segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Inscrições abertas no SiSu até o dia 11


Estão abertas, de hoje até o dia 11, as inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (SiSU), do Ministério da Educação (MEC), que toma como base as notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) par ingressar em 101 Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes). Todos os estudantes que participaram do Enem em 2012 e não tiraram zero na redação poderão se inscrever. Universidades públicas e institutos federais de educação selecionarão estudantes por meio do Sistema. São 3.751 cursos oferecidos. Desses, o estudante pode optar por até duas graduações. No ato da inscrição, deve optar indicando a ordem de preferência. Essa ordem de preferência será usada pelo Sistema para selecionar o estudante. No próprio site do Sisu o estudante encontra as vagas por cidade, Instituição ou curso. Após o encerramento das inscrições, dia 11, o Sisu processa os dados e divulga a primeira lista dos selecionado. A data prevista para a divulgação da primeira lista é dia 14 de janeiro de 2013. Os selecionados nesta primeira fase devem se matricular entre os dias 18, 21 e 22 de janeiro de 2013. No dia 28 de janeiro o SiSu divulga a segunda chamada, com as matrículas para essa segunda chamada previstas para os dias 1°, 4 e 5 de fevereiro de 2013. Quem não for selecionado nessas duas listas poderá aderir a uma terceira lista, chamada de "lista de espera". Nela, os estudantes podem ser chamados para as vagas remanescentes.

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domingo, 6 de janeiro de 2013

A universidade não é o divã do mundo


Fico profundamente irritado com estudantes que mal entram nos cursos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), não completam nem o primeiro ano de vivência acadêmica (quando vivenciam) e começam, insistentemente, por onde passam, inclusive nas Mídias Digitais, a desfazer tanto da Ufam quanto do curso para o qual foram aprovados. Não sou daqueles que, por ser professor da Instituição, consideram que nada deve ser dito contra ela. A crítica é essencial para a melhoria da própria vida. A crítica pela crítica, porém, a nada leva. Temos espaços democraticamente construídos dentro da Ufam que correm o risco de desaparecer justamente porque a participação, principalmente de estudantes, é ínfima, quase nenhuma: os representantes são até eleitos com muito custo, mas, desaparecem a partir das primeiras reuniões. Ao que parece, esses meninos e meninas entram na universidade como se lá fosse o divã do mundo e pudesse suprir todas as carências, tanto deles quando da própria família. A classe média brasileira, ao invés de educar para vida, tende a treiná-los para ingressar na universidade. As mais famosas escolas de Ensino Médio reproduzem esse mesmo desejo dos pais das classes média e alta: de os filhos entrarem na universidade. É como se vida não houvesse fora dela. Vida há! E os membros do núcleo familiar, como os pais, por exemplo, são os responsáveis por construir valores para a vida. E o maior deles é o respeito ao outro, seguido pelo valor das relações em grupo, advindas do primeiro. Atualmente, por exemplo, a maior dificuldade que nós, os professores e professoras, enfrentamos é a realização de trabalhos em grupo: os estudantes foram educados para viver e tudo fazer individualmente. Uma sociedade na qual o indivíduo só sabe olhar para si e para o próprio umbigo não se sustenta. Não constrói o essencial que é, justamente, o respeito ao outro, às diferenças. E é pela falta de valores básicos construídos ao longo do tempo que muitos estudantes ingressam na universidade a imaginar que ela tem potencial para solucionar todos os seus problemas (individuais e coletivos). A Ufam não é pronta e acabada. É uma construção ao longo dos anos, de professores, técnicos e, principalmente, estudantes. Quem, depois que entra, quer logo sair e não faz nada para mudá-la, para melhorá-la, padece de um individualismo tacanho que mata a vida em sociedade. E esse é um tipo de valor que a universidade não consegue mudar apenas no transcorrer de um curso. Precisa ser trabalhado no núcleo familiar para ser perene, ou seja, durar ao longo da vida.

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sábado, 5 de janeiro de 2013

