quarta-feira, 30 de julho de 2014

Perguntas que reprovam professores e professoras

Tive acesso hoje, por meio da Internet, à seguinte imagem:


A pergunta da professora e a resposta do estudante dizem tudo. Então descobrimos mais uma variável que pode, sensivelmente, interferir no jubilamento e na reprovação de estudantes em todos os níveis: as péssimas perguntas feitas pelos professores e professora. No caso da imagem, pelo menos a professora do estudante teve a hombridade de considerar a resposta correta, ao passo que indicou o que ela desejava que fosse respondido. A afirmação dela, no entanto, permite dúbia interpretação; "Localize o Brasil no mapa da América do Sul e escreva seu nome". Como se diria no interior, o estudante não contou desgraça: localizou o Brasil no mapa e tascou o nome dele estudante, que, na cabeça dele equivale a "seu nome". A imagem me fez lembrar uma questão respondida pelo meu filho em uma prova de Artes. À época, o jogador Ronaldinho Gaúcho estava no auge da carreira, figurava entre os melhores do mundo, e ainda passava constantemente na TV uma propaganda na qual Gaúcho acertava a mesma trave seguidas vezes. O professor pediu na prova: "Cite o nome de um artista contemporâneo". Meu filho também não contou desgraça:"Ronaldinho Gaúcho". A pergunta foi considerada correta pois meu filho argumentou que considerava Ronaldinho Gaúcho "um artista da bola". Pergunta bem feita ajuda a combater a evasão escolar, é o que se pode inferir.


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terça-feira, 29 de julho de 2014

As maluquices dos pré-requisitos

No Reino da Dinamarca há coisas que Deus duvida. E uma das coisas que nem Deus na Terra entenderia são os critérios utilizados nos Projetos Pedagógicos de Cursos (PPCs) para se estabelecer se uma disciplina é pré-requisito de outra ou não. E se trata de uma variável que interfere diretamente na retenção e no jubilamento de estudantes nas universidades brasileiras. Emperra a vida dos estudantes e, em muitos casos, leva-os a serem expulsos das universidades. O pré-requisito é como se um curso fosse cheio de degraus e, pela regra, você fica impedido de subir um degrau a mais. Por mais que você esteja preparado fisicamente, está impedido de subir de dois em dois ou de três em três degraus. Imagina uma pessoa que fisicamente está na ponta dos casos ser obrigada a subir uma escada degrau por degrau. Talvez desista antes de completar o percurso. Metaforicamente é o que acontece nas universidades. Dia desses deparei-me com uma situação que beira à maluquice. Uma estudante tinha sido aprovada em Cálculo I. Solicitou matrícula em outro curso, numa disciplina cujo pré-requisito era Matemática Básica. E o pedido foi negado por falta de pré-requisito. Devo estar maluco, mas, não consigo entender: se uma pessoa possui habilidade para cursar, com êxito, Cálculo I, será que não tem habilidade sobre as operações básicas da Matemática?


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Educação muda ou molda?

Às vezes fico a remoer meu motorzinho interior a respeito de afirmações que se transformam em lemas, tais como:"Só a Educação é capaz de mudar um País". Intimamente me respondo: a Educação, nos moldes que temos, não muda. Molda as pessoas para a concorrência ferrenha e individualista do mundo capitalista. O País molda-se, passa a participar do jogo internacional do capital, e, aí sim, a falta de mão-de-obra qualificada empurra o País para a derrocada. É nesta perspectiva do olhar que a Educação realmente muda. Não se sabe, porém, se há, efetivamente, desejo dos governantes de que se mude. Mudar, de forma mais ampla, significa não moldar, tirar as formas. Situação que o modelo atual não é capaz de fazer. Uma educação que muda para a vida, para o exercício da cidadania, não molda, muda. E não pode se moldar a um único modelo de forma de vida em sociedade. Talvez, por isso, mudar, em Educação, faz parte do campo do discurso e não da prática efetiva.

