sexta-feira, 14 de junho de 2013

O lugar da Pós-graduação nas univerdades

Toda a estrutura da universidade brasileira é baseada na Pós-graduação, muito embora, na maioria delas, a Pós funcione como uma espécie de "puxadinho". Para quem não sabe, o "puxadinho" funciona como se fosse um anexo da casa, ou seja, pode ser retirado sem que a estrutura da casa seja abalada. Eis o problema de tratar a Pós-graduação como um "puxadinho": ela não pode ser retirada sem que a estrutura da casa, ou seja, da universidade, seja abalada. E porque não pode? Porque, de acordo com o Decreto 5.773/06, "As universidades se caracterizam pela indissociabilidade das atividades de ensino, de pesquisa e de extensão. São instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por:
I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regional e nacional;
II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado;
III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral."
Para além disso, o Governo Federal, por meio de todas as suas agências de fomento e o mantenedor efetivo, o Ministério da Educação (MEC) avaliam o que é ou não universidade, pelo número de cursos de doutorado que possuem. É um erro estratégico dos mais graves, portanto, tratar a Pós como se fosse um mero anexo da instituição.

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OBS: Post do dia 13/06/2013

O que dizem os números da meritocracia acadêmica

Preocupam-me sempre as fórmulas e os números utilizados para "medir" quem tem e quem não tem mérito acadêmico na universidade brasileira. Tradicionalmente, o mérito é dado a quem publica pelo menos dois artigos a cada dois anos até o final do trimestre, quando a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) realiza as avaliações dos Programas de Pós-graduação no País. A pergunta é: não há vida além da Pós-graduação? Há sim. Sem nenhuma dúvida. Porém, não se pode conceber que um professor ou uma professora seja liberado (a) durante tempo que for necessário para defender sua dissertação ou tese, e volte para a universidade de origem para não produzir mais nada. Se os critérios meramente numéricos não são suficientes para medir o mérito acadêmico de um professor ou professora, o fato de não produzir mais nada ao longo dos triênios seguintes das suas vidas, após a obtenção do título, é preocupante. Talvez seja um indicador de que aquele profissional saiu para se qualificar, ou seja, para cursar mestrado e doutorado, não para agregar algo mais a si como profissional, muito menos para a Instituição que o financiou, logo, para a sociedade. Nos casos específicos de produção zero ou próxima do zero e a falta de atuação nos programas de Pós só me leva a imaginar que o professor ou professora que mantém essa postura, no fundo, principalmente no caso do doutorado, usou a qualificação simplesmente como estratégia para aumentar a remuneração. O que se dizer (ou pensar) de quem age dessa forma? Os números da meritocracia acadêmica são cruéis tanto pelo que revelam quanto pelo que podem esconder.

