segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Gênios: estudantes com necessidades especiais

Tenho "batido" inúmeras vezes que a escola (repito, em todos os níveis) ao invés de mediocrizar os gênios deveria genializar os medíocres. Como avaliador do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anysio Teixeira (Inep), tive de me aprofundar ainda mais sobre o tema que me incomodava há muito. Pasmem, leitores e leitoras! A dura e cruel realidade é que os gênios foram classificados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como estudantes com necessidades educacionais especiais. Não se trata de um problema apenas da escola brasileira: é um problema mundial. Em todos os textos legais e em quaisquer discussão sobre o tema, como por exemplo, o trata a própria OMS, o deficientes aparecem em uma ponta e os gênios foram transformados em pessoas com "Altas Habilidades/Superdotação". São tratados genericamente pela sigla AHSD. A OMS, no mundo, aponta matrículas de pessoas com "deficiências em 10%" e as com "Altas Habilidades/Superdotação em 3,5 a 5%," Não é de se estranhar que as matrículas de pessoas com necessidades educacionais especiais sejam extremamente reduzidas. Menos estranho, ainda, é que os gênios, vulgos AHSD, não passem de 5%. Oras, quem, em sã consciência, gostaria, além de ser minoria, aparecer sempre como se fosse doente? É lastimável constatar que não é apenas a escola a excluir pessoas com habilidades acima da média, mas, a própria sociedade. Não estranha que muitos gênios se recolham para fugirem da discriminação social violenta que não os deixam assumir o que são.


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A escola na qual Ícaro não teria vez

A escola brasileira, em todos os níveis, quiçá a escola mundial, é "onde os sonhos morrem primeiro". Jamais seria permito a Ícaro voar e Leonardo da Vinci talvez fosse transformado em um mediano pintor de paredes. Isso tudo porque a filosofia de "cortar asas" não é o esteio apenas da educação familiar, conforme abordei ontem, aqui neste mesmo espaço, na postagem "A cruel filosofia das asas cortadas". Por trás de um discurso libertador, escondem-se grades curriculares, impostas em Projetos Pedagógicos de Cursos, que se alicerçam em Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). Meia dúzia de iluminados é chamada, forma uma Comissão, faz audiência pública em três estados e está decidido o que se deve fazer dentro de uma sala de aula, em todos os níveis. Além de as decisões serem de gabinetes, transformam-se em Planos de Curso ou de Aula, que, talvez, fossem melhor aproveitados se fossem denominados efetivamente de Planos de Aprendizagem e o foco fosse exatamente nesta última. Ainda hoje, fala-se em ensino, em aluno, ou seja, sem luz. O prazer da descoberta e da experimentação pouco valem. Aliás, ainda se vive em uma sociedade na qual o prazer é sempre relacionado ao pecado venial. Ter prazer, em amplo sentido, na escola, talvez seja uma heresia. Dias desses, eu, minha filha e meu filho conversávamos sobre isso. E ela, que tem 13 anos, saiu-se com essa:"Pai, eu e minhas amigas temos um sonho. Sair desta escola que não estimula a gente a estudar e criarmos uma nova escola. Uma escola que a gente tivesse prazer em estudar". Eu e minha filha temos algo em comum: sonhamos com uma escola na qual cortar asas seja uma prática definitivamente abolida. Assim, Ícaro e Da Vinci poderiam frequentá-las sem o menor receio.

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OBS: Post do dia 29/09/2013

sábado, 28 de setembro de 2013

A cruel filosofia das asas cortadas

Recebi uma dessas memes da Internet que me fez contar o coração. Eis a imagem:


E sabem o porquê de me fazer cortar o coração? Simples! Ouço mães repetirem, à exaustão, principalmente as filhas meninas, a mesma frase:"O passarinho quer voar, vou cortar tuas asas!". Deus do céu! Quanta violência é "cortar as asas de um passarinho", cuja essência é voar! Meus pais me educaram com a mesma filosofia de cortar as asas. No entanto, quando, aos 15 anos, me apareceu a chance de um voo solo, em Manaus, fui liberado. Certamente, foi a grande chance da minha vida. Com a mensagem que recebi pela Internet, passei a refazer os passos que dei, os erros que cometi. Todos, muito provavelmente, por não terem de deixado sair da gaiola até os 15 anos. em Manaus, longe dos pais, dos irmãos, dos primos. Asas cortadas, só os "cotocos", sem as penas, como voar? "Educar não é cortar as asas e sim orientar o voo". Muitas das dores que passei, muito do sofrimento que enfrentei, talvez fosse evitado se eu apenas tivesse sido orientado a voar. E não, durante 15 anos, ter as asas completamente cortadas bem na base. Errei feito um condenado. Fui condenado por errar! Talvez, só após os 45 anos, tenha começado a aprender a flanar. Alcei voos cambaleantes! Um tanto sofridos. Para chegar aqui, agora, a partir de uma mensagem acessada na Internet, concluir que o processo educacional inteiro do País e baseado na filosofia de "cortar as asas". Continuarei amanhã com o mesmo assunto. Para que reflitamos juntos, mais um pouco, sobre a crueldade deste ato simbólico de cortar asas.