Genialidade e precocidade substituídas por mediocridade


Um gênio precoce, de apenas 15 anos, foi matéria de capa da revista Nature como coautor de um trabalho científico. É pouco provável que, na estrutura educacional brasileira, uma criança de 15 anos tivesse permissão para vivenciar um ambiente laboratorial capaz de, ao fim de tudo, ser participante ativo, ou seja, o coautor, de um trabalho desta natureza. Ainda mais, em um trabalho cujo autor é o próprio pai. Examinemos um trecho da matéria que divulga o fato:"[...] Outro fato curioso sobre o trabalho é um “fato-satélite”, de caráter mais pessoal, divulgado hoje pelo jornal francês Le Figaro: Neil Ibata, um dos co-autores do trabalho, tem apenas 15 anos e é o filho do autor principal, Rodrigo Ibata, do Observatório Astronômico de Estrasburgo, na França (que, apesar do nome português, não é brasileiro). Provavelmente um dos “cientistas” mais jovens da história a assinar um trabalho na Nature — uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo, na qual foi publicada, por exemplo, o estudo de Watson e Crick que revelou a estrutura de dupla hélice do DNA, o sequenciamento do genoma humano e coisas desse tipo (apenas dois exemplos da biologia que eu tenho na ponta da língua)." A moral acadêmica brasileira, combinada com a desconfiança latente (talvez em função das práticas corriqueiras, negadas até a morte), levantariam suspeitas imediatas sobre o trabalho do garoto. Maldosamente, iriam dizer que "o garoto não deve ter feito nada e o pai colocara o nome dele no artigo para dar notoriedade". Pra ser sincero, apenas com base em uma matéria de jornal replicada aqui no Brasil, não se pode afirmar nem que sim nem que não. Ainda assim, o ambiente educacional brasileiro, à parte picuinhas que envolvem ética e comportamento dos pesquisadores, dificilmente é propício ao desenvolvimento de gênios. Gênios são crianças diferençadas, acima da média. Nesses casos, a escola brasileira não está preparada para com eles conviver. No mais das vezes, os gênios são obrigados a se mediocrizar ou são mediocrizados pelos professores e professoras. Se a criança é genial, capta "conteúdos" com rapidez e tem desempenho superior aos colegas de turma, na própria sala de aula, o professor (ou professora) podam o seu desenvolvimento com palavras de ordem do tipo:"Só quer ser mais do que os outros... Faz tudo em 10 minutos só para bagunçar o restante de aula" e coisas desse gênero para desqualificar os gênios e geniais. Quando se trata de um filho crítico, que leva o problema aos pais, ainda se pode tentar uma solução. Quando não, de tanto ser incentivado à mediocridade, a criança termina por se tornar medíocre para melhor conviver socialmente em sala de aula. Por outro lado, se os pais, cientes do problema, procuram a direção da escola, para que o filho mude de série, suba mais um ano para adequar os "conteúdos" às suas habilidades, são aconselhados pelos pedagogos a manterem a criança na turma que está "pois ele não tem idade biológica" para mudar de turma. Serão tantas as guerras contra o sistema educacional estabelecido que, muito provavelmente, gênios da estirpe do garoto da matéria que comentamos aqui, no Brasil, são mortos no nascedouro. É a triste realidade da educação formal, burocrática e bancária brasileira. Romper a burocracia que empurra à mediocridade não é tarefa das mais fáceis. Desistir, porém, não é o melhor caminho. Enfrentemos! Caminhemos!

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Casas decimais decidem tendência positiva no MEC


O Ministério da Educação (MEC), em alguns casos, é o algoz de si, pois, se torna o principal responsável por jogar no lixo a credibilidade do processo de avaliação da Educação Superior brasileira. Se não, vejamos! No final do ano passado, o Ministério divulgou uma lista de 200 Faculdades, Centros Universitários e Universidades que, por terem obtido notas baixas no Índice Geral de Cursos (IGC) entre 2008 e 2011, seriam impedidas de realizar novo vestibular este ano. Agora, divulga uma nova lista com 112 das 200 que apresentam "tendência positiva", portanto, poderão ser liberadas das sanções e, com isso, realizar processos seletivos para a entrada de novos estudantes. Acontece que, na escala de 1 a 5, somente seis instituições passaram da nota 1 para a nota 2. No caso das demais, todas sofreram variações positivas de casas decimais. Há uma Faculdade de São Paulo, por exemplo, que elevou o IGC de 1,90 para 1,91. Cá entre nós, meus queridos leitores e leitoras, dá para considerar uma faculdade dessas que, de 2008 a 2011, ou sejam quatro anos, elevou o patamar em um décimo para mais como uma Faculdade de "tendência positiva"? Quem passa de IGC 1 para IGC 2, em quatro anos, sim, apresenta a tal tendência positiva apontada pelo MEC, mas, quem muda casas decimais em quatro anos efetivamente não muda nada. Quando o MEC aceita esse tipo de variação e considera quem sobe um ponto igualmente a quem sobe um décimo, no fundo, não pratica a avaliação. Apenas mede. E mede muito mal. Porque, convenhamos, é preciso muito esforço e muita boa vontade, coisa que o MEC sempre tem com as particulares, para considerar que quem muda de 1 para dois é igual a quem muda de 1,90 para 1,91. Ao transformar essa prática em regra, o MEC joga contra si e indica o brejo como a tendência da qualidade da Educação superior no País. E isso interfere diretamente nos índices de qualidade dos demais níveis da Educação brasileira. Uma lástima!

