segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O impacto dos cortes na avaliação

Na mesma proporção dos cortes existentes no Orçamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) por parte do MEC, também, pelo menos enquanto durar a crise, os programas de Pós-graduação deveriam ter alguma espécie de compensação nos processos de avaliação. Os pesos percentuais, nas várias áreas, só voltariam aos patamares normais à medida que as verbas também fossem liberadas. Porque avaliar programas como mesmo patamar de exigência, quando os recursos, tanto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) quanto do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) rarearam, é penalizar mais de uma vez, principalmente os programas notas 3 fora do eixo Sul e Sudeste. Manter os programas funcionando até o final do ano é uma coisa, conseguir que tenham o mesmo desempenho e a mesma qualidade é diferente. Ainda mais quanto até o financiamento nos estados sofreu contingenciamento. O impacto dos cortes não será só financeiro e, caso a economia não se recupere em tempo, afetará a avaliação dos programas no fechamento do quadriênio caso medidas não sejam tomadas para minimizar o impacto, também, nos processos de avaliação. É preciso voltar a perspectiva do olhar para esta variável.


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domingo, 30 de agosto de 2015

O jornalismo fast food de Manaus

Ao que tudo indica, não foi apenas no restante do Brasil que se abdicou de fazer jornalismo para se enveredar por se fazer “oposição política”. Em Manaus é ainda pior. Aqui se pratica uma espécie de “jornalismo fast food”. Ou jornalismo de conveniência: as matérias são entregues ao público de acordo com a conveniência dos donos ou de alguns figurões das redações. O interesse público, que deveria ser a mola mestra do jornalismo, dá lugar aos interesses familiares. Reafirmo: dos donos ou de alguns figurões das redações. Daí uma organização jornalística, uma empresa, passa a defender os interesses políticos de pais, filhos e mães. Vergonhosamente, artigos são publicados por pai para defender interesses do filho. Interesses familiares, de todos os níveis, ou relações de amizade, passam a valer mais que o respeito a uma organização centenária na qual 10 entre 10 manauenses se formaram. No jornalismo fast food de Manaus, qualquer denúncia, ainda que vazia, ganha as manchetes. E os preguiçosos jornalistas, que chegam ao poder mais pela relação de puxasaquismo com os donos das empresas que pela competência profissional, publicam o final de um suposto número de telefone que tentaram contato (e não obtiveram resposta). A prática virou rotina, mas, não passa de uma demonstração pública da preguiça em apurar os fatos. Em assim não sendo, querem subjugar os gestores de uma Organização aos seus horários. Como se só eles trabalhassem. No jornalismo fast food que aqui se pratica, o interesse público é o que menos importa. Valem os acordos, os conchavos e as amizades. Chega-se ao ponto de se atuar como profissional em um jornal e publicar, na íntegra, o mesmo material produzido pela então assessoria, na qual a jornalista (ou o jornalista) é o titular. E nenhum colega, arauto da ética, considera um comportamento desses condenável. No jornalismo fast food, os fins justificam os meios. O que mais me entristece é que essas são essas mesmas pessoas que cobram ética e comportamento reto de todos os demais membros da sociedade. A cretinice não tem limites! E isso ninguém, nenhum de nós, professores ou professoras, ensinou no curso de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Mais um motivo de tristeza!


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sábado, 29 de agosto de 2015

Nossos discursos democráticos

Na prática, nossos discursos são sempre menos democráticos que na teoria. Em tese, o espaço escolar deveria ser o locus do exercício do respeito às diferenças, em todos os níveis. O que se quer, na prática, é implantar uma espécie de centralismo democrático no qual a maioria, mesmo sendo minoria, decide o que deve ser feito e todos, unanimemente, devemos aceitar as decisões sem “chiar”. Ou seja, em tese, trata-se de um processo democrático, na prática, é uma espécie de ditadura da maioria, ainda que obtida, por exemplo, com 50% mais um dos votos. Talvez a própria democracia (ou as práticas democráticas) precise ser revista. Para que não tenhamos de viver em uma democracia\ do faz de conta ou em um regime autoritário travestido de democrático. A democracia da manada não me convence. E quando eu não decidir seguir a manda, quero ter o meu direito respeitado. Todos queremos!


