quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A sabedoria popular que não se explica

Lembro-me, como se fosse hoje, do meu avô, Alfredo Guedes Monteiro, que se foi, nos meus braços, como se a vida fosse um mero sopro. Respirou fundo, ouvi um som mais forte, e parou de respirar. Corri, gritei, “o vovô morreu”. Tinha morrido mesmo. Como um passarinho. Aquele cabelo branquinho, um gosto permanente por me ensinar. O Fredó era a imagem permanente que tenho, até, hoje, da sabedoria. Foi ele que me ensinou, e com ele aconteceu exatamente assim, que quando um doente terminal tem uma melhora absurda e aparente, é porque a morte está próxima. Passei a observar mais acuradamente o que ele me ensinara. É raro que assim não o seja. Em tudo na vida, quando as partes envolvidas tentam demonstrar mais força, é quando arquejam, dão o último suspiro: estão prestes a morrer, a acabar, a decretar o fim. Arroubos, frases feitas, palavras de ordem não passam de claras demonstrações de que o fim está próximo, mas, não se quer (nem se pode admitir). Lutar é uma das coisas mais lindas da vida. Não querer morrer é admirável, mas, todos sabemos: a morte é a única certeza. Logo, o que começa nesta vida terá um fim. Nada é indeterminado. A sabedoria popular não se explica. Começa a observar mais acuradamente e verás: quanto mais se tenta demonstrar forças é porque nenhuma força se tem mais.


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