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A pressão pela produtividade que adoece


Há um dito popular contra qualquer tipo de dedo-duro que propaga: "o bom cabrito não berra". Entre nós, com o perdão de todos os trocadilhos, o dito deveria ser: "bom professor (ou professora), Lattes". Doce era o tempo, e já faz muito tempo, quando nossa capacidade era medida pelas aulas que ministrávamos e pelo "domínio do conteúdo". Atualmente pouco interessa se você é ou não um "bom professor (ou professora)". Conta, apenas, a produção, o índice de produtividade. Nossa capacidade intelectual é medida em centímetros, ou metros, do currículo depositado na Plataforma Lattes. Quanto maior o Lattes, mais "considerado" é o professor entre os pares. Antes, sem nenhum saudosismo, apenas por uma questão de registro, o professor se desdobrava para ser admirado pelos seus alunos (gosto mais do termo estudantes). Hoje, vale quem tem a admiração dos colegas pelo número de artigos e livros que publica ou pelo número de estudantes que orienta, principalmente nos programa de Pós-graduação. Atuar em um programa de Pós "é tudo de bom". Minha colega Ivana Bentes (@ivanabentes) publicou a seguinte nota em seu Twitter, hoje: " O Ministério da Saúde Adverte! Capes, CNPQ e Lattes fazem mal a saúde: "Segundo a pesquisa quanto maiores o número de produção científica e o número de orientandos em média por ano, maiores foram as ocorrências médias de intervenções cardíacas, doenças coronarianas e os acidentes vasculares cerebrais (...) em docentes de Pós-Graduação, principalmente pela falta de dieta equilibrada e balanceada, atividades físicas (...) e visitas médicas frequentes, justificados pela excessiva carga horária fora do expediente, para se manter os indicadores de qualidade dos cursos de pós-graduação e de seus currículos atualizados" (Deu no Jornal da ADUFRJ de 21/12/2012)". Que nos sirva de alerta!

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A liberação de um filho para estudar


Recebi hoje o telefonema de uma amiga muito querida. Ele queria informações sobre um curso da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A irmã dela teria de enfrentar uma missão que parece simples, porém, principalmente depois que desliguei o telefone, fui avaliar, é muito mais espinhosa do que parece: liberar o filho para estudar fora ou deixá-lo em Manaus, na Ufam. Com pontos suficientes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para ingressar em qualquer curso da Ufam ou de alguma outra universidade brasileira, a Tia dele me pedia ajuda para tentar decidir se o rapaz, de 18 anos, iria para o Rio de Janeiro, Fortaleza, ou ficaria em Manaus. Tecnicamente, sem sombras de dúvidas, para o curso que o rapaz escolheu, melhor seria o Rio de Janeiro. No meu entendimento, a segunda opção seria a Ufam e a terceira, quem sabe a Federal do Ceará. A amiga, porém, contra-argumentou: “No Rio, tem a questão da violência”. Passei a entender que uma decisão dessas não depende apenas das questões acadêmicas e técnicas. Das possibilidades que um curso pode oferecer de “plus” na vida de uma pessoa. Há que se levar em conta, sim, o ambiente externo, a cidade. Uma decisão dessas é complexa. Tem de ser tomada a partir da análise de uma combinação de fatores. Fiquei a imaginar se fosse um filho meu. De 18 anos: solto no Rio de Janeiro. E se, com toda educação que recebeu de mim e da mãe, fosse vítima de uma bala perdida? Será que eu me perdoaria, apesar de, convictamente, defender a liberdade plena do ser humano? Não tenho resposta pronta. Só sei que o Sistema de Seleção Unificada (SIsU) criou mais esse saudável problema para os núcleos familiares. Neste caso específico, é pouco provável que eu tenha como ajudar alguém a tomar uma decisão. Particularmente, quando a complexidade tem essa magnitude, deixo-me guiar pela intuição. É pouco científico. No mais das vezes, porém, funciona.

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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A Educação que forma para a vida


O que escrever sobre Educação? A pergunta inicial evoluiu para o que escrever sobre Educação no primeiro dia do ano, uma vez que escrevo sobre isso todos os dias do ano? Falar sobre Educação Superior? Esquecer os gravíssimos problemas dos Ensinos Básico e Médio? Ou tocar em um ponto nevrálgico que permeia todo o processo de formação do ser humano (ou seria de deformação?): a Educação Básica. Resolvi trazer de volta um tema recorrente em minhas postagens durante o ano inteiro de 2012: a necessidade de o processo educacional formar para a vida e não simplesmente para o mercado. Não que o mercado não faça parte da vida, porém, apesar de viver no e o capitalismo, não entendo que a vida se resuma meramente ao mercado. Estou e sou convicto de que há vida além do mercado. Não vejo o professor e a professora como missionários. Nossa pregação não é religiosa. Temos o direito ser bem remunerados pelo trabalho que desenvolvemos. Vejo, porém, que, como um mantra religioso, devemos pregar sim, dois valores fundamentais para a vida em sociedade: liberdade e respeito. Liberdade até para se prender a alguém e respeito até na hora de se separar de alguém: amigo, amante ou amor. Quando respeito e liberdade forem valores fundamentes da vida a dois ou da vida em grupo, teremos um mundo melhor. É preciso que esses dois valores, porém, estejam ciclicamente interligando a escola, em todos os níveis, e os núcleos familiares. No nível superior, especificamente nas universidades, os dois valores não podem ser apenas mote para discursos inflamados. Devem fazer parte da convivência diária. Ainda que não sejamos capazes de praticá-los em cada um dos nossos atos, esses valores precisam ser nossa meta constante. Talvez, assim, consigamos efetivamente formar para a vida.

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