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OBS: Post do dia 12/06/2013

terça-feira, 11 de junho de 2013

O absolutismo contido em medidas democráticas

Todas as vezes que discuto o tema democracia recordo-me da primeira decisão tomada pelo povo, quando Pôncio Pilatos, prefeito da província romana da Judeia, exercia, também a função de juiz e, "lavou as mãos", deixando ao povo a decisão de crucificar ou não Jesus Cristo, ainda que estivesse convicto de que não havia como provar nada contra ele capaz de levá-lo à morte. A primeira incongruência no "ato democrático" de Pilatos é: deve, um juiz, convicto de que não há nenhuma prova contra o réu, deixá-lo ser levado a julgamento público? Ainda mais quando tem a convicção de que, se o fizer, o réu será condenado, embora inocente? O absolutismo da democracia pode levar a situações extremamente injustas, ou, na mais positiva interpretação, a um "faz-de-conta" histórico. Fiz toda essa espécie de "nariz-de-cera" como provocação para refletirmos sobre o capítulo de Alice nos País das Maravilhas que é a discussão com os estudantes do "Plano de curso", no primeiro dia de aula, exigência contida nos manuais absolutistas das democráticas decisões nas universidades brasileiras. A prática é passível de avaliação, muito embora a avaliação do professores pelo estudante, também não passe de um faz-de-conta. Afinal, se faz, de cara, no mais das vezes, a seguinte pergunta: "O professor (a) apresentou e discutiu o Plano de Curso com os estudantes do primeiro dia de aula?" Em todos os meus anos de Universidade Federal do Amazonas (Ufam), cumpro rigorosamente o tal item. Não lembro de ter despertado o interesse de nenhum estudante, desde 1993, para o Plano de Curso, que hoje prefiro denominar Plano de Aprendizagem. Nem mesmo alguma sugestão bibliográfica recebi. O que se tem é, na prática, um ritual puramente burocrático de cumprimento da exigência legal e regimental. Nunca defendi que o professor ou professora seja dono absoluto e pleno dos conhecimentos que envolvem a disciplina por ele ministrada. Muito menos dos métodos e metodologias. Mas, criar essa obrigatoriedade de discutir com os estudantes o Plano de Curso é o tipo de medida absolutista para parecer democrática. Obrigatoriamente sim, este plano deve ser profundamente discutido com uma pares, em um planejamento coletivo, inclusive, com a participação dos representantes dos estudantes, é um procedimento necessários e saudável. Fazer de conta que se discute o Plano de Curso, no entanto, é fingir ser democrático. O máximo que se tem feito, ao longo dos anos, é apresentar o Plano e redefinir algumas datas. Com o agravante de a sala de aula, no mais das vezes, estar esvaziada pela "crença" de que não se deve ministrar aulas na primeira semana, no início de cada período. Lastimável!

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Por uma puerigogia nas universidades

Ao ingressar no curso de Mestrado em Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), deparei-me com a expressão "andragogia". Isso por volta de 1996. Até então, só ouvia falar tradicionalmente em Pedagogia, que tem origem na Grécia Antiga e é a junção dos termos paidós (criança) e agogé (condução). Pedagogia, portanto, significa a condução da criança. Credita-se à Malcom Knowles, a elaboração, na década de 70 da definição de Andragogia. Para ele, "é a arte ou ciência de orientar adultos a aprender". De forma mais geral, o termo é usado para significar "educação voltada para adultos". è uma contraposição, portanto, à Pedagogia, cujo foco original não as crianças. O educador Pierre Furter considera que andragogia "é um conceito amplo de educação do ser humano, em qualquer idade." Já a UNESCO utilizou o termo para significar "educação continuada". Aqui, portanto, atrevo-me a propor a existência da puerigogia, voltada exclusivamente para métodos e didáticas dedicadas à educação de adolescentes. O perfil do estudante universitário mudou sensivelmente. Hoje, nós, os professores (e professoras), não estamos preparados para lidar, nem didática, nem tecnicamente, com jovens na faixa dos 15 aos 17 anos. São adolescentes com a libido a mil, formados na era dos jogos eletrônicos e digitais (e dos livros na mesma plataforma), que chegam a uma escola extremamente tradicional em tudo. É preciso pesquisar e aprofundar uma forma de se relacionar com esses jovens, em sala de aula. A puerigogia se nos apresenta como auxiliar ao processo de ensino-aprendizagem desses jovens que ingressam nos primeiros período das universidades com 15 anos e com os quais temos pouca habilidade em lidar. Certamente um campo fértil para pesquisa, principalmente pelo ineditismo da proposta. Quem aceita o desafio de ser desbravador dessas terras nunca d´antes pisadas?

