sábado, 21 de abril de 2012

"Jogos vorazes" na Educação Superior brasileira


A política pública de estado mínimo na Educação e concorrência ferrenha entre os pares, implementada pelo Governo do PSDB na Educação Superior brasileira e refinada pelo Governo do PT, não tenham dúvidas, é a maior responsável por esse episódio lamentável, condenável e reprovável sob todos os aspectos que ocorreu na Universidade Federal do Amazonas (Ufam): a agressão física de um colega professor, aplicada a outro professor, por conta de uma Bolsa de R$ 1.300,00 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Sob o argumento de que o Governo Federal não tem condições de financiar as universidades com verbas de custeio e manutenção, a captação de recursos passou a ser feita, internamente, por meio de editais nacionais que estimulam uma disputa ferrenha, quase sanguinolenta, entre pares. Após longo investimento em mestres e doutores, o próprio Governo nos impinge uma política pública que nos mata dia a dia. Torna-nos doentes mentais. Nós, os professores da Educação Superior brasileira, ao obtermos o título de doutores, somos “convencidos” a entrar em uma espécie de Jogos Vorazes da vida real. Nesse jogo, só os mais aptos sobrevivem. A dita competição sadia transformou-se em uma luta diária, de morte, como no filme: os mais hábeis e fortes sobrevivem enquanto os burocratas de Brasília se divertem às nossas custas nesse reality show em que se transformou a questão do financiamento das universidades públicas brasileiras. E com todos os requinte de crueldade do filme (ruizinho por sinal) que fez sucesso nas bilheterias mundo afora. Além da barbárie oficialmente promovida tanto intra muros das universidades quanto intra-universidades, agora, nós, os professores, somos obrigados a disputar “os patrocinadores”, como no filme. Quem agradá-los, quem chamar a atenção deles, obtém mais patrocínio, ou seja, mais recursos. A isso, o Estado brasileiro, por meio do MEC, Capes, CNPq e quetais chama de “captação externa de recursos”. Acontece, porém, como em todos os lugares da vida, há uns mais espertos que os outros. Esses, passam a promover cursos de Pós-graduação  Lato Sensu, os cursos pagos, como forma de “captar recursos”. No mais das vezes, os recursos são apenas para “engordar” os parcos salários dos professores envolvidos nos projetos e quase nada fica para as universidades. Ou repensamos o modelo de financiamento da universidade pública brasileira ou morremos primeiro! E, como no filme, se você morre primeiro: GAME OVER!

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