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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Quando a Saúde de Cuba prestava

Não sei se acontecia nos demais estados brasileiros. Mas, lembro-me como se hoje fosse, que muitos dos meus colegas, ícones da esquerda, à época, saudavam tanto o modelo de Saúde quanto o modelo de Educação de Cuba como exemplares para o mundo. Não sei se Cuba sem Fidel Castro não é mais a mesma. Ou se os meus antigos colegas da dita esquerda mudaram. Só sei que depois do anúncio do Programa Mais Médicos, do Governo Federal, a Educação de Cuba, principalmente, o processo de formação dos médicos cubanos, caiu em desgraça na boca de muitos daqueles que, nos idos dos anos 80, eram devotos de Santa Havana. Ao que parece, alguns daqueles ativistas de ocasião, que erguiam a bandeira esquerdista de Cuba, hoje, se não fazem parte, pelo menos advogam (talvez pouco cliniquem), ou rezam pela cartilha dos Conselhos Regionais de Medicina. Do ponto de vista educacional, o que me interessa é: a formação dos médicos cubanos tem problemas? Quais? Se antes era apontado como modelo para a América Latina, o que mudou? Aí me vem a questão ainda maior: só é médico quem consegue "passar" pela provas do "revalida"? Será que os mais brilhantes médicos (e cientistas) do mundo seriam aprovados neste exame? E se não o fossem, deixariam de ser médicos (ou cientistas) por isso? Não creio que um mero exame transforme alguém em médico ou não. É preciso avançar na visão cartorial da Educação. Se Educação é processo, um diploma não pode ser revalidado apenas com a aplicação de um teste. Muito menos com a comparação dos nomes e planos de cursos das disciplinas. Há que se avançar! Caso contrário, quando for de interesse e servir para sustentar os discursos, a medicina de Cuba será padrão; quando não, cairá em desgraça, como agora!


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O Custo Amazônia que influencia na Pesquisa

Ninguém pense que a Amazônia, por seu bioma, é um celeiro de oportunidades para a pesquisa científica e para os pesquisadores. Enfrentar o desafio de morar (e pesquisar) na Amazônia é, antes de tudo, um ato de coragem. É inegável que o Governo Federal, com o programa Acelera Amazônia (que mais parece funcionar com o pé no freio e não no acelerador), tentou incentivar a pesquisa na região. A criação da Fundação de Amparo à Pesquiso do Estado do Amazonas (Fapeam), há 10 anos, reconhecidamente deu novo oxigênio à Ciência não apenas no Amazonas. Para além das questões científicas, há um fator econômico que afeta profundamente as Instituições, por conseguinte, todos os seus servidores: o Custo Amazônia. Economistas convencionaram usar essa denominação para a diferença a mais no preço de serviços e produtos na Região. Concretamente, por exemplo, não o preço do metro quadrado para a construção não é o mesmo na Amazônia. Em algumas localidades, a diferença no preço dos materiais de Construção chega a ser de até 40% a mais. Esse custo afeta as universidades e os institutos de pesquisa e influencia diretamente na fixação ou não de servidores, títulos à parte, no interior. A agências de fomento, caso reconheçam este custo e os embutam nas bolsas e verbas de projetos, podem corrigir a diferença. Será fundamental para o avanço da pesquisa na Região.

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OBS: Post do dia 26/09/2013

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Uma briga equivocada de egos

A divisão que se prega, na Educação Superior brasileira, entre as instituições públicas e particulares, a mim me parece um equívoco tão imenso que só pode ser comparar a um entrevero de egos. Por mais que se possa divergir do modelo brasileiro de "negócios" na Educação, há que se admitir que tanto as públicas quanto as particulares fazem parte do Sistema de Educação Superior do País. Portanto, cumprem papel social quer queiramos ou não. E se fizermos uma análise mais refinada a partir do perfil dos estudantes matriculados nos cursos de graduação, por exemplo, veremos que, por mais incrível que possa parecer, as particulares incluem uma faixa de estudantes, muito mais pobres, do que os estudantes nas universidades públicas. Ao invés de uma briga de egos sem propósitos, deveríamos investir em aproximações que tivessem um fim comum: melhorar a qualidade de todas as atividades didático-pedagógicas a serem ofertadas aos estudantes, em todos os níveis. Só assim, as política públicas voltadas para a Educação surtirão efeito. A Educação brasileira, em todos os níveis, é dever do Estado. No entanto, é ofertada de forma mista, uma vez que o Estado não tem condições de financiar todos os níveis. Nem mesmo o todo de nível a nível. Resta-nos trabalhar para que, no fim, o benefício seja inteiramente da sociedade.


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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Mestrado profissional X mestrado acadêmico

A dissertação "Paisagens sonoras: a experiência composicional nas redes de sons do entorno do sambódromo de Manaus", defendida pelo professor do Curso de Artes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Márcio Lima de Aguiar, é uma daquelas obras capazes de deixar os taxionomistas cartesianos com o queixo caído. Justamente porque poderia ser encaixada perfeitamente como produto de um Mestrado Profissional, porém, mantém a profundidade de um trabalho de Mestrado Acadêmico, porém, com um produto como resultado.
E é neste hibridismo entre o produto e a criação que Márcio Aguiar, orientado pela professor doutora Rosemara Staub de Barros, criou um espaço para se inserir na teia da pesquisa com um nó intrínseco a ele: o da inventividade. A pesquisa e as composições feitas por Márcio Aguiar comprovam, com todas as letras, que o saber não é nem acadêmico nem profissional. É saber e pronto.
Essa sanha taxionômica é uma característica da pesquisa atual brasileira que precisa crescer para o mundo e "se medir" e ser medida para poder demonstrar como cresce. Do ponto de vista do saber, do conhecimento, porém, o trabalho de pesquisa de Aguiar (como imenso alívio para mim que tanto fui da banca de Qualificação quanto da Defesa da Dissertação, hoje) deixa evidente que não há como engessar a Ciência, muito menos a Arte.


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