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OBS: Post do dia 10/06/2013

domingo, 9 de junho de 2013

A participação política do jovem é essencial

Durante anos combati, dentro da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), na qual trabalho desde 2003, o que chamei de tentativa de se implantar uma espécie de assepsia política. É essencial para o processo democrático, inclusive, uma oposição que não seja cega, que levante e aponte pontos falhos para qualquer administração melhorar. E isso só se consegue se a participação política for incentivada e não tolhida. Hoje, ao voltar à Igreja, de novo, deparei-me como um contido no Boletim O Domingo, que me fez voltar ao tema. É assinado, novamente, por Paula Cervelin Grassi, representante da Pastoral da Juventude no Conselho Nacional de Juventude. No boletim, o texto original é "Juventude e participação política". Eis o texto integral:"Certamente já escutamos e talvez até tenhamos repetido uma ideia corrente: a de que a juventude não está interessada em política. Fala-se, em muitos cantos, que jovens homens e mulheres são indiferentes à participação política e pouco se preocupam com a transformação social. Essas afirmações são simplistas e não compreendem o contexto histórico atual, distinto do de épocas passadas.
O protagonismo político da juventude prossegue e novas formas de participação são geradas. Persiste a atuação dos jovens nos espaços tradicionais, como o movimento estudantil e os partidos políticos, mas, nos últimos anos sua atuação avançou por diversos outros canais. A construção de um  mundo melhor passa também pelo acesso à cultura, pela justiça socioambiental e pela igualdade nas relações humanas. Surgem, assim, por exemplo, movimentos juvenis ligados às questões ecológicas, culturais e de gênero.
Além disso, a luta por políticas públicas para a juventude gerou novos espaços de diálogo com o Estado brasileiro, tais como fóruns, conselhos e conferências. A intervenção nas ruas, nas comunidades, nas escolas e no trabalho soma-se à mobilização institucional junto ao poder público.
Na última Conferência Nacional de Juventude em 2012, a garantia dos direitos da juventude, articulados à construção de um Brasil justo e igual, foi ponto central do debate. Movimentos e organizações juvenis presentes puseram em pauta o direito fundamental a uma vida plena e digna, ao desenvolvimento integra, à vida segura e à participação.
A luta pelo avanço e pela conquista dos direitos da juventude continua. Que as organizações coletivas construam ainda mais estratégias de participação e intervenção política nos diversos setores sociais organizados, buscando mobilizar a juventude para a garantia dos seus direitos." E, nas universidades brasileiras, que as mobilizações sejam virtuosas e em prol do bem de todos os que fazem parte da comunidade de cada uma das universidades brasileiras.

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sábado, 8 de junho de 2013

Professor não substitui nem pai nem mãe

Discussões sobre o núcleo familiar moderno à parte, há que se levar em conta algo fundamental: o desempenho escolar dos estudantes, em quaisquer dos níveis, é afetado, e muito, pelos problemas enfrentados na família. E há um erro gravíssimo cometido por muitas famílias: permitir que a figura do professor (ou professora) substitua a figura do pai ou da mãe. Princípios e valores são trazidos de casa. É pouco provável que a escola seja capaz de suprir as necessidades que não foram preenchidas no núcleo familiar. O valores fundamentais da vida em sociedade, quando existem, são passado pela própria sociedade e pela família. O Estado também é responsável, quando não cumpre a sua parte no processo complexo da formação moral de um ser humano. De que adiantam professores e professoras exemplares, uma família que vive sob a égide da honestidade, se a criança crescer em meio à corrupção e a impunidade? A má-formação, ou não, de pessoas é um processo. E neste processo, papéis são exercidos e não podem ser substituídos sem que haja rompimentos e baques na formação. Se cada um fizer a sua parte e, em seguida, cruzar os braços, pouco se avança. Nem sempre somos bem-sucedidos. Muitos se perdem pelo caminho. Persistência é essencial. A escola, professores e professoras e os pais, certamente, possuem o mesmo nível de importância no processo. E nenhum ocupa o lugar do outro.

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Educação se faz com salários, infraestrutura e compromisso

Dos problemas relacionados à Educação que aqui levantamos, em todos os níveis, três se nos apresentam como os primordiais a serem solucionados se, efetivamente, se quiser que o Brasil enfrente dignamente a questão: salários (dos professores e de todos os envolvidos no processo); infraestrutura e compromisso (também de todos os envolvidos no processo, principalmente do próprio poder público). E tem mais: o problema da melhoria da Educação no País não será solucionado se houver investimento apenas em uma dessas dimensões. É preciso que a política pública para a Educação tenha como foco as três dimensões concomitantemente. Professores e professoras devidamente motivados e compromissados, precisam ser bem remunerados e contarem com uma infraestrutura condigna para os resultados sejam sentidos. Caso não, ano a ano, professores e professoras, bem como o poder público, manterão a cantilena de que os investimentos são sempre menores do que deveriam. E, talvez, os sejam. No entanto, sem investir pesadamente nesta tríade, nem os primeiros passos à frente serão dados. Sem boa remuneração dos profissionais, que sejam compromissados, e uma infraestrutura de sala de aula e laboratorial, não se faz Educação de qualidade.

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