domingo, 30 de setembro de 2012

A educação superior precisa ser avaliada


A educação superior no Brasil precisa passar por um processo de avaliação continuada. À esquerda ou à direita, ninguém pode dizer que vivemos uma situação confortável. Se não, vejamos! Quando se abre uma edital par a seleção de mestrado ou doutorado nas universidades públicas brasileiras, o resultado é catastrófico. Isso se tivermos uma visão das mais otimistas. Para se ter uma ideia do quadro, em geral, não são aprovados 20% dos candidatos em se tratando de uma seleção para mestrado ou doutorado. Nos concursos públicos, inclusive os que envolvem estudantes egressos desses programas de pós-graduação, o índice de aprovação é sofrível. Esses números devem servir para um processo de autoavaliação que leve em conta, inclusive, as condições de trabalho. Sem que isso seja levado em conta, discursos em prol da qualidade do ensino não passam de obviedades vazias que não resultam em nada. É preciso, antes de tudo, que haja efetiva responsabilidade de cada um dos envolvidos com o processo de educação de qualidade, voltada para a inserção política das pessoas, centrada na qualidade de vida e no exercício da cidadania. Sem que haja participação política e pleno exercício da cidadania a participação política das pessoas é uma utopia. A universidade brasileira, portanto, tem papel fundamental nesse processo de inclusão política. Centrado, portanto, no exercício pleno da cidadania. Para que isso ocorra, é necessário um processo constante de avaliação da educação superior do País. Sem isso, os discursos serão maravilhosos em tese, na prática, porém, não resultarão em nada. É contra isso que devemos nos posicionar. Sempre!

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sábado, 29 de setembro de 2012

As várias visões sobre o resultado da greve


Ontem, às 19h, na sede da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua-SS), tomou posse a nova diretoria, eleita no dia 20, encabeçada pelo professor José Belizário Neto. Em seguida, houve um show da cantora Simone Ávila. Das 16h às 18h, os professores e professoras da Ufam participaram de uma Assembleia Geral para discutir o PL 4.368/2012que trata da estruturação do Plano de Carreiras e Cargos de Magistério Federal. O Projeto de Lei surgiu a partir de um arremedo de acordo assinado entre o Governo Federal e uma Federação-Fantasma denominada Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes). Essa entidade possui apenas de 5% dos professores das universidades federais. Ainda assim, o Governo forjou a assinatura de um acordo com essa entidade e deu a greve por encerrada. Acontece que esse PL desestrutura ainda mais a carreira docente e é fundamental que a categoria mantenha a mobilização a fim de buscar novas estratégias para, pelo menos, tentar tornar menos ruim o PL que tramita na Câmara dos Deputados. O Projeto é tão tuim que nos induz a pensar que não houveram ganhos com a greve. E esse, em muitos casos, foi o centro da discussão durante o show da cantora Simone Ávila, na confraternização ocorrida para homenagear a nova diretoria. Professores e professoras discutiram ardentemente os ganhos e perdas da greve. Para uns, a greve obteve um ganho político excepcional, por motivar novamente a categoria dos docentes em todo o País, porém, não houve nenhum ganho. Para outros e outras houve ganhos, porém, as perdas foram maiores. Não se pode esquecer, porém, que não saímos com a carreira pela qual lutávamos, mas, do ponto de vista da reposição salarial, as perdas foram menores do que ocorreriam caso não houvesse nenhuma greve. O mais importante de tudo, inclusive dessas discussões, é a universidade brasileira se reconhecer novamente como o espaço fundamental da diversidade e da troca de saberes.

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Os 35 anos das Relações Públicas no Amazonas