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Autoritarismo velado dos professores

Há equívocos que, de tanto serem cometidos ao longo do tempo, se transformam em regra e passam a ser encarados como a única possibilidade para se solucionar um problema. Um deles é o autoritarismo velado de professores e professoras quando à possibilidade de os estudantes realizarem o que se convencionou de “prova de segunda chamada”. É um direito que, no entanto, pelo corporativismo existente em todos os níveis da Educação, dificilmente o estudante consegue exercê-lo. Ou, quando o fazem, é com base em regras fixadas pelos próprios professores e professoras, quase sempre à margem da Lei. Eis uma prática extremamente centralizadora e autoritária de professores e professoras que pouco são reveladas, a não ser em reclamações anônimas nas ouvidorias. Lastimável que tal tipo de prática ocorra porque fere frontalmente a pregação coletiva em torno das práticas da profissão.

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OBS: Post do dia 28/08/2015

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Fraturas expostas na Ciência

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) transformou em fraturas expostas todas as fraudes detectadas em trabalhos científicos financiados por aquela agência de fomento. Elencou o que convencionou chamar de “fraudes científicas” e divulgou os cinco trabalhos que possuem plagio ou fabricação de dados. A Agência deixará as “fraturas” expostas de três meses a cinco anos, de acordo com a gravidade da fraude cometida. Trata-se de uma medida inédita no Brasil por parte das agências de fomento que, certamente, deveria ser seguida por todas as demais agências. Cientistas precisam entender que não estão acima do bem e do mal e que o resultado de suas pesquisas não deve ser aceito como verdade absoluta. A medida é saneadora e dará a transparência necessária, uma vez que entre alguns cientistas a prática de criticar o comportamento ético dos colegas é sempre muito maior que a própria prática. A pesquisa brasileira e a comunidade agradecem.


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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O interior precisa da Pesquisa

Quando se fala em interiorização da Pós-graduação, tanto na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) quanto nas demais Instituições, não se pode esquecer que o interior precisa da Pesquisa para que se tente, no Estado, encontrar um caminho para que a atividade econômica ganhe vida no interior. Hoje, há uma relação de dependência do interior em relação à capital. Manaus concentra 95% da atividade econômica do Estado. Esta relação já foi maior: de 98%. Ou se trabalha, em conjunto com todas as Instituições, e o próprio Estado, para que esta relação de dependência seja ainda menor, ou o interior não tem salvação. E se o interior não tiver salvação, o próprio Estado fica com um problema de difícil solução: a concentração das atividades econômicas em Manaus. Daí a importância do processo de interiorização das Instituições. No entanto, nenhum desses movimentos de interiorização pode dar certo se não for acompanhado de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade de vida por parte dos municípios e do Estado. Só há um caminho mais seguro: a pesquisa científica com compromisso social.


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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Os miseráveis de espírito

Há alguns miseráveis de espírito, porque são mais que pobres, incapazes de entender a diferença entre um militante e um gestor. O militante, como o torcedor, é um fanático, um apaixonado pelo seu time. Em alguns casos, faz vistas grossas até para coisas do tipo “roubado é mais gostoso”. Ao gestor, é proibido pensar nesta possibilidade. Não deve ser militante nem fanático. Deve agir com equilíbrio. Pesar cada decisão, porque, quaisquer delas, envolve a vida das pessoas. Pessoas que, por mais que o gestor seja justo nas decisões, estão prontas para atacá-lo, diminuí-lo e, se possível, destruí-lo. O ônus de quem administra parece ser a solidão e o sofrimento permanentes. Os miseráveis de espírito não podem permitir que sejamos ricos. Tentam nos destruir. Mais que isso: destruir a nossa autoestima. Querem que também sejamos miseráveis. Carecem de companhia nas suas agruras, na inveja, no processo permanente de destruição do outro. Às vezes conseguem. Mas, o maior exercício de quem é gestor, além de gerir, é vencer o permanente assédio dos miseráveis. Para não se tornar mais um deles.


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