença ambiental que deseja. Por mais otimistas que sejamos, das ações prometidas como fim de mitigar os danos, poucas saem do papel. Tornam-se ornamentos dos tais relatórios. E isso é apenas um dos exemplo de que a Ciência, ou seja, a pesquisa, é contaminada pela prestação de serviços. Uma universidade pública é financiada com recursos públicos. Deveria sim, fazer todo o tipo de acordo com a finalidade de servir os entes públicos e melhorar a vida das pessoas. Quando até o espaço físico das universidades e os recursos públicos são usados apenas para melhorar a vida de determinados professores e professoras talvez possamos entender a luta suja que se instala para se chegar ao poder ou a ele voltar. Precisamos repensar urgentemente o modelo de universidade que aí está. A cada greve o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) aponta as contradições do modelo atual. Ao final da greve, quando voltam para as suas atividades e se deparam com o processo de escolha dos dirigentes, professores e professoras parecem esquecer tudo o que discutiram e o modelo que criticaram. Grupos que representam a afirmação do modelo que aí está deveriam ser rifados nas disputas. Curiosamente, são os que mais conseguem votos. Talvez, porque, no fundo, são aqueles que "deixam trabalhar".

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sábado, 26 de janeiro de 2013

Uma cruzada em favor da loucura na universidade brasileira


Ao ingressar na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em março de 1993, uma das coisas que mais me marcaram foi ler, em uma matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, que 90% (noventa por cento) da energia gasta pelos professores da Universidade de São Paulo (Usp) era em inveja contra os colegas professores (e professoras). Desde então, pensei em fazer uma espécie de "cruzada em favor da saúde mental na universidade brasileira". Confesso, inclusive, que o título inicial desta postagem era "uma cruzada em favor da saúde mental na universidade brasileira". Isso porque, tive acesso ao texto "A síndrome do pequeno poder". Lá, encontrei uma observação: "Qualquer semelhança com a nossa ordem maçônica é mera coincidência". A cada letra lida, a cada espaço em branco vencido ficava a certeza: "qualquer semelhança com o momento atual vivido pela Ufam, certamente, não é mera coincidência". Se não, vejamos, apenas um trecho do texto: "A SÍNDROME DO PEQUENO PODER, faz com que as pessoas venham a imaginar que detém um poder maior do que as outras. Muitas vezes é um poder herdado por tradição, pela força bruta ou por algum transtorno dissociativo também conhecido na psicologia como SÍNDROME DA PERSONALIDADE POSSESSIVA E OBSSESSIVA ou SÍNDROME DO NARCISISMO MALIGNO." À parte os erros de grafia, é para refletirmos, como profundidade, sobre o que acontece em nosso ambiente de trabalho. Tomasse este rumo, porém, manteria o título inicial e escreveria uma postagem raivosa e vil sobre quem resolveu praticar a cretinice como regra e o exercício do "pequeno poder" como obsessão. Resolvi nem citar o nome da pessoa que imagina poder manipular as outras pessoas a vida inteira dentro da Ufam e obter delas a subserviência permanente. Aliás, há muitos com essa maldita síndrome. Na Usp, à época, eram 90 % a querer trucidar os colegas. Na Ufam, sabe-se Deus quantos os são. Há representantes entre os ex-reitores, ex-diretores, ex-presidentes da Adua, DCE, Centros Acadêmicos, enfim, há quem não consiga viver feliz se não estiver a praticar o exercício da manipulação permanentemente. Mudei o título, portanto, melhor mudar o ritmo desta prosa para a amorosidade e a afetividade. Que tal tomarmos como modelo Maria Luiza Cardinale Baptista que, inclusive, prefere ser chamada de Maluca, um acróstico com as sílabas iniciais do seu nome e mantém uma empresa, a Pazza, cujo significado em italiano é louca, para fazermos um libelo em favor da loucura na academia? Desde que conheci o texto "Emoção e subjetividade na paixão-pesquisa..." da minha doce, querida e maluca, Maria Luiza Cardinale Baptista, que veio à Ufam participar de um Seminário do Programa de Pós-gradução em Ciências da Comunicação (PPGCCOM) convenci-me de que, talvez, a saúde mental seja a maior doença da universidade brasileira. Maria Luiza é tão maluca que teve a ousadia de criar o AMORCOM!: Grupo de Estudos e Produção em Comunicação, Amorosidade e Autopoiese. Depois de 104 anos de existência, não seria chegada a hora de a Ufam fazer uma opção pelo respeito, pela amorosidade e pela tolerância e dizer um não peremptório a qualquer grupo que queira exercitar a "Síndrome do pequeno poder"? Será que não seremos capazes de dizer não a essas "psicopatologias insanáveis" (de determinadas figuras da Ufam) que querem vampirizá-la e aparelhá-la? A Ufam em particular, e a universidade brasileira, no geral, não devem mais aceitar a prática da intolerância e da cretinice como regra. Devemos, em conjunto, crescer como gente passarmos a defender a afetividade e a amorosidade como basilar para o estabelecimento de todas as relações dentro das instituições. Não podemos nos deixar dominar por alguns dos problemas periféricos advindos da "síndrome do pequeno poder", dentre eles o "PATRIARCALISMO: relações familiares e de gênero entre o homem e a mulher; o ADULTOCENTRISMO: relações familiares entre pai e filhos e a SUBORDINAÇÃO: assimetria de relações de gênero entre homem e mulher e ainda de ingerência exacerbada da chefia para com os chefiados." A tendência de quem possui a doença o "pequeno poder" é transformar, pela força, subordinação em subserviência. Isso acontece, porém, com quem indica o sucessor e quer governar por ele. Qualquer semelhança entre os conflitos vividos pelo governador Omar Aziz e o ex-governador Eduardo Braga, não é mera coincidência. Assim como não é mera coincidência o que ocorre na Ufam atualmente. Exercitar o amor ao invés do ódio, a compreensão (e a negociação) ao invés da subserviência talvez seja o primeiro passo a ser dado nas universidades brasileiras para que as pessoas consigam transformá-la em um lugar melhor para se viver, portanto, para se trabalhar. Parafraseando Maria Luizia Cardinale, que vivamos uma "louca paixão" pelo nosso local de trabalho! Sem, no entanto, ter o ódio e a vilania nem com fim nem como meio.