A palestra final do Congresso de 35 anos das Relações Públicas, realizada hoje, pela manhã, no Auditório Rio Solimões, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) foi um dos pontos mais importantes do Congresso por esclarecer, de forma inequívoca, a importância da pesquisa como diferencial na formação dos estudantes de graduação no País. A professora doutora da Universidade de São Paulo (USP), Margarida Kunsch, situou as Relações Públicas no âmbito do que ela denomina de novo paradigma: a comunicação organizacional. O Congresso ainda teve como palestrantes os professores Randolfo Biteencourt, que pode ser considerado “o pai das Relações Públicas no Amazonas”, a professora doutora da Pontifícia Universidade Católica d Rio Grande do Sul (PUC-RS), Cláudia Moura, e o professor doutor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Rudimar Baldissera. Os três professores palestrantes de fora do Estado reuniram-se nos dias 26, 27 e 28 com professores e estudantes do Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação (PPGCCOM) da Ufam, sempre às 15h, para trocar ideias e indicar caminhos que possam auxiliar no processo de consolidação do programa. O Congresso teve a participação maciça de professores e estudantes, principalmente de Relações Públicas. Ao final da manhã de hoje, o Congresso foi encerrado com o lançamento do livro “Memória do Curso de Relações Públicas da UFAM: 35 anos de Trajetória”, organizado pelos professores Inara Costa e Jonas da Silva Jr. A troca de saberes ao longo do Congresso foram convergentes como se Cláudia Moura e Rudimar Baldissera tivessem combinado com Margarida Kunsch. Isso é uma demonstração de maturidade da área de Comunicação. Participei de dois dos três dias do Congresso e, especialmente hoje, senti uma ponta de orgulho por ter sido parte importante nesse processo de consolidação das Relações Públicas no Estado. Quando, no início dos anos 90, ao assumir a Chefia do Departamento de Comunicação Social (DECOM) propus uma mudança radical: o aumento de 30 para 40 vagas e a divisão de 20 vagas para cada habilitação, Relações Públicas e Jornalismo, fui duramente criticado. O tempo, o Congresso de hoje e a consolidação das Relações Públicas no Estado comprovaram o acerto da medida. Confesso-me recompensado!

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O mito da neutralidade em Ciência


Perdura há tempos, por isso é tradicional, a ideia de que a Ciência é neutra. Na academia, então, o método é a figura central dessa pseudoneutralidade. É como se o método fosse capaz de promover a “limpeza” necessária à Ciência para fazer dela (a Ciência) a mais tradicional e respeitada das ideologias. Não só neutra, a Ciência tradicional é, em tese, objetiva. Essa objetividade do método tradicional sustenta-se não na relação, mas, no distanciamento entre o sujeito e o objeto de pesquisa. Para ser neutra e objetiva, portanto, a Ciência (tradicional) não admite “proximidade” entre sujeito e objeto. É como se, na pesquisa, o autor (pesquisador) tenha de usar luvas para não ser contaminado pelo objeto pesquisado. É a esse mito da objetividade e da neutralidade na Ciência que denomino de assepsia. A criação do mito do método cartesiano, por ser de René Descartes, termina, ao final de tudo, por legislar em favor da Ciência como a “ mais objetiva das tradições”. Na sociedade atual, práticas científicas são consideradas exatas, ou seja, corretas, pelo uso do método, mas, práticas religiosas, por exemplo, são apenas questões de fé. O método, portanto, torna-se o bastião, o protetor, a garantia da “infalibilidade” da Ciência. Há, no entanto, uma apropriação desse discurso da neutralidade e da objetividade por parte do Capital, logo do Capitalismo, para legitimar o próprio capitalismo como se a Ciência (por consequência os cientistas) fosse a única tradição a ser respeitada na e pela sociedade. Há que se contestar, principalmente no ambiente acadêmico, essa unicidade, neutralidade e imparcialidade da Ciência como forma, inclusive, de tirá-la desse patamar de mito e aproximá-la definitivamente da sociedade. Em nome da Ciência, já se praticaram atrocidades inaceitáveis. Usar a Ciência como suporte para a manutenção do status quo, inclusive dentro da própria academia, é o tipo de prática que não se pode aceitar. Admitir a pessoalidade do cientista e a “relação” sujeito e objeto, ao invés do distanciamento é um caminho que a “nova Ciência” defende. Talvez não seja o ideal, mas, não percorrê-lo é um indicador da própria estreiteza do olhar.

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O ataque contra a política de quotas sociais


