sábado, 25 de agosto de 2012

Professores ameaçados de morte no Amazonas



Em Benjamin Constant, município do Amazonas no qual fica instalado o Instituto Natureza e Cultura (INC) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), dois professores, inclusive o diretor da unidade, receberam constantes ameaças via telefone celular, por estarem em greve. Foram quatro ameaças, as quais transcrevo na íntegra:
Mensagem 01:
“...AEW AGNO TM ALUNO DA UFAM ARMANDO P/ CIMA DE VC, STAO QRENDO A TUA CABECA. A GREVE SO ATRAPALHOU ALGUMAS ATVIDADS E TODO MUNDO SAB Q VC LIDEROU A MSMA. TOMA CUIDADO Q VAO T PGAR, VC VAI PGAR O PATO. QM AVISA AMIG E. QUALQR HORA TU VAI RECEBR UM RECADO T CUIDA”
Mensagem 02:
“...VCS PROFESORS ISTAO SEMPRE OMISOS P/ OS PROBLEMAS DOS ALUNOS, Ñ ISTAO NEN AI E AINDA QUEREN Q OS ALUNOS S DANEN Ñ E POS E VAI TR O DOCE Q MERECE, Ñ VEMOS A HORA DE VC MUITOS OUTROS CAIREM. VAI COMECAR CONTIGO E VAI SR O PRIMEIRO”
Mensagem 03:
“...OS DIAS STAO CONTADOS P/ ACABAR COM A PALHACADA E COM OS PALHACOS”
Mensagem 04:
“..VC TAMBM STA NA LISTA D PROFSORS MARCADOS DA UFAM. SO T FALO UMA COISA DPOIS DA GREVE VAI T PROFESOR IMPLORANDO P/ NÃO KAPOTAR P OD SPERAR”
Será que Benjamin Constant não supera essa fase de barbárie? Fatos como esses, ao invés de nos intimidar, devem ser o combustível para continuarmos a luta. A greve chegou a um ponto em que o Governo Federal aposta no nosso desgaste e no nosso cansaço para dizimá-la. A sociedade inteira sentir-se-á extremamente decepcionada se recuarmos. Temos de adotar o lema: Ou negocia ou não voltamos! Inclusive em respeito aos nossos colegas de Benjamin Constant que sofrem essas ameaças. Resistir na luta é a forma que temos de honrá-los.

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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O exemplo dos policiais federais para os professores


Em ato simbólico, todos os delegados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) renunciaram aos cargos que ocupam. Eles recebem em torno de R$ 400,00 para exercerem o cargo de delegado. Defendo, há algum tempo, que chegamos a um pronto da greve dos professores e professoras que, ou tomamos uma atitude radical e dura ou sairemos dessa greve a engolir o acordo forjado entre o Governo Federal e a Federação-Fantasma que não nos representa. Posso estar enganado, mas, uma atitude que fere de morte a política para a educação superior deste Governo é mexer na joia da coroa: os programas de pó-graduação. Uma campanha de descredenciamento em massa dos programas de pós das universidades brasileiras de todos os professores e professoras em greve, como o fizeram os professores Ângelo Emilio da Silva Pessoa e José Jonas Duarte da Costa e as professoras Regina Célia Gonçalves e Regina Maria Rodrigues Behar, do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). No dia 12 de julho de 2012, sob o título “A chave para o Governo negociar com os professores”, publiquei uma postagem neste mesmo espaço que versava sobre o tema. Volto a ele pelo momento agudo da greve, bem como em função da atitude tomada pelos Delegados da PRF.  Ou agimos e demonstramos força e mobilização ou feneceremos. Se afetar o coração dessa política para a Educação superior não conseguiremos nada. A hora é agora!