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OBS: Post do dia 28/07/2014

domingo, 27 de julho de 2014

Estudantes também precisam mudar a mentalidade

A mudança de mentalidade necessária à Educação Superior do País não é apenas dos professores e professoras, dos gestores e dos órgãos reguladores e avaliadores. A maior mudança de mentalidade tem de ser dos estudantes. Se há professores (e professoras) que, às vezes, utilizam a pedagogia da opressão como regra, há, por seu turno, estudantes que se deixam oprimir. Exatamente por manterem, ainda, a mentalidade do Ensino Médio. É bem verdade que a universidade brasileira, dia após dia, recebe mais adolescentes, dos quais nós, os professores (e professoras), por não termos nenhuma preparação para lidar com os adolescentes (nem com os nossos filhos), exigimos mais e mais o comportamento adulto (e maduro) que se deve ter na Educação Superior. Talvez tenhamos que nos preparar melhor para lidar com adolescentes na sala de aula e, eles, os estudantes, também buscarem um novo olhar, uma nova mentalidade, para frequentarem a sala de aula. "Educar é, antes de tudo, um ato de amor". Em todos os sentidos.


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sábado, 26 de julho de 2014

O burocrata emperra, o gestor deixa fluir

Há uma diferença básica entre um burocrata e um gestor. O burocrata emperra a organização pois se limita a aplicar a letra fria da lei, das normas e dos regimentos. O gestor entende a organização como um sistema vivo e as leis, normas e regimentos como mutáveis. Compreende que as normas se subordinam à vida e não ao contrário. Às vezes, não é muito fácil fazer esta distinção. Ainda mais quando se entende exatamente o contrário: que as normas é que fazem a vida. Normas, leis, regimentos e quetais foram criados para "regrar" a vida em sociedade. Não são superiores à própria vida e ao nosso modo de interpretá-las. Portanto, normas, regimentos e leis são tão mutáveis quanto a vida. E dependem da interpretação que dela fazemos. Recorro a Chales Handy, com o seu conceito de Administração, para diferençar bem um burocrata de um gestor. Diz ele: "Administração não é uma ciência exata, mas antes um processo criativo e político que deve muito à cultura e à tradição prevalecentes naquele lugar e naquele momento“ O burocrata é um cego. Só vê as normas. Entende a Administração como uma ciência exata. Não enxerga a gestão como um processo criativo e político. Jamais consegue olhar para a cultura e a tradição. Nem do lugar, nem do momento. Por isso, emperra a organização. Diferentemente do Gestor, com letra maiúscula, que muda até as Leis, Normas e Regimentos para deixar a organização fluir de acordo com a cultura, a tradição, o momento e o lugar.


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sexta-feira, 25 de julho de 2014

A revalidação de diplomas e a reserva de mercado

Todas as vezes que se fala em diplomas, no Brasil, fico com a sensação de que vale mais a reserva do mercado do que a discussão sobre o conhecimento. Como representantes das carreiras também estão na ponta dos processos de revalidação de diplomas, por exemplo, o que se tem é uma discussão centrada nos interesses de cada uma das categorias profissionais existentes no País e não no processo de aquisição de conhecimento. A lógica é muito simples: quando mais se dificulta o processo de revalidação de diplomas, mais se garante a reserva de mercado para os profissionais formados em solo brasileiro. Do ponto de vista da Pesquisa e da Pós-graduação, no entanto, isso representa um atraso de anos, quiçá séculos. Porque fecha a porta para a troca de experiências, para a internacionalização plena. Ou se encara com naturalidade que o Brasil faz parte, efetivamente, de um mundo globalizado ou a revalidação de diplomas será cada vez mais dificultada no País.


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quinta-feira, 24 de julho de 2014

A mudança na escola deve ser de mentalidade

Voltei a lembrar, hoje, da afirmação da minha: "o papel da escola não é educar? Como podem expulsar um estudante? Expulsar não é educar" Sábias palavras de uma menina de 14 anos que, talvez, nem venha a ser professora. Tem, porém, uma visão tão profunda do processo educacional que, certamente, se o fosse, seria uma professora completamente diferente do padrão atual. Certamente, o que se precisa, para a revolução tão necessária à educação brasileira, é uma mudança de mentalidade, de visão a respeito do processo educacional. Em assim sendo, adiantará muito pouco mudar a estrutura física: o que se precisa é de uma mudança da nossa perspectiva do olhar a respeito do processo, do ato de educar. Enquanto em nós permanecer a visão de que para se educação se deve controlar e punir, tenderemos a ter a escola do fracasso que temos.


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