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Na universidade, o cretino manipula, o cientista convence


Na minha última aula de Fundamentos de Administração, do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que ocorre, neste período letivo, sempre às quintas-feiras, abordei o tema da Comunicação Eficaz e suas relações com o Gerenciamento da Informação e da Comunicação nas Organizações modernas. Trata-se de um tema que, particularmente, me interessa muito e, inclusive, é meu objeto de pesquisa, bem como, é o que se pode chamar de espinha dorsal do Programa de Mídias Digitais da Universidade Federal do Amazonas (ECOEM/UFAM). Para avançar no assunto, em sala de aula, explico o que a Comunicação eficaz, portanto, "na visão do professor da Universidade de São Paulo (USP), Izidoro Blikstein, no livro “Técnicas de comunicação escrita”, da Ática, de São Paulo”, é “tornar comum”, “persuadir” e “produzir respostas”. Tornar comum, do ponto de vista da Comunicação eficaz seria partilhar ideias com as demais pessoas; produzir resposta e receber de volta quilo que espera. Persuadir, no entanto, não significa que, em nome de um fim, os meios a serem usados sejam completamente despidos de respeito e dignidade. Não se pode, em nome do avanço da Ciência, desconhecer o respeito que se deve ter à dignidade da vida humana, por exemplo. Assim, como em uma campanha para a escolha dos dirigentes das Instituições, não se pode usar meramente da manipulação para se obter votos. O que tenho visto, nos corredores e nas tentativas de convencimento vindas dos "Operadores de Call-Center" de alguns candidatos é o tipo de comportamento mais torpe, vil e desumano: o da tentativa de destruição completa de qualquer traço de mérito e de dignidade do outro (ou da outra) para ocupar o seu lugar. Do cientista que não tem problemas de "leveza de caráter", espera-se comportamento ético, na pesquisa e fora dela. Como confiar, que alguém é digno se, ao sair do laboratório, ou sala de aula, comporta-se indignamente? É preciso fazermos a diferença clara entre os verbos manipular, persuadir e convencer, para saber qual o verdadeiro papel da Ciência e do cientista, na sala de aula, nos corredores, na Ufam, e, mais além, na comunidade. Nem todos os dicionários fazem essa diferença proposta. Muitos deles tratam os três verbos como se fossem sinônimos. Mas, não o são. O Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa, de Luiz Anttonio Sacconi, é cirúrgico nas definições:"manipular é 1 controlar ou operar com as mãos; 2 Influenciar ou dirigir (inescrupulosamente) pessoas, para obter o que delas se deseja. Persuadir é levar (alguém) a aceitar coisa diversa daquela que inicialmente desejava e convencer é levar (alguém) a reconhecer uma coisa mediante provas cabais e terminantes". Dentro de qualquer universidade, espera-se que a meta seja sempre o convencimento. Portanto, "levar alguém a reconhecer uma coisa mediante provas cabais e irrefutáveis". O que se pratica nos corredores ou às escondidas, é a manipulação cretina e torpe, vil e desonesta, na acepção mais nojenta, dicionarizada por Sacconi para o termo manipular: "2 Influenciar ou dirigir (inescrupulosamente) pessoas, para obter o que delas se deseja." Este será o critério fundamental que usarei para decidir tanto em quem votar quanto em quem não votar no processo de consulta para a reitoria da Ufam. Quem me convencer, leva meu voto. Quem, no entanto, tentar a cretinice de me manipular, terá, não só durante o processo, mas, ao longo da minha vida daqui para a frente dentro da Ufam, os meus nojo e asco.