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O discurso mal-intencionado a respeito da greve


Há um discurso mal-intencionado nas afirmações quando se discute a greve dos professores e professoras das universidades públicas brasileiras. Principalmente os que são plantados diretamente do Palácio do Planalto nas grandes empresas da mídia brasileira. Discursos do Governo a desqualificar o movimento dos professores e professoras, porém, são esperados. Dentro da própria categoria, porém, falas desse tipo assumem o caráter de traição do individual em relação ao coletivo. Há sete anos não fazíamos uma greve. Entre os pares, no entanto, há quem generalize a fala de quem “estamos sempre em greve”. E isso sai dos muros, invade as famílias e ficamos com a pecha de que “a universidade federal só vive em greve”. A greve atual é história não porque amanhã completa 100 dias. É pela força do movimento e por ter impregnado o conceito de carreira. Pela primeira vez, professores e professoras compreenderam que o modelo de remuneração define a política educacional do País. Durante anos, uma nuvem encobriu nossa visão e imaginamos que o Governo do Partido dos Trabalhadores (PT) era diferente do governo do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). A greve atual desmistificou essa crença. O modelo neoliberal de “estado mínimo na educação” está posto. E é a essência da proposta forjada pelo Governo em conluio com a “Federação-Fantasma”. Essa, talvez, seja a razão pela qual o Governo tenta empurrar na marra essa “nova carreira”. Desse jogo brotam os discursos mal-intencionados que tentam nos desmoralizar. Não estamos em greve apenas por reposição ou aumento salarial. Queremos condições de trabalho, respeito e dignidade. E isso nenhuma campanha irá conseguir nos tirar se nos mantivermos fortes e mobilizados.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Greve não é cheque pré-datado


É preciso deixar claro, inclusive para grande parte dos professores e professoras do movimento paredista, que a greve não é um cheque pré-datado. Portanto, não pode ter data-limite para ser encerrada. Ao forjar um acordo com a Federação Fantasma, o Governo Federal nos deixou em uma sinuca-de-bico: ou seguramos a mobilização e o movimento até que essa situação estapafúrdia seja resolvida ou sairemos dela totalmente desmoralizados perante a sociedade inteira, principalmente os estudantes. Engolir a proposta de carreira do Governo e da Federação-Fantasma agora, após mais de três meses parados, é um recuo que nem o mais reacionário dos estudantes aceitará. Nossa greve não se vincula ao “tempo” do Governo Federal. Não há nada que nos obrigue a sair da greve porque a data-limite para mudanças na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é o dia 31 de agosto de 2012. Entramos em greve, dia 17 de maio, por uma carreira digna e melhores condições de trabalho. Essa é a nossa luta! Portanto, não podemos arredar o pé um milímetro dela. Aceitar o “acordo fantasma” do Governo é a sentença de morte para a universidade pública, de qualidade e socialmente referenciada que defendemos. É efetivação de um modelo produtivista, baseado apenas na publicação de artigos e capítulos de livros, como se a universidade se resumisse ao nível da Pós-graduação. Para piorar, a nova carreira proposta pelo Governo tem a capacidade de, em curto e médio prazo, destruir a própria Pós-graduação brasileira, principalmente nos Estados do Norte e do Nordeste uma vez que será quase impossível atrair novos doutores com as condições postas. O movimento dos quatro professores do programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande Norte que pediram descrendenciamento por discordar da política produtivista vigente, com a nova carreira, será seguido por outros professores. Não duvidem! Além da carreira e das condições de trabalho, temos uma pauta fundamental: não deixar que essa carreira proposta pelo Governo seja aprovada pois é infinitamente pior que a carreira atual. E é por isso que a nossa greve não pode ser vista como um cheque pré-datado, com data definida para o resgate. Ou o Governo Dilma recua e retira de pauta essa excrescência que é o “acordo fantasma” ou não devemos retomar ao trabalho. Esse é o nosso maior desafio!

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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Operação-padrão na Educação Superior