Quem ninguém se iluda! Haverá um ataque maciço, de todos os lados do espectro político, ou seja, à esquerda e à direita, contra s política de quotas sociais de 50% aprovadas pelo Senado federal e a serem implantadas nas universidades federais. Os argumentos serão os mais variados, porém, de pouca sustentação. O que se tem de entender é que essa política de quotas sociais é uma tentativa de se corrigir uma das maiores aberrações da política educacional do País: as universidades públicas são lugares dos “filhos das famílias abastadas” enquanto as instituições particulares recebem os filhos das famílias mais humildes. Como as universidades públicas não cumprem seu papel social, este é cumprido, com lucros escandalosos, pelas universidades particulares. Ao destinar 50% das vagas nas universidades federais aos estudantes que concluíram todo o Ensino Médio em escolas públicas, a Lei corta, pela metade, “a galinha dos ovos de ouro” das particulares. O argumento de que “obrigar” os professores a oferecerem disciplinas de “nivelamento” para esses estudantes oriundos das “quotas” afetará a “qualidade” dos atuais cursos de graduação é reacionário e falacioso. Parte, no mais das vezes, de pessoas que são convictamente contra qualquer política de quotas, sem, no entanto, aprofundarem os conhecimentos sobre o assunto. Para quem não sabe, o “nivelamento” é uma exigência do Ministério da Educação (MEC) em quaisquer dos cursos de graduação do País. Trata-se, inclusive, de item de avaliação constante nos formulários do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anysio Teixeira (Inep). As instituições particulares promovem o nivelamento para a grande maioria dos seus estudantes exatamente porque são provenientes de escolas públicas, trabalham durante o dia e pagam para estudar. Quer dizer que para “dar lucro” a prática é perfeitamente aceitável, porém, caso seja política pública de afirmação tem de ser condenada? Não se deve esquecer que, no capitalismo, as mesmas chances na hora da largada não existem. Condenar a política de quotas sociais é fechar os olhos para a enorme vala que existe entre ricos e pobres e fingir que a disputa pelas vagas nos vestibulares e, agora, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocorre nas mesmas condições. Trata-se de um argumento falacioso que serve muito bem pata manter o status quo. Mais nada!

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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Professores da UFMT ignoram a decisão do Consepe


Professores e professoras em greve a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), uma das 13 que votaram junto ao Comando Nacional de Greve (CNG) pela continuidade da greve, decidiram ignorar a decisão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) daquela Instituição, que determinava o retorno das atividades para o dia 24 deste mês e mantiveram a decisão da Assembleia Geral de só retomar as atividades no dia 1 de outubro de 2012. A Associação dos Docentes da universidade (Adufmat) quer que a Resolução 53, de 20 de setembro de 2012. É importante que o exemplo dos professores da UFMT seja seguido pelos das demais universidades nas quais as administrações superiores querem aproveitar a “suspensão da greve” para deixar de agir democraticamente. Ora, se os professores, em Assembleia Geral, decidem pelo início da greve, são eles, por mesmo do mesmo instrumento, que decidem o retorno às atividades. Muito embora houvesse a recomendação do CNG para que o período de suspensão da greve fosse entre os dias 17 e 21 de setembro, há, porém, o princípio da autonomia. E, da autonomia das Assembleias também. O melhor caminho, porém, numa hora dessas, ao invés de ser o do confronto, é o do bom senso e da negociação. Transformar o fato em um cabo-de-guerra interno só prejudicará as relações dentro da própria UFMT.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Só Ciência e Tecnologia não melhoram a Educação


A ideia de que investimentos maciços em Ciência e Tecnologia (C&T) são capazes de melhorar qualidade geral da Educação no País, se não ingênua, é carregada de má-fé. Não há exemplo em nenhuma economia de mercado, e saudável, na qual o Estado seja o único responsável pelos investimentos em C&T. É da natureza desses investimentos serem de risco, aliás, de altíssimo risco, por isso, promovem retorno excepcionais. Faz parte da essência do capitalismo. O modelo misto que se quer implantar no Brasil, com o incentivo às parcerias entre as universidades e as empresas privadas é desequilibrado: deixa o risco nas mãos do Estado, por meio das suas representantes, as universidades, e os lucros nas mãos das empresas. Esse tipo de modelo nem melhora o capitalismo praticado no Brasil, nem a Educação do País. Sem que haja investimento em qualidade do processo de aprendizagem em todos os níveis não se chegará a produzir “gênios e cientistas” de primeiro mundo. Eleger “Ciência e Tecnologia” como ícones para melhorar a vida do cidadão comum é utopia (ou, como disse anteriormente, má-fé). Sem participação política, exercício pleno da cidadania, portanto, vida democrática, uma Nação não se firma como “opção ao próprio Capitalismo”, como parece ser o desejo do Brasil. Só seremos um País forte em “Ciência e Tecnologia” quando houver investimento equilibrado em todos os níveis da Educação, os quais, antes de tudo, promovam o crescimento das pessoas como gente. Tecnologias puras e simples, muito menos a Ciência, mudam a vida das pessoas.

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