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O linchamento público como questão de (des) honra


Talvez tenha sido ingenuidade demais da minha parte, ou, quem sabe, fui afetado pelo espírito natalino, ao escrever, no dia 22 de dezembro de 2013, neste mesmo espaço, a postagem "As relações no ambiente universidade", e ter sonhado que a escolha do reitor ou da reitora da Ufam, agora em 2013, seria enfim, uma disputa de propostas e ideias. Desde o momento que a atual reitora, Márcia Perales Mendes Silva, anunciou que seria candidata à reeleição, houve uma reação tão indignada e odiosa de parte do grupo que a apoiou na primeira eleição que  beira o linchamento moral. Há um trabalho contínuo, feito diuturnamente, que se assemelha a um comportamento obsessivo. É como se fosse uma questão de honra (a mim me parece uma questão de extrema desonra) ser o "senhor de todas as batalhas". Algo do tipo: ganho, e ninguém mais pode ganhar, qualquer consulta na Ufam enquanto eu for vivo. Após definirem uma candidatura que une o antigo reitor, Hidembergue Frota (antes acusado por grande parte dos membros do PT de ser PSDB), ao Partido dos Trabalhadores (PT), pelo que se recebe de telefonemas, é como se um "call-center" tivesse sido montado com o único objetivo: destruir reputações. Em duas disputas pela reitoria da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), fui vítima de sórdidas campanhas, baseadas em vilanias e maledicências típicas da canalhice de predomina entre alguns pares na Instituição. Terminei derrotado nas duas, mas, saí delas com uma convicção: combaterei diuturnamente, qualquer tipo de campanha, de chefe de departamento a reitor, que seja baseada no ataque pessoal (inclusive no ataque à família, como o fazem agora). Quero posições claras relativas, por exemplo, ao modelo de universidade que, afirmo e reafirmo, foi implantado nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, refinado nos dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e, aprofundado nos primeiros anos do Governo Dilma Rousseff. Temos o direito de saber o que pensam os candidatos a reitor sobre o uso desregrados dos recursos e equipamentos da universidade, que é pública, para a "prestação de serviços". É fundamental que deixem claro qual a posição, dos candidatos e dos grupos que representam, quanto à falta de condições de trabalho e a expansão desenfreada que, se ampliou vagas, ampliou, na mesma proporção, a necessidade de verbas para manutenção e custeio, que não vieram. Não posso aceitar que, às escuras, se viva como se fossem operadores de call-center a tentar apoio baseado na destruição do outro (ou da outra). Essa obsessão desmedida por destruir o outro me fez lembrar da tragédia ocorrida com a família Belota, quando, com requintes de crueldade, pai, tia, prima e até o cachorro da família foram trucidados. Não será o linchamento moral que se pratica hoje dentro da Ufam tão ou mais violento e chocante que o crime ocorrido na cidade? Não posso crer que sejamos exemplos para ninguém, muito menos para a sociedade, se aqui, intramuros, praticarmos uma espécie de Ultimate Fighting Championship (UFC) da Ufam. E o que é pior. Um UFC sem nenhuma regra mínima de respeito ao adversário. Terminada a consulta, vença quem vencer, seremos professores e técnicos a compartilhar com estudantes um ambiente no qual vale até golpe no fígado? Que sejamos menos obsessivos, menos doentes e mais respeitosos e dignos com todos os nossos pares. Que a disputa pela reitoria da Ufam não seja um UFC de décima quinta categoria é o que defendo. Ainda que, por mais que haja idolatrados e idolatrantes do UFC nos quatro cantos do planeta, eu não veja nenhuma luta. A mim me parece o nosso retorno à barbárie como civilização. É dever dos membros dignos da comunidade da Ufam lutar para que a consulta não se transforme em um UFC no qual mutilar o outro seja a regra básica.

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A tragédia da irresponsabilidade jornalística


Não posso deixar de me indignar com a irresponsabilidade (para não dizer vilania) da mídia de Manaus. Também, fico a me perguntar: o jornalismo, em algum momento, será Ciência? Caso siga o que foi posto em prática no episódio que envolveu parte da família Belota, dúvidas não as tenho: jamais será Ciência. Muito menos um bom conjunto de técnicas. Se não, vejamos! A primeira versão sobre o que provocou a chacina da família, incluso o cachorro, foram "dívidas de jogo". Um vizinho, "que não quis se identificar", disse ao repórter de um dos jornais da cidade, imediatamente publicado na versão para a WEB, que uma das vítimas, que agora se sabe, o pai do acusado, "chegava muito tarde e era viciado em jogo". Indicadores do pior erro do jornalismo: a prática da "verdade" baseada em declarações. Como o morto "trabalhava com embarcações", ouvi versões, embora não-publicadas, de que poderia ser envolvimento com o "tráfico de drogas". Associação reforçada pela confirmação por parte do principal acusado, o filho do homem morto, de que é "usuário de drogas". Não demorou e os jornais publicaram, nas versões online, a versão de que o fato de um primo asfixiar a prima e depois degolá-la, matar o cachorro de estimação da família com a coleira, degolá-lo e, em seguida, pendurá-lo na parede como se fosse um quadro, para, em seguida, matar a tia, bem como descolar-se até a casa do pai e, também, degolá-lo, tinha sido em função de "ser vítima, na própria família", de preconceito pelo fato de ser homossexual. A última das versões que os jornais carimbaram como verdadeira foi: a motivação da chacina era a grana, uma herança, proveniente da venda de alguns barcos por parte do pai do principal acusado. Não contentes, baseados em sabe-se lá o quê, os jornais divulgaram que o avô do acusado, quando soube da tragédia "morrera enfartado". Fato: o avô está vivo. Houvesse um Código de Ética minimamente respeitado, todos os que divulgaram essas versões deveriam ser punidos. A tragédia da irresponsabilidade jornalística é tão, ou mais violenta e grave, que o ato praticado pelo acusado. Quem pratica crimes em série como as foram as especulações divulgadas, não precisa passar por um curso superior. E se o fez, a Instituição que os aprovou deveria cassar o diploma. Esse tipo de prática do jornalismo é condenável e deplorável para a sociedade. Oremos!

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A obviedade do MEC na Educação Superior


Não seria necessário criar uma Comissão especificamente para estudar os problemas do processo de expansão da universidade pública brasileira, especificamente o do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), amplamente apontados na pauta de reivindicações dos professores da universidades públicas brasileiras, assim como é mais do que óbvio que o Brasil precisa ampliar o número de vagas, nas Instituições Públicas, para o Ensino Superior. O problema é deixar as declarações bombásticas, com as dadas pelo Ministro da Educação, Aluizio Mercadante, no do 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional dos Estudantes (UNE) e partir para ações efetivas que minimizem ou ponham fim ao problema. E isso não ocorrerá apenas com a expansão do número de vagas. Ou o Governo, mais precisamente o MEC, tomam medidas capazes de vencer o abismo de 20 anos sem investimento em custeio ou a Educação Superior do País terá o brejo como destino. E nem adianta se investir em declarações óbvias em congressos. É preciso ação e uma mudança de rota no modelo de universidade que aí está. Sob pena de morrermos por inanição.

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