Professores e professoras em greve deveriam copiar (ou adaptar) a “Operação-padrão” realizada pelos policiais federais também em greve. Para quem não sabe o que é essa operação, trata-se de algo simples: quando em greve, os policiais federais passam a fazer aquilo que deveriam fazer sempre: fiscalizam efetivamente. E quando isso acontece nos aeroportos e portos, o caos se instala. Há anos, a universidade brasileira passou pelo que denominei de processo de “assepsia política”. A “Operação-padrão” na Educação Superior, portanto, seria a retomada da efetiva ação política dos professores em sala de aula como forma de preparar os estudantes para o exercício pleno da cidadania. Como pode a universidade cumprir o seu papel fundamental de preparar as pessoas para a vida e não-apenas para o mercado. Essa é a proposta de radicalização da greve nessa nova fase: se formos obrigados a retomar as atividades em sala-de-aula, que haja relação entre todos os conteúdos e a política para a educação superior do País. Imaginemos em cada turma de cada uma das universidades em greve se os professores passassem a esclarecer os estudantes, por exemplo, sobre o uso dos recursos públicos, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar Universidades, Centros Universitários e Faculdades? Ou, em cada aula, passar o vídeo da palestra de Maria Lúcia Fatorelli sobre o quanto o Governo Federal gasta para pagar os serviços da dívida e deixa de investir em Educação? É dever de a universidade brasileira contribuir para o refinamento do processo político da sociedade. Não pode se eximir de tratar de assuntos tão fundamentais para a vida do cidadão. Portanto, é fundamental que o ato de terminar a greve não seja seguido de uma “cruzada” de braços. É preciso, qualquer que seja a data do fim da greve, que a mobilização permaneça. Que façamos esclarecimentos maciços sobre a proposta de carreira do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) e o perigo para a universidade brasileira o acordo firmado pelo Governo com a “Federação Fantasma”, Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação). Penso que esse tipo de medida é essencial para que o verdadeiro espírito que move a universidade renasça.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A militância em ação para acabar com a greve dos professores


Parece haver um movimento orquestrado dos professores e professoras tradicionais militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Comunista do Brasil (PC do B) com o fim de acabar a greve nas universidades federais brasileiras. Eles participam de Assembleias Setoriais, tentam reiniciar as aulas nos programas de Pós-graduação paralisados e investem, principalmente, em conluio com a mídia, na disseminação de boatos que tenham por meta desestabilizar o movimento, jogar a população e os colegas contra os membros dos Comandos Locais de Greve (CLGs), para, enfim, atingirem o objetivo de tirar o governo Dilma Rousseff da enrascada que se meteu ao forjar um acordo com a “Federação Fantasma” chamada Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação) e empurrar goela abaixo da categoria que além de passar longe das reivindicações de nós grevistas, piora, e muito a carreira atual. Não tenhamos ilusões, o que está em jogo não é apenas um projeto de Governo para Educação. Acima disso, há o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores e de seus aliados. E para manter esse projeto de poder, usarão de todas as armas para nos desmoralizar, inclusive aceitar o apoio explícito da revista Veja, hipotecado em editorial, esta semana. As universidades estão nesse bolo maior das privatizações tão elogiado pela Veja. Estejamos em estado permanente de alerta!

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domingo, 19 de agosto de 2012

Governo ameaça: reitores e reitoras rebelam-se


A declaração de apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) à forma como a presidente Dilma Rousseff “trata” os grevistas parece confirma a tese que tenho defendido há tempos: a política de estado mínimo na Educação foi implantada no Governo FHC e refinada no Governo Lula. Agora, com a ameaça de corte de ponto e  o autoritarismo com que tenta, de todas as formas, não só acabar com a greve, mas, desmanchar o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o Governo Dilma não só dá provas de que reza mais pela cartilha de PSDB do que do PT, mas também, demonstra que não sabe lidar com o aparato da democracia sindical. Querer empurrar goela abaixo de uma categoria um acordo forjado com uma “Federação Fantasma” chamada Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes-Federação) ao invés de acabar com a greve, acirra mais ainda os ânimos e provoca revolta da categoria. Foi por esse tipo de “movimentação” que Dilma recebeu apoio incondicional de FHC. Só falta mesmo ela tomar a decisão de, ao invés de sair do campo da ameaça, efetivamente cortar o ponto dos professores em greve. Terá, porém, de enfrentar a rebelião de alguns reitores e reitoras que não são ligados diretamente ao Partido dos Trabalhadores (PT). Dentre elas, a reitora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Márcia Perales Mendes e Silva. Em reunião com representantes do Comando Local de Greve (CLG), sexta-feira, dia 17, a reitora da Ufam garantiu que não cortará o ponto de nenhum servidor em greve e acará com as consequências do ato, quaisquer que as sejam. Os reitores e reitoras foram ameaçados de sanções administrativas por parte da Controladoria Geral da União. No fundo trata-se de mais uma forma de pressionar de todas as formas para decretar o fim da greve na marra. Dilma corre o risco de terminar o ano tendo em FHC seu